Por José Roberto Silva com a Redação
Como sabemos, a resposta efetiva sempre está e se dá na luta de classes. Evidentemente, essa resposta é mediada pela correlação de forças e pela luta real em determinado momento conjuntural, em que o capital, por suas diversas formas, impõe – ou não – derrotas e recuos aos trabalhadores e às trabalhadoras. No atual momento, porém, isso de forma alguma se dá de maneira linear, pois, como em vários âmbitos e escalas da vida, vivemos um momento de impasse.
A classe trabalhadora, os movimentos sociais e populares e a juventude universitária têm se manifestado e ido à luta em seus mais diversos setores, impondo recuos aos ataques do governo de conciliação de classes – Lula 3 – e à extrema direita bolsonarista. Essa resistência por baixo ocorre através dos instrumentos clássicos do movimento operário: desde a luta dos indígenas contra a instalação e privatização de hidrovias na Amazônia, ameaçando incendiar os barcos da Cargill; passando pelos entregadores por aplicativo, com a marcha da Organização Nacional dos Trabalhadores por Aplicativo sobre Duas Rodas (ONTDR) a Brasília, impondo a retirada do PLP 152/2026 da pauta; até, mais recentemente, a greve das três universidades paulistas, que unificou, em determinado momento, estudantes, professores e trabalhadores contra os desmandos das reitorias e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Agora, nesta conjuntura pré-eleitoral, mais uma vez marcada indelevelmente por uma polarização calcificada entre a esquerda da ordem e a extrema direita, outras lutas, ainda que com menos impacto do que as citadas anteriormente, estão em curso entre a classe trabalhadora e os setores oprimidos – como é o caso da forte greve dos motoristas do Rio de Janeiro. Em que pese a importância dessas lutas parciais, existe hoje uma pauta de mobilização que unifica toda a classe trabalhadora e todos os oprimidos no Brasil: a luta contra a escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho.
A PEC 8/2025, aprovada na Câmara dos Deputados por 461 votos favoráveis e 19 contrários, prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Essa mudança se daria por meio de uma transição gradual: após 60 dias da promulgação, a jornada cairia para 42 horas e já passariam a existir dois dias de descanso semanal; após mais 12 meses, entraria em vigor a jornada máxima de 40 horas semanais. Esse processo parcialmente vitorioso da classe trabalhadora só pode ser explicado pela existência de uma onda de mobilização de vanguarda por baixo na sociedade, como apontamos acima, e pelo fato de que, segundo pesquisa do Datafolha realizada em março deste ano, 71% da população é contrária à escala 6×1.
Porém, como essa conquista não foi fruto da luta direta dos trabalhadores, devido ao papel nefasto de desmobilização cumprido pela CUT, pelo PT, pelo PSOL, por Lula e por Boulos, abriu-se espaço para que a extrema direita chantagiasse e ameaçasse essa conquista através do projeto ultrarreacionário do senador Rogério Marinho, a PEC 12/2026. Segundo essa proposta, o trabalhador poderia “abrir mão” dos direitos da CLT em nome de um regime flexível de trabalho, no qual receberia apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. Férias, 13º salário e FGTS passariam a ser proporcionais à carga horária contratada. Além disso, a negociação individual entre empregado e empregador poderia prevalecer sobre acordos coletivos em diversos aspectos da jornada de trabalho.
Isso constitui um absurdo e um crime contra a classe trabalhadora como um todo, algo que só pode ser cogitado em razão do recuo sistemático – apesar das lutas esporádicas de vanguarda que apontamos acima – imposto pela esquerda da ordem à classe trabalhadora. Diante dessa ameaça, de forma tardia e insuficiente, a CUT e outras centrais sindicais estão convocando manifestações nacionais para o dia 30 de junho, exigindo que o projeto contra a escala 6×1 avance no Senado. Apesar da importância desse chamado, por se tratar de uma convocação tardia e débil em defesa de uma reivindicação central, as mobilizações do dia 30 não se constituírão em lutas de massas, paralisações nacionais e, muito menos, greves gerais.
Infelizmente, a central da qual fazemos parte, a CSP-Conlutas, também permaneceu limitada a uma postura de espera. Apenas diante do chamado de mobilização realizado pelas grandes centrais é que sua direção convocou uma Plenária Nacional, realizada na semana passada. Ou seja, desde a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, não houve qualquer chamado para organizar o conjunto das organizações políticas e sindicais que compõem a Central. Limitou-se ao lançamento de palavras de ordem e manifestações de apoio às atividades levadas adiante, de forma isolada, pelas bases, sem aproveitá-las para construir uma campanha ativa em defesa do avanço do fim da escala 6×1 no Senado.
De qualquer forma, no último dia 25 de junho, nossa central realizou uma plenária virtual reunindo os diversos organismos e lutadores que compõem a entidade. Nela, nós da corrente Socialismo ou Barbárie (SOB), juntamente com os demais participantes, aprovamos um conjunto de ações que tem como eixo central a convocação de um ato contra a escala 6×1, a ser realizado na Avenida Paulista, às 17 horas.
UNIFICAR TODAS AS LUTAS CONTRA A ESCALA 6X1
REDUÇÃO DA JORNADA PARA 30 HORAS SEMANAIS
PELA DERRUBADA DA PEC 12/2026










