Por Sthefany Zúñiga
Nesta semana, estudantes, professores e coletivos feministas voltaram às ruas do Chile para protestar contra o governo de extrema direita de Kast. Isso ocorre em um momento em que a desaprovação do mandatário chegou a 53%.
Na segunda-feira (01), Kast realizou seu primeiro discurso à nação, no qual defendeu sua proposta de realizar um corte de US$ 6 bilhões em 18 meses, o que implicaria um ajuste de 3% nos orçamentos de vários ministérios. Foi nesse cenário que se desenvolveu uma mobilização convocada por organizações de estudantes, professores e feministas.
Na quarta-feira, 3 de junho, ocorreu uma segunda jornada de luta, novamente liderada por estudantes do ensino médio e universitários, além de contar com a participação de professores. Estima-se que cerca de 15 mil pessoas participaram, mas a coluna conseguiu avançar apenas 700 metros, pois o governo de Kast montou uma brutal operação repressiva contra a mobilização.
Segundo a Confech, organização que convocou a marcha,
“não existe coerência neste governo, porque, enquanto insistem que há um suposto déficit fiscal e que, por isso, devem cortar os orçamentos dos ministérios, há poucos dias o Presidente assinou o endividamento do país e, ao mesmo tempo, busca reduzir os impostos para os grandes empresários”.
Os Carabineiros realizaram uma operação repressