REBEKA DIAS

O modelo de governança que João Dória adotou, de discurso liberal, porém, governo autoritário, no estado de São Paulo, vem sendo mantido a risca na secretaria da Educação por seu secretário, Rossieli Soares, com a publicação da Resolução SEDUC 59, publicada em 07/07/2021. Esta é uma ‘paulada’ na comunidade escolar, nas professoras e professores, na chamada gestão escolar, funcionários e funcionárias, mas, acima de tudo, em toda a sociedade.

Recrutando todos os professores e professoras já vacinadas e imunizadas, a Resolução SEDUC 59 dá a impressão de que teremos segurança no retorno de aulas presenciais. E tem até um detalhe nesse chamamento que precisa ser analisado com olhar de lupa. Na convocação, está o chamamento de professores e professoras que, por vontade própria não se vacinaram, mas que terão que retornar mesmo assim.

Isso mesmo! Se tomaram ou não, terão que retornar! Posto não existir uma lei que obrigue a vacinação, o governo Dória resolveu ‘punir’ toda a comunidade pelo negacionismo de alguns. Ato irracional para quem quer o retorno das aulas com segurança e medidas protocolares.

Mas a maldade e o autoritarismo não para por aí. Serão nossos jovens e crianças as cobaias do retorno sem vacina. Sem nenhuma alegação que se aceite, além da total irresponsabilidade de seu governo; retornar a juventude, que são em sua maioria filhos e filhas de trabalhares e trabalhadoras, dos mais explorados da sociedade, é a continuação do genocídio. Genocídio este que já levou das famílias de todo o Brasil mais de 530 mil pessoas.

A Resolução SEDUC 59 está priorizando o quê? Com olhar afiado, percebemos que o governo quer manter o estado de calamidade as custas das vidas de nossa juventude.

Sim!! Pensemos, nenhuma escola foi reformada e adaptada para um novo padrão que evite aglomeração, que ofereça melhores condições de higiene local, ventilação e uma série de medidas que tornassem o ambiente adequado ao retorno. Nada foi feito e as escolas permanecem como estavam antes da pandemia.

Isso é inaceitável!

Infelizmente, o governador João Dória já mostrou seu autoritarismo em outras medidas de seu governo, mas o retorno às aulas, sem vacinação da juventude, sem condições sanitárias e sem melhorias na infraestrutura das escola é um amargo desgosto que não devemos aceitar. Jamais colocar nossos jovens em perigo! Jamais aceitar o negacionismo como método punitivo à comunidade!

Nós, da corrente Socialismo ou Barbárie-Campinas e Professores em Movimento, repudiamos tais medidas que gerarão mais mortes e a continuação do genocídio, principalmente dos mais necessitados ou incapazes de se proteger. Somos conscientes de que a pandemia só terá fim com vacinação em massa e sua aceleração e consecução cabem aos governos, federal e estadual.