Por Gastón Leiuqexe
Criando pretextos, o sionismo perpetra uma nova escalada de crimes em Hebron, na Cisjordânia.
Como fica evidente em Hebron, não há cessar-fogo para o povo palestino enquanto continuar existindo o Estado criminoso de supremacia racial de Israel. Dois palestinos se defenderam de soldados de ocupação, matando dois deles, e o Estado sionista iniciou operações em massa de demolição e perseguição em Hebron. Mais de 3 mil palestinos foram deslocados nos últimos dias: suas casas foram destruídas pelas FDI (Forças de Defesa de Israel).
Deslocamentos forçados em Hebron
Na última sexta-feira, dia 23, começou a operação militar, usando como pretexto a morte de dois soldados israelenses na zona fronteiriça. As tropas vêm dando cobertura à violência dos colonos, que maltratam, matam e roubam os palestinos diariamente. São tropas de ocupação.
A região de Hebron é uma das províncias mais importantes da Cisjordânia, supostamente administrada pela Autoridade Nacional Palestina. É a terceira região palestina mais populosa, depois de Jerusalém e Gaza. Vinte por cento do território está ilegalmente nas mãos de colonos israelenses, protegidos pelos soldados da ocupação e da limpeza racial.

A justificativa para passar tratores sobre as casas palestinas é que seriam «infraestruturas construídas em violação da lei». Mas, supostamente, em Hebron vigora a lei da ANP, e não a de Israel. O sionismo se arroga o direito de declarar ilegais os próprios palestinos.
488 famílias dos bairros de Deir Bahha e Al Jalda são vítimas do êxodo forçado, entre elas 200 crianças com menos de 2 anos e 250 pessoas com mais de 60 anos. A isso se somam pelo menos 70 detenções arbitrárias e a demolição de quarteirões inteiros. Trata-se de um crime de guerra tipificado: todas as autoridades sionistas são criminosas de guerra.
Eleições em um país de apartheid
Isso ocorre em meio a eleições que colocam em dúvida a continuidade de Netanyahu, mas não a política de extermínio e deslocamento contra o povo palestino.
O próprio Netanyahu deixou muito claro o caráter agressivo do cerco militar à Cisjordânia, garantindo, apesar das eleições, “a continuidade das operações, assegurando que o Exército está se preparando para uma escala sem precedentes desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967”.
Como assinalamos na nota específica sobre as eleições, “enquanto pouco mais de 30% da população israelense vê Netanyahu com bons olhos, 97% não veem nenhum ‘problema moral’ na ideia de deslocar definitivamente a população palestina de Gaza e da Cisjordânia”.

Bandeiras israelenses penduradas em uma residência pertencente a moradores palestinos durante uma operação do Exército israelense em Hebron, na Cisjordânia ocupada. (24/10/2026). Imagem: Mahmoud Illean/AP Photo/picture alliance
O ministro fascista da Segurança, Ben Gvir, é um exemplo evidente da face mais genocida e assassina. Ele usa imagens que remetem ao culto nazista da morte como instrumento de marketing político, como a “proposta” de instalar forcas em locais públicos para que a população israelense assista, como se fosse um espetáculo, ao assassinato de prisioneiros palestinos. Do outro lado da divisão política sionista está o apartheid com modos mais refinados.
Gadi Eisenkot é quem pode derrotar Netanyahu. General reformado das forças coloniais, foi um dos idealizadores da «Doutrina Dahiya»: a resposta ao «terrorismo» é a destruição em massa da infraestrutura civil nos países vizinhos, para tornar impossível viver nesses lugares e permitir a limpeza racial de regiões como o sul do Líbano. Alguns meios de comunicação o classificam como “pragmático”, porque não têm coragem de chamá-lo de “moderado”, já que não existe nada disso nessa sociedade colonial.
Nenhum «direito internacional» impede a impunidade colonial e do apartheid sionista
Há denúncias de violações flagrantes de praticamente todos os artigos da Convenção de Genebra relativos às populações civis durante os conflitos. O que acontece em Hebron é corretamente classificado como «punição coletiva». Segundo as denúncias, o sionismo acaba de violar:
- O Artigo 33 da IV Convenção de Genebra de 1949, que proíbe terminantemente a punição coletiva ao estipular que nenhuma pessoa protegida pode ser punida por um delito que não tenha cometido pessoalmente, proibindo também medidas de intimidação, terror e atos de represália contra os bens dos civis.
- O Artigo 49 da IV Convenção de Genebra, que proíbe explicitamente os deslocamentos forçados, as evacuações em massa e as transferências de população de um território ocupado, exigindo que qualquer civil temporariamente evacuado por necessidades militares seja devolvido à sua residência assim que cessarem as hostilidades na região.
- O Artigo 53 da IV Convenção de Genebra, que proíbe a destruição de bens particulares, municipais ou estatais pela potência ocupante, a menos que essas demolições sejam absolutamente inevitáveis e imperiosas para a realização estrita de operações militares diretas, critério que não é atendido pela demolição em massa de quarteirões inteiros.
- Por fim, essas práticas violam os Artigos 46 e 55 do Regulamento da Convenção de Haia de 1907, que obrigam a potência ocupante a respeitar a propriedade privada, as leis do país, a vida familiar e os direitos básicos dos habitantes do território ocupado, proibindo categoricamente a destruição indiscriminada e a deterioração dos bens comunitários e particulares.
Israel não tem Constituição nem instituições civis básicas, como o casamento não religioso. O único «consenso» em torno da existência do Estado de Israel é a ideologia segundo a qual a população judaica é superior, merece matar e deslocar os palestinos e só pode sobreviver massacrando e escravizando todos os povos ao seu redor. A base do Estado de Israel, a ideologia sionista, é uma ideologia intrinsecamente genocida.







