Unificar as lutas rumo a uma greve estadual da educação e dos serviços públicos 

 

Nos últimos meses, borbulha um caldo de luta de diversas categorias, que a partir da ocupação que ocorreu na USP, começaram um processo de radicalização e generalização do movimento de greve, desde os estudantes, até os metroviários;  a luta se unifica e se intensifica, podendo levar a uma greve nacional em defesa da educação e dos serviços públicos.

 

Por Juventude Anticapitalista Já Basta!

 

Há épocas em que a tendência revolucionária é reduzida a uma pequena minoria no movimento operário. Mas essas épocas não requerem arranjos entre pequenos grupos para esconder mutuamente seus pecados uns dos outros; exigem, ao contrário, uma luta duplamente implacável por uma perspectiva correta e uma formação de quadros no espírito do marxismo autêntico. Apenas assim a vitória é possível.

Leon Trotsky, 14 de outubro de 1929. 

 

Brasil em ebulição

O ano de 2026 carrega, para a política institucional e para a luta de classes, diversos perigos, mas também muitas possibilidades. Diante de um mundo em chamas, com um cenário de crise climática, guerras, o ascenso da extrema-direita e disputas interimperialistas, o Brasil atravessa um momento igualmente de profunda turbulência, marcado por uma ofensiva ultrarreacionária da direita e do centrão, que avança sobre os três poderes e por um governo federal de contrarreformas e ataques neoliberais. 

Trata-se de uma conjuntura de claros-escuros: por um lado, a extrema direita golpista cresce no Congresso, derruba o veto da dosimetria, rejeita as indicações ao STF e, na corrida eleitoral para outubro, Flávio Bolsonaro se apresenta como candidato empatado com Lula.  Mas, em que pese a contra-ofensiva da extrema direita, o escândalo do banco Master começa a atingir mais diretamente o bolsonarismo – existem fios desencapados para todo o lado – e um novo reequilíbrio pode ser colocado sem que a calcificação político – eleitoral seja alterada.

Nas ruas, por outro lado, o movimento originário, o sindicalismo tradicional, a nova classe trabalhadora e a juventude em um processo de vanguarda de massas – apesar de não mover ainda setores mais amplos – se organizam de forma independente e radicalizada; o que faz rompendo com a letargia imposta pelo imobilismo da esquerda da ordem e suas centrais sindicais, impõe derrotas ao governo e à extrema direita, mesmo que ainda sem mudar a correlação de forças como um todo. Mas, o que está posto, é uma conjuntura que até agora não está marcada apenas pelos fenômenos superestruturais.

É nesse cenário de crise e polarização da política institucional e ascenso da luta de classes de setores amplos de vanguarda que as mobilizações estudantis nas universidades estaduais paulistas – USP, Unesp e Unicamp – ganham centralidade. Ao lado de greves de servidores técnico-administrativos, da greve dos servidores da educação da rede municipal de São Paulo, e de lutas históricas como a dos entregadores por aplicativo e dos povos indígenas contra a privatização de rios, a luta pela educação pública paulista ganha uma força que não se via há anos no estado. Não por acaso, a resposta do governo Tarcísio de Freitas e do reitor da USP, Aluísio Segurado tem sido a negação do diálogo, violência institucional e a criminalização da organização estudantil, com episódios repressivos que escancaram o caráter autoritário da gestão ultrarreacionária e do governo de extrema direita do estado.

Apresentamos aqui um resgate das últimas semanas de greve a partir da militância da Juventude Já Basta! Na Universidade de São Paulo, buscamos impulsionar o avanço da luta com políticas que buscam romper com a profunda desigualdade entre vanguarda e retaguarda. Neste sentido, além de lutar pelo resgate das tradições de democracia e auto-organização, defendemos a unidade dos setores em luta não apenas pautas específicas uspianas, mas de toda a educação pública e dos setores que defendem a democracia. 

