por Juventude Já Basta!

A luta na Universidade de São Paulo atravessa um cenário chave de desafios e  possibilidades para derrotar a reitoria de Segurado e a extrema direita em São Paulo! Após 10 dias de uma intensa mobilização, os funcionários da USP deram fim a sua greve angariando uma enorme vitória política. Com assembleias lotadas e luta ativa nas bases, conquistaram importantes compromissos da reitoria, com a concessão de uma gratificação de R$ 238 milhões igual à concedida aos docentes, o abono de pontes e recessos, e a gratuidade dos circulares para as trabalhadoras terceirizadas, promessas que precisam ser garantidas com a pressão da categoria!

Já a mobilização estudantil segue crescendo e já atingiu mais de 130 cursos em greve por todos os campi da universidade. Nosso ato unificado na quinta 23/04 tomou as ruas da cidade e denunciou a precarização da USP para toda a população, demonstrando uma força de mobilização que arrancou uma importante vitória parcial: a revogação da minuta reacionária contra os espaços estudantis e nossa organização política! Apesar deste resultado, a reitoria segue tentando desmobilizar nossa luta como demonstrou o grave comunicado da Pró-reitoria de Graduação que computa faltas durante a greve, uma medida autoritária para punir es que lutam e atacar o direito de greve!

Apesar do fim da greve dos trabalhadores, a greve estudantil vem crescendo em adesão e organização contra a reitoria e o governo Tarcísio. Agora, é preciso fortalecer uma greve estudantil ativa pelas bases e seguir em unidade com os funcionários para garantir isonomia também para os estudantes com mais orçamento para permanência, bandejões, garantia da autonomia dos nossos espaços, garantindo nenhuma retaliação aos grevistas pela reitoria!

 

Queremos isonomia também para es estudantes!

Um dos aspectos importantes para que nossa greve triunfe, é ter bem nítido quais são as nossas pautas prioritárias para unificar nosso movimento: para que es estudantes se apropriem ativa e conscientemente da greve! É evidente que não devemos deixar as pautas específicas das unidades de lado, já que elas se fortalecem com a força do movimento mais amplo de greve.  O exemplo da greve de 2023 nos mostra que pressionar a reitoria com uma extensa lista de reivindicações pulveriza nossa força e dá munição para que a reitoria estenda as negociações apostando no cansaço do movimento. Para a Juventude Já Basta! nossa luta precisa ter como centro:

 

  • Isonomia e permanência para geral! Pelo acréscimo de R$238,4 milhões no orçamento do PAPFE! Por bolsas de um salário mínimo paulista (R$ 1804,00), parciais de R$1000 reais e por moradia no CRUSP para toda demanda! 

 

  • Tirem as mãos dos nossos espaços! Pela garantia da autonomia dos espaços com gestão exclusiva des estudantes!

 

  • Fim das terceirizações nos bandejões! Efetivação des funcionáries sem necessidade de concurso público! Catraca livre nos circulares!

 

  • Nenhuma punição aos grevistas! Que as faltas durante o período de greve não sejam computadas e que o calendário seja readequado ao fim do processo! 

 

Nossa luta precisa da força das bases para vencer!

Para conquistar as demandas mais urgentes des estudantes, é preciso apostar nos métodos históricos do movimento estudantil e da luta de classes: a democracia de base – isso não se faz sem assembleias gerais. Hoje, porém, vemos o contrário: uma condução concentrada na cúpula do DCE, que esvazia os processos e limita a participação, a prova disso é a realização de apenas uma assembleia em duas semanas de greve.

A greve dos trabalhadores apontou outro caminho. Após anos sem grandes mobilizações, a categoria construiu um movimento forte e democrático, com reuniões diárias nas unidades, comandos de greve ativos e assembleias frequentes, sempre conectadas às bases. Essa experiência reafirma que uma greve só se sustenta com participação ampla e organização permanente.

O movimento estudantil precisa resgatar a sua tradição de democracia de base através das assembleias gerais, pois essa é a única forma de representar concretamente es estudantes e criar as condições para o necessário fortalecimento da luta. Essa foi a lição dada pelos trabalhadores que acabam de sair cum uma grande vitória politica. 

Quando os estudantes fazem valer a sua vontade, o movimento cresce, se fortalece e toma as iniciativas necessárias para impor vitórias sobre a reitoria. Quando, pelo contrário, a burocracia impõe o cupulismo, movimentos fortes que podem arrancar vitórias se enfraquece e são derrotados. Assim, uma das batalhas centrais dessa greve é impor a democracia de base que se concretiza nas assembleias gerais. Estamos em um momento decisivo, precisamos de uma greve forte, com assembleias gerais e de curso frequentes, comandos abertos e espaços reais de decisão coletiva!