A ligação de Flávio Bolsonaro com a milícia carioca sempre foi conhecida e comprovada: são discursos e condecorações, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, de diversos policiais militares que posteriormente foram alvos de investigações ou condenados por integrar milícias e grupos de extermínio, contratação da mãe e parentes de líderes do chamado “Escritório do Crime” e principalmente suas relações com o esquema que assassinou Marielle Franco.
Porém agora, na verdadeira extração do território nacional realizada pela aliança sulamericana e estadunidense da extrema direita, que incluem a aduana brasileira, Milei, Noboa, Marco Rúbio e Trump, coloca um novo elemento na já longa lista de ligações criminosas de Flávio: o narcotráfico.
No decorrer dos fatos posteriores ao “eu não vou fugir”, em resposta a ação de Alexandre de Moraes exigindo a entrega de todos os passaportes e o impedimento de sair do país, ele utilizou para a sua fuga um avião da Baires Fly pertencente a Luiz Grande que pilotou pessoalmente a aeronave que levou Milei aos Estados Unidos em novembro de 2023.
Além da relação direta de Grande com Milei, um seu sócio manteve negócios com Federico “Fred” Machado, investigado nos Estados Unidos por narcotráfico e crimes financeiros e que foi financiador de José Luis Espert, um dos principais aliados políticos do presidente argentino
O artigo abaixo, publicado em 2025 em Izquierda Web, esclarece toda essa relação espúria com o crime organizado que permitiu a fuga do rato que abandonou o barco quando naufragou graças às multitudinárias mobilizações de massa impulsionadas pela juventude.
A extrema direita brasileira foi derrotada eleitoral e politicamente nas urnas, mas ainda que recuada e sem seu líder, se rearticula: é preciso manter as ruas em chamas pela extradição, condenação e prisão do miliciano lesa pátria e jogar a extrema direita na lata de lixo da história.
Por José Roberto Silva
Espert: o candidato financiado pelo narcotráfico

Há alguns dias, voltou à tona o que já se sabia há cinco anos: a relação de José Luis Espert com o narcotraficante e fraudador Federico “Fred” Machado. Sabe-se que criminosos perigosos contribuíram diretamente para as campanhas eleitorais de Espert. Manuela Castañeira, candidata a deputada nacional pela província de Buenos Aires pelo Nuevo MAS, declarou que, por suas conexões com o narcotráfico, Espert não deve ser candidato.
Por Gastón Leiuqexe
Depois de anos, surgiram novidades sobre os vínculos de Espert com o narcotraficante. Segundo peritos contábeis do estado do Texas, em 1º de fevereiro de 2020, Espert recebeu uma transferência de 200 mil dólares proveniente de um fundo fiduciário que Machado compartilhava com Debora Lynn Mercer-Erwin, atualmente detida e condenada a 16 anos de prisão por narcotráfico, lavagem de dinheiro e fraude.
Mercer-Erwin é a proprietária do fundo fiduciário utilizado pelo narcotraficante para cometer fraudes por meio da venda de pequenas aeronaves. Uma das acusações de fraude contra ela diz respeito ao seguinte esquema: registrava uma aeronave nos Estados Unidos, vendia-a, mas nunca a entregava. A cidade de Onalaska tem cerca de 3 mil habitantes, e sua empresa tinha 1.042 pequenas aeronaves registradas ali. Basicamente, eram aeronaves que não existiam ou que estavam registradas várias vezes.
O negócio era muito rentável. Somente cidadãos norte-americanos podem registrar pequenas aeronaves com a letra N na matrícula — ou seja, ter uma matrícula norte-americana —, o que permite um controle menos rigoroso na entrada e na saída do país. Mas há uma exceção: um estrangeiro pode comprar uma pequena aeronave registrada por um fundo fiduciário do país com essa matrícula.
As complicações legais de Machado aumentaram quando essas pequenas aeronaves começaram a aparecer em regiões críticas do narcotráfico (México, Colômbia etc.), carregadas de cocaína com destino aos Estados Unidos.
Quem é “Fred” Machado
Federico “Fred” Machado é um argentino que se mudou para os Estados Unidos na década de 1990. Lá, fundou uma empresa de aviação, a “South Aviation”, por meio da qual começou o negócio fraudulento descrito anteriormente, avançando depois para o narcotráfico. Foi sócio do Cartel de Sinaloa na importação de cocaína para o território norte-americano.