 

Aluísio Segurado, Tarcísio e a precarização da Universidade pública

Aluísio Segurado, empossado como atual reitor da USP no início de 2026, se graduou em medicina na FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) no início dos anos 80. Esta época marcou um borbulhante cenário de lutas estudantis e sociais pela democracia, que exigiam o fim da ditadura empresarial-militar brasileira e Diretas já. No entanto, Segurado não era próximo da política estudantil em seu tempo. Após a graduação, tecnicamente, ele construiu uma carreira científica notável, tendo trabalhado no campo da prevenção e tratamento da AIDS. No entanto, politicamente, na conservadora e renomada “Casa de Arnaldo”, foi subindo a carreira acadêmica, se aprofundando na endogenia típica uspiana e acumulando cargos da gestão universitária. Segurado foi eleito reitor pelo elitizado grupo de professores titulares da universidade e, posteriormente, referendado pelo governador de extrema direita Tarcísio de Freitas. Este governo tem o objetivo claro de acabar com os serviços públicos de qualidade e pressionar para a privatização das universidades paulistas. Escolheu assim, Segurado como representante de seu projeto dentro da universidade.

O caráter social da maior universidade da América Latina mudou muito desde que o atual reitor se formou. A Universidade que antes servia como um clube exclusivo dos filhos da elite paulistana, com a força do movimento estudantil, de trabalhadores e do movimento negro, conquistou as cotas étnico-raciais. Esta foi uma vitória grandiosa de reparação histórica e inclusão social, buscando ampliar o acesso de grupos historicamente marginalizados à educação, ao mercado de trabalho e a outros espaços de poder. No entanto, para a juventude negra, periférica e trabalhadora, ingressar se torna apenas o primeiro passo dos grandes desafios que a USP impõe para a manutenção da vida e dos estudos. Ao mesmo tempo em que a reitoria de Aluísio Segurado acumula um gigantesco caixa de mais de R$10 bilhões, as condições de estudo, permanência e trabalho na USP pioram a cada dia:  Bolsas de valor e número insuficientes para os alunos egressos de escola pública (hoje o valor do auxílio permanência é de apenas R$ 885,00 mensais, ou o parcial de R$ 335,00 para alunos moradores do CRUSP), incompatíveis quando se trata  de um custo de vida da cidade de São Paulo, principalmente nos arredores da cidade universitária. Este valor é mínimo para cobrir despesas básicas e com ele, mal se consegue consegue pagar aluguel, contas e alimentação, além de materiais de estudo, lazer, os quais são elementos centrais para um bom desenvolvimento acadêmico e social. 

O principal eixo da greve dos estudantes na USP, e que se reflete nas demais universidades, é o aumento das bolsas para um valor digno para entrar e permanecer. De acordo com o levantamento realizado pelo Grupo de Trabalho (GT) Verbas da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), para aumentar o PAPFE (auxilío permanência) para o valor de um salário mínimo paulista, o impacto financeiro para os cofres da USP seria equivalente a 3,5% do orçamento total da instituição em 2026. De acordo com as projeções do GT, a medida representaria um custo anual de R$ 306,8 milhões. O aumento no valor representaria 1,9% do orçamento de 2026, percentual que, segundo a análise do GT Verbas, não comprometeria a saúde financeira da instituição nem abalaria suas principais fontes de receita. A conclusão do estudo é de que a proposta dos estudantes é plenamente viável na realidade orçamentária da USP, e evidencia o projeto privatista e excludente da reitoria, a qual fez uma proposta provocatória e irrisória de um aumento de apenas R$27,00 para o auxílio.

Para além das bolsas, a moradia da USP apresenta problemas estruturais crônicos como falta de água, estrutura elétrica precária, falta de elevadores e mofo nas paredes. O ápice da precarização se materializou no próprio sustento dos estudantes: o prato de comida. Este ano, em diversos bandejões de empresas terceirizadas, começaram a aparecer vermes, mofo, pedaços de vidro, pedras, entre outros objetos indigestos, que causaram sérios problemas de saúde para os estudantes . 

Tudo isso resulta em uma taxa de evasão considerável, principalmente nos dois primeiros semestres e nos alunos ingressantes na modalidade PPI (Pretos, Pardos e Indígenas), 23,9% evadem em comparação com os ingressantes por AC (ampla concorrência) que têm evasão de 15%

As pressões de sucateamento e privatização que afetam a permanência dos estudantes na universidade também estão presentes em todos os trabalhadores, mas principalmente aqueles não docentes e o crescente contingente de trabalhadores terceirizados na universidade pública. Os funcionários apresentam um déficit histórico de salário, sem reajuste real desde maio de 2012, e uma Campanha Salarial para recompor as perdas inflacionárias reivindica reajuste de 14,16%. 

