Enorme 6º Acampamento Internacional da  Juventude Anticapitalista Já Basta!

Preparação teórica, política e prática para intervir em um mundo em combustão

 

por Já Basta! – Juventude Anticapitalista

 

Em Lujan, cidade na Argentina localizada na província de Buenos Aires, teve início no dia 14 de fevereiro o 6º Acampamento Anticapitalista Internacional do ¡Ya Basta!, juventude vinculada ao partido Nuevo MAS e à corrente internacional Socialismo ou Barbárie. O encontro, que durou 4 dias e ocorreu até 17 de fevereiro, reuniu centenas de jovens estudantes e trabalhadores de diferentes regiões da Argentina, além de delegações da França, Brasil, Estados Unidos, Costa Rica e Alemanha.

O acampamento combinou debates políticos, atividades culturais e espaços de formação e organização militante, consolidando-se como um importante ponto de encontro para uma nova geração que busca se organizar contra o capitalismo e fortalecer a solidariedade às lutas em curso ao redor do mundo. Realizado em um contexto de avanço da extrema-direita no cenário internacional, o evento destacou, segundo seus organizadores, que “uma nova geração estava se rebelando contra a ultradireita e o capitalismo”, fazendo referência às mobilizações nos Estados Unidos contra a repressão migratória e às campanhas internacionais de solidariedade ao povo palestino.

 

Debate internacional marcou o primeiro dia

A primeira mesa do evento, intitulada “Internacionalismo e anticapitalismo no século XXI”, reuniu representantes de quatro países para analisar o cenário político global, destacando a importância do internacionalismo militante para a organização de uma alternativa anticapitalista ao cenário de perigos e possibilidades instalado hoje.

Pelo Brasil, Pedro Cintra, dirigente do Já Basta! e estudante de letras Universidade de São Paulo, abordou o enfrentamento ao bolsonarismo e criticou a política de conciliação de classes do governo Lula. Também destacou a luta dos entregadores por aplicativo como um dos mais dinâmicos setores da luta de classes no Brasil e a nível internacional.

Da Costa Rica, Deby Calderón, dirigente do Nuevo Partido Socialista (NPS), analisou o fortalecimento da influência norte-americana no Caribe e comentou o impacto das eleições recentes no país.

A dirigente estudantil Violeta Alonso, da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, tratou das contradições do cenário argentino e criticou o projeto do presidente Javier Milei, especialmente em relação às reformas trabalhistas e ao ajuste fiscal.

Também participaram Santiago Follet, da Socialisme ou Barbarie (França), e Víctor Artavia, da Corrente Internacional Socialismo ou Barbárie, que discutiram a conjuntura europeia, a ofensiva neocolonial dos Estados Unidos e os desafios da reorganização da esquerda revolucionária.

 

ICE, Trump e a centralidade da luta nos EUA no segundo dia

No domingo (16), ocorreu a principal atividade do acampamento: a mesa “ICE, Trump e uma rebelião que pode mudar a História”.

Entre os convidados esteve Martín Manteca, dirigente sindical do SEIU 721 e fundador do California Gig Workers Union. Ele relatou experiências de organização de trabalhadores migrantes e protestos contra o ICE nos Estados Unidos, destacando o endurecimento das políticas anti-imigração de Donald Trump.

Durante a mesa, Roberto Sáenz, dirigente internacional da corrente Socialismo ou Barbárie e autor do livro “Marxismo e a transição socialista”, afirmou que o mundo atravessava uma nova etapa política marcada pelo retorno de Trump ao poder e avaliou que os Estados Unidos ocupavam posição central na dinâmica da luta de classes internacional.

Já Manuela Castañeira, dirigente nacional do Nuevo MAS, concentrou sua intervenção na conjuntura argentina. Segundo ela, o governo Milei buscava “desmontar o direito do trabalho” ao alterar a legislação trabalhista e reduzir garantias históricas como o direito a férias, banco de horas e aumentando a jornada de trabalho para doze horas diárias, uma verdadeira contrarrevolução trabalhista. A classe trabalhadora e a juventude argentina se organizam para barrar pelas ruas esse ataque duríssimo do governo de extrema direita de Javier Milei.