Esse negócio começou a desmoronar quando foram descobertos 1.556 quilos de drogas em uma pequena aeronave no México e cerca de 2,5 toneladas em um jato na Guatemala. A partir de 2021, a Justiça norte-americana começou a persegui-lo, levando o empresário a fugir para o sul e voltar a viver temporariamente na Argentina.
Em 16 de abril daquele mesmo ano, ele foi capturado em Neuquén quando tentava embarcar em um voo e permanece em prisão domiciliar até hoje. Apesar de haver um pedido de extradição para os Estados Unidos e de um juiz de Neuquén já ter decidido favoravelmente a essa medida, agora cabe à Suprema Corte de Justiça — com seus longos prazos — definir seu futuro. Além disso, o próprio Milei pode impedir essa extradição.
No processo que tramita na Justiça do Texas, foram abertos os livros contábeis clandestinos da organização, mantidos por Mercer-Erwin, o que revelou toda a operação.
Isso nos leva à conexão com Espert. Nos livros contábeis, consta uma transferência datada de 1º de fevereiro de 2020, desse fundo fiduciário para um certo José Luis Espert, no valor de 200 mil dólares.
Mas o contato entre Espert e o narcotraficante não termina aí.
Do “cadeia ou bala” ao “silêncio é saúde”
Parece que o deputado do “Cadeia ou Bala”, que defende essa posição diante dos protestos sociais e de qualquer ocorrência relacionada à insegurança, esqueceu sua própria frase quando se viu diante daquele que é, em todos os sentidos, seu benfeitor: o empresário do narcotráfico.
O narcotraficante não apenas financiou o deputado, mas também lhe emprestou uma de suas pequenas aeronaves — com matrícula iniciada pela letra N — e uma caminhonete blindada.
Uma imagem emblemática desse caso é a famosa foto ao lado de Nazareno Etchepare, integrante de sua campanha presidencial daquele ano, com o avião de Machado ao fundo. Naquela ocasião, em 2019, o narcotraficante emprestou-lhe a aeronave para que viajasse a Viedma a fim de apresentar seu livro. A relação entre eles era muito mais do que casual.
“Ele me levou em seu avião, mas, se eu soubesse, não teria agradecido a ele aos quatro ventos”, disse Espert nos últimos dias, tentando minimizar o caso. Sobre a transferência, não disse nada. Além da “contribuição”, sabe-se que houve vários encontros com o empresário.
Mas há também o escândalo da caminhonete emprestada a Espert para sua campanha por Claudio Alberto Cicarelli, primo de Machado. Segundo Lilia Lemoine, enquanto ele dirigia o veículo em frente ao prédio do jornal Crónica, recebeu um disparo no para-brisa, e o episódio estaria diretamente relacionado ao mundo do narcotráfico.
Espert afirmou que o veículo havia sido atingido por uma pedrada e tentou manter tudo o mais silencioso possível. O que não está em discussão, e que explica por que o deputado tentou evitar que o assunto viesse à tona, é que a caminhonete estava registrada em nome de Cicarelli.
Tudo o que Espert fez na política tem a marca de “Fred” Machado. Ele se recusou a declarar seus rendimentos naquela eleição, motivo pelo qual foi punido pela Justiça Eleitoral. Também apresentou um crescimento patrimonial inexplicável após a campanha de 2019, incluindo a compra de um imóvel.
Mas o mais comprometedor é a confirmação de seus vínculos com o narcotráfico por parte de seus ex-aliados, que agora são seus atuais aliados. A denúncia de Lilia Lemoine é que Espert mantém vínculos com narcotraficantes há anos. Ela não deveria ser convocada para depor?
Espert exige mão pesada — “cadeia ou bala” — diante de qualquer delito ou manifestação pública. Um exemplo foi a luta dos trabalhadores da indústria de pneus em 2022, quando exigiu precisamente “cadeia ou bala” para os trabalhadores.
E quanto a “Fred” Machado? É claro que Espert tentou dizer o mínimo possível sobre sua relação com ele, dada a proximidade entre os dois. Mas também não defendeu o “Cadeia ou Bala” contra um empresário fraudador ligado diretamente ao narcotráfico — e à violência do narcotráfico.
Sua mão pesada é muito seletiva: para os setores populares e os trabalhadores, “cadeia ou bala”. Para os criminosos de alto escalão, inclusive os mais perigosos, não reserva nenhuma condenação.
Manuela Castañeira, candidata a deputada nacional pela província de Buenos Aires pelo Nuevo MAS, declarou que, por suas conexões com o narcotráfico, Espert não deve ser candidato.