Como também, as trabalhadoras terceirizadas da Universidade de São Paulo, categoria formada por maioria de mulheres negras e periféricas, enfrentam condições de trabalho da escravidão moderna: baixos salários, jornadas exaustivas e falta de estabilidade empregatícia. Muitas atuam em serviços de limpeza, alimentação e manutenção, exercendo funções essenciais para o funcionamento da universidade. Essas trabalhadoras convivem com insegurança diante de atrasos salariais, demissões ligadas à troca de empresas terceirizadas, assédio e dificuldades para acessar a universidade, como negação da gratuidade dos ônibus que circulam na universidade. Enfrentam inclusive riscos de morte, como já aconteceu em diversas ocasiões com trabalhadoras e trabalhadores na própria USP, a qual nunca alegou que estas violências deviam ser condenadas.

 

Greve estudantil na USP e luta nas estaduais paulistas

Esse cenário efervescente de descontentamento nos diversos campi da USP explodiu em abril, quando o reitor, em seu terceiro mês de mandato, apresentou um projeto de bonificação de R$ 4.500,00 por mês por dois anos para o corpo docente, quebrando a isonomia entre funcionários e professores. Os trabalhadores da USP, vindo de um cenário de crescente precarização e déficit salarial, ingressaram em uma forte greve, arrancando vitórias, ainda que parciais, como a intenção pela reitoria de instituir um programa de gratificação aos servidores técnicos e administrativos, a ser paga mensalmente, pelo mesmo período em que for paga a gratificação aos docentes. Há muita desconfiança nas intenções da reitoria, por isso é necessário pressão para que a bonificação seja efetivamente paga aos trabalhadores. Para além disso, o movimento conquistou melhorias parciais, como a expansão da gratuidade do transporte pelo BUSP e levantou as pautas dos estudantes nas mesas de negociação. Fundamentalmente, o que o movimento representou foi uma enorme vitória política, com o Sintusp (Sindicato de trabalhadores da USP) dando exemplo de democracia de base e mobilização permanente, realizando uma greve massiva dentro da universidade que não ocorria há mais de 10 anos.  

Os estudantes, seguindo o exemplo de luta dos trabalhadores, ingressaram em uma greve da categoria, a princípio com pautas difusas dos cursos e uma direção do DCE (formada por Juntos/MES, Correnteza/UP, UJC/PCBR e Rebeldia/UJC) burocratizada, sem apostas nas instâncias de base da democracia estudantil. A greve se concentrava principalmente na reivindicação de um PAPFE (auxílio de permanência) de um salário mínimo paulista (R$ 1804,00) para toda a demanda, melhoria no CRUSP, nos bandejões e desprivatização, cotas trans, vestibular indígena e, por fim, a não punição dos grevistas – essa última retomada com centralidade a partir das ameaças da reitoria de reprovar e jubilar massivamente os estudantes, assim como ameaças de processos administrativos.

Mais de 130 cursos paralisaram e, junto aos trabalhadores ainda em greve, tomaram as ruas dentro e fora da universidade e de São Paulo, realizando grandes atos, reunindo milhares de estudantes. 

Apesar da adesão e força da greve estudantil, a reitoria se mostrou intransigente em relação às pautas do movimento. Segurado, a princípio, não compareceu à primeira reunião de negociação, que resultou em avanços parciais da luta, sem tratar do tema central: aumento real do PAPFE. Depois de ser pressionado pelos estudantes, a reitoria se reuniu novamente com os representantes do comando de greve, elevando o tom da intransigência e afirmando que o único aumento cedido seria de apenas R$27,00 para o PAPFE e R$5,00 para o auxílio parcial (destinado à aqueles que moram no CRUSP). Tal “concessão”, valor que não pagaria nem um salgado e uma bebida nas cantinas superfaturadas da universidade, foi um verdadeiro escárnio diante da situação de vulnerabilidade dos estudantes. Após esta segunda reunião, o reitor, de maneira unilateral, fechou qualquer canal de diálogo com o movimento grevista, apostando na desmobilização da greve.