Também participaram Renato Assad, da SoB Brasil e membro fundador da Organização Nacional de Trabalhadores sobre Duas Rodas (ONTDR), e Juan Pablo Pardo, organizador do Congresso Internacional de Trabalhadores por Plataformas, que discutiram as transformações no mundo do trabalho e a organização de entregadores por aplicativo na América Latina.

 

Terceiro dia: Mulheres, Juventude e organização estudantil!

No terceiro dia, o acampamento realizou uma comissão da Las Rojas, que foi convocado como parte da preparação para o 39º Encuentro Plurinacional de Mujeres y Diversidades, que ocorrerá em Córdoba, com o objetivo de organizar uma resposta política aos ataques do governo de Javier Milei e da extrema-direita aos direitos conquistados pelo movimento feminista e LGBTQIAP+.

A plenária reuniu relatos e intervenções políticas de pessoas de diversas partes da Argentina e do mundo sobre a luta das mulheres e da população LGBTQIAP+ pontuando necessidade de enfrentar os discursos de ódio e defender conquistas históricas como o direito ao aborto e a Lei de Identidade de Gênero na argentina, reafirmando que esses direitos “não se tocam”! 

O plenário buscou, assim, fortalecer a articulação nacional para que o encontro em Córdoba se transforme em um espaço de mobilização massiva em defesa das mulheres e das diversidades.

Após a comissão da Las Rojas, se deu início a plenária da juventude JáBasta! Um espaço de debate sobre a construção de uma juventude anticapitalista de massas.

Dezenas de estudantes da Argentina e do mundo contaram sua experiência nas lutas e organismos que impulsionam, colocando a importância da construção de uma organização consequente, militante e ativa na luta contra todo tipo de opressão e exploração e na necessidade de construir um mundo novo!

O 6º Acampamento Anticapitalista Internacional encerrou no dia 17 de fevereiro, após a oficina de construção, em que os companheiros Mati e Violi da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA, local de muita tradição de luta do movimento estudantil e consolidação de uma juventude combativa e anticapitalista, contaram sobre suas experiências. Depois de quatro intensos dias de debates, oficinas, festas e atividades de formação voltadas à organização da juventude e dos trabalhadores frente à extrema direita, a conciliação de classes e às transformações do cenário político internacional.

O evento terminou na semana anterior ao início das aulas de uma das maiores universidades da América Latina, a USP, em que milhares de estudantes trabalhadores ingressam na universidade e se deparam com um novo mundo de estudos, conhecimento e de possibilidades de organização política frente a um mundo em chamas. 

No Brasil, a luta dos povos indígenas do Baixo Tapajós, que ocuparam o porto da Cargill em Santarém e bloquearam acessos estratégicos contra a privatização dos rios amazônicos, coloca no centro do debate o caráter do Decreto nº 12.600/2025, que insere trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização e aprofunda um projeto neoextrativista de devastação do meio ambiente e das comunidades indígenas da Amazônia. 

Diante desse cenário de polarização, ataques socioambientais e conciliação de classes que preserva os interesses do grande capital, coloca-se para a juventude e para a classe trabalhadora a tarefa de apoiar ativamente a resistência indígena e exigir a revogação completa do Decreto 12.600, defendendo outro projeto de país, baseado nos direitos territoriais, na justiça socioambiental e na superação do modelo dependente e extrativista capitalista! Aliado a isso é necessário se organizar pelo fim do PLP 152, que institucionaliza a escravidão moderna, pelo fim da escala 6×1 sem redução salarial, por 30 horas semanais. Também é preciso lutar contra o PL da dosimetria e anistia aos golpistas, e na USP, por cotas trans e PCD já! Rumo ao fim do vestibular e por auxílios permanência de um salário mínimo paulista (R$1804,00) para toda demanda.

A classe trabalhadora é uma e sem fronteiras! 

Diante do avanço reacionário em um mundo em combustão, é preciso construir o anticapitalismo para transformar tudo!