Para aumentar a pressão sobre os estudantes, Aluísio requentou uma portaria que ele mesmo elaborou quando estava no setor da PRG (Pró-reitoria de Graduação) durante a greve de 2023. O documento coloca que a presença nas aulas seriam contabilizadas durante o período de greve, ainda que não sendo efetivamente ministradas, e que não haveria nenhum tipo de readequamento do calendário que considerasse os dias paralisados. Se concretizada, essa medida representaria uma catástrofe para a universidade como um todo: uma geração inteira de milhares de ingressantes seriam expulsos automaticamente por falta, além da perda de bolsas de pesquisa e intercâmbio dos discentes que permanecerem. A universidade que mais se vangloria por sua excelência e internacionalização aplicaria um golpe sobre si mesma, minando sua capacidade de produção de ciência e conhecimento. Este seria uma medida contra o movimento estudantil, que, somado à tentativa de promoção de uma minuta que limitava os espaços de organização e de socialização do movimento estudantil, revela cada vez mais o caráter reacionário e autoritário da gestão de Segurado, que se assemelha com os ataques feitos durante a ditadura militar: fechar centros acadêmicos e minar os espaços dos estudantes.

Apesar da intransigência da reitoria, a força do movimento uspiano angariou apoio e incentivou outros setores, como as universidades estaduais paulistas, que também sofrem com problemas muito semelhantes aos da USP e vivem sob o jugo do governador de extrema direita Tarcísio de Freitas. As adesões nas duas universidades ocorreram de forma capilar, por meio de assembleias em cada curso ou campus. A mobilização na Universidade Estadual Paulista (UNESP) se espalhou por seus diversos campi no interior do estado. Os cursos em greve abrangem mais de 40 localizados em 6 campi pelo interior. O Instituto de Artes, na capital, chegou a ser ocupado pelos alunos após a morte de uma professora enquanto ministrava aulas. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o movimento também ganhou força rapidamente, com uma particularidade: a adesão foi tanto de estudantes, quanto de servidores técnico-administrativos e agora, com início em 18/05, com docentes também totalmente paralisados.

 

Uma ocupação no coração da reitoria

Após a reitoria se negar a dialogar com os estudantes, fechando arbitrariamente as mesas de negociação, mesmo os estudantes não aceitando as propostas, foi realizada uma assembleia na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) para discutir os próximos passos da greve. No momento em que se encontrava o movimento de greve, alguns cursos já estavam discutindo a continuidade da greve ou a saída dela, com campi do interior saindo da greve. Isso se deu por uma política do DCE (diretório central dos estudantes) que não abria espaços de totalização, como assembleias gerais para se discutir a greve e sua continuidade, diluindo o movimento em um federalismo que enfraquecia o movimento. A tradição do movimento operário-estudantil aposta – acertadamente – nas organizações de base, na livre discussão e decisões com as bases. O SINTUSP havia dado o norte da luta, o qual levamos e reiteramos em cada uma das assembleias da importância da democratização do movimento grevista e que fossem feitas assembleias que totalizaram o movimento.

Nesta assembleia, o centro da discussão foi como retomar as negociações e fortalecer o movimento de greve. Como proposta, o DCE havia proposto um piquete nos portões da reitoria desde as 5h da manhã, para garantir que nenhum trabalhador adentrasse o prédio para fazer pressão no reitor a reabrir as mesas de negociação. O porém era que, para os companheiros do DCE, a proposta era um ato simbólico, que teria horário de início e fim – por volta das 11h da manhã – o que não teria efeito algum. Nossa proposta era que naquele momento, era necessário acampar na frente da reitoria e seguir mobilizados até a reitoria recuar e reabrir a mesa de negociação ou seguir para uma ação mais contundente. 

Era necessário radicalizar o movimento que vinha sendo dirigido de forma burocrática sem que as bases participassem ativamente do processo, inclusive, com uma confusão e indefinição a respeito das pautas centrais – algo parecido com o que ocorreu na greve de 2023. Por isso, nossa proposta de radicalizar o movimento e da aposta em assembleias gerais e na unificação com os setores em luta, pois, sem uma ação consequente que radicalizasse o movimento grevista, esta seguiria a tendência de se enfraquecer e federalizar cada vez mais a greve que começou de forma unificada e com atos dentro da USP com milhares de estudantes.

Após se esgotarem todos os canais institucionais de diálogo com o reitor, os estudantes realizaram uma ocupação histórica do novo prédio da reitoria: um edifício blindado, com duas portarias e construído como uma ilha da cúpula burocrática da universidade, até então intocada. Um verdadeiro bunker do reacionarismo burocrático da USP. 

Por três dias, se encheu de vida e cultura o outrora cinza edifício da gestão, com uma agenda intensa de atividades culturais como rodas de samba, shows, aulões com professores, oficinas de Rap, alongamento e boxe, além das atividades do movimento como plenárias e assembleias. A ocupação totalmente autogestionada, com equipes de limpeza e cultura, protestava pacificamente pela reabertura do diálogo com a reitoria, que, por sua vez, cortou a luz, a água e fechou os acessos de carro à rua do prédio com policiais militares.

A ocupação dos estudantes teve um fim violento e ilegítimo. Em um golpe contra o movimento estudantil, no qual buscava-se sobressair e desmobilizar os estudantes em luta, Aluísio Segurado e Tarcísio enviaram a polícia para destruir a ocupação dos estudantes, realizando uma ação de brutal violência, digna dos tempos de ditadura. Cerca de 30 policiais militares, armados com cassetetes, bombas, gás lacrimogêneo e luzes estroboscópicas, agrediram cerca de 70 estudantes às 4h da manhã no domingo do dias mães (10/05), inclusive encurralando os ocupantes em um “corredor polonês”. O ato foi totalmente desmedido: quatro estudantes presos, ossos fraturados, itens apreendidos e uma estudante hospitalizada.

Essa mesma ação gerou comoção e apoio de setores que estavam contrários ao fato da ocupação. Diversos departamentos, institutos, membros da sociedade civil e deputados se colocaram ao lado dos estudantes e de suas pautas. Esse movimento, inclusive, fez pressão à reitoria. Exemplos disso foram cartas dos departamentos da FFLCH e da FEUSP que condenaram a ação brutal da PM e exigiam da reitoria uma posição e a retomada das mesas de negociação com os estudantes. É importante destacar que, embora Aluísio tenha afirmado desconhecer os planos da invasão policial, versão cuja veracidade é questionável, ele atua como representante direto do governo de Tarcísio de Freitas e de seu projeto político. Esse projeto não apenas respaldou a ação policial, como também reforçou a repressão em todos os demais atos envolvendo os estudantes, evidenciando um objetivo político claro: restringir as liberdades democráticas, impedir a livre manifestação e deslegitimar as reivindicações dos setores em luta. 

Essa comoção e solidariedade só reforçou nossa posição da necessidade da unificação das lutas entre as universidades estaduais e entre todos os setores em luta, pois a greve na USP começou a se expandir e inspirar outras lutas, como as mobilizações na UNESP e na UNICAMP.

A desocupação foi uma ação que certamente deixou marcas físicas e psicológicas em todo o corpo estudantil. No entanto, se o plano inicial da gestão era que os estudantes ficassem com medo, de que se desmoralizassem ou que fossem acometidos de uma apatia, o resultado se mostrou outro. Essa ação fortaleceu a greve, não só na USP mas a nível estadual e entre outros setores em luta pela educação e contra os ataques de Tarcísio aos serviços públicos e às liberdades democráticas.

Após o fato da madrugada do dia das mães, foram encaminhados diversos atos e movimentos ao longo da semana posterior, nos quais se juntaram múltiplos setores. O ato que ocorreu logo em seguida da desocupação, na segunda-feira (11 de maio) levou a ADUSP – sindicato dos professores da USP – a deflagrar uma paralisação no dia para se somar ao ato, assim como fez o SINTUSP. A mobilização juntou quase 3 mil pessoas, dentre elas trabalhadores, estudantes, professores e sociedade civil, na luta pela educação. Na mesma semana, houve outro ato, na quarta-feira (13 de maio), que também juntou em torno de 2 mil pessoas e teve um dia de mobilizações dos professores da rede municipal de São Paulo, que fizeram um informe para todos no qual afirmaram a continuidade de sua greve.

O que se observa é uma ebulição das lutas no estado de São Paulo, principalmente nos setores atrelados à educação pública. Em contrapartida, há também uma intensa repressão por parte da polícia que há tempos não se via, a datar das marchas “Fora Bolsonaro”. Desde a desocupação ilegal promovida por Tarcísio e assegurada por Aluísio, os demais atos estudantis contaram com operativo policial preparado para repressão, com bombas de gás lacrimogênio e policiamento intenso. Na manifestação da última segunda-feira (11/05), que saiu da reitoria da UNESP, onde ocorreria a reunião do CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo), posteriormente cancelada devido à mobilização, e seguiu até a Faculdade de Medicina, a tropa de choque tentou ingressar no interior da universidade, que não ocorreu devido à negativa da diretoria da Faculdade de Saúde Pública. A extrema direita sabe do poder da mobilização e busca reprimir, de todas as formas possíveis, a luta dos setores que defendem a educação pública, gratuita e de qualidade. 

Hoje, as diversas universidades estaduais e seus campi seguem mobilizadas e inclusive, deflagram e radicalizam suas greves, tomando como exemplo a luta estudantil da USP. 

 

Massificar a luta rumo à greve estadual da educação!

Neste momento, a greve uspiana não pode permanecer isolada dentro dos muros e pautada pela agenda da reitoria. É necessário ganhar a opinião popular e unificar-se com todos os setores que defendem a educação pública e a luta contra os ataques da extrema direita de Tarcísio no estado de São Paulo. Não é um fato isolado a precarização do ensino nas escolas estaduais, o desgaste salarial que os professores municipais estão vivenciando, ou a escassez e insuficiência de bolsas permanência na UNESP, UNICAMP e USP. Estes elementos fazem parte de um projeto, que visa entregar os setores públicos à iniciativa privada e ao conluio dos patrões.

O projeto da extrema direita no estado de São Paulo não se limita apenas à precarização e ao sucateamento da educação pública, mas a todos os serviços públicos. Ocorreu, nas últimas semanas, mais um exemplo perverso dos efeitos da privatização; uma área do Jaguaré (bairro popular da zona oeste de São Paulo) teve um vazamento de gás que resultando em uma explosão que matou trabalhadores e comprometeu quase um bairro inteiro por uma falha na manutenção da SABESP – privatizada no ano passado por Tarcísio e o prefeito Nunes.

Por isso, é necessário que o todos os setores construam, junto dos estudantes, uma grande marcha no dia 20/05, como também, um comando unificado de todos os setores em luta do estado de São Paulo, que estejam em completa consonância com as demandas de cada setor bem como a correlação de forças e condições de mobilização. Está posta uma conjuntura que se provará ao longo das próximas semanas como um teste de forças histórico, que possui perigos, mas a possibilidade de impor uma derrota à extrema direita paulista e generalizar as lutas pela educação a nível nacional.

Por isso, todos, estudantes, professores, trabalhadores, famílias e todos aqueles que lutam e acreditam na educação pública, gratuita e de qualidade, são chamados no  ato do dia 20 de maio. Também se faz necessário, para além do dia 20, a construção de um calendário unificado de lutas, construindo desde as bases uma greve geral da educação. Que a UNE, centrais sindicais como CUT, CSP-Conlutas e demais convoquem este dia e construam dias nacionais de luta pela educação. Além disso, é necessário que o governo federal se posicione em relação aos ataques de Tarcísio contra a educação e a favor das liberdades democráticas. Trata-se da construção de uma mobilização ampla e unitária de todos os setores em defesa da educação pública, gratuita, laica, de qualidade e da democracia, contra a extrema-direita e seu projeto obscurantista e privatista.

 

Rumo ao dia 20 de maio! Fora Aluísio Segurado e Tarcísio. Pela educação pública, gratuita e de qualidade!

 

Rumo a uma greve estadual pela educação pública! Derrotar Tarcísio e a extrema direita pelas ruas

 

Por um comando estadual de luta! Unificar as lutas e combater o projeto de sucateamento e privatização de Tarcísio

 

Fora PM da USP!

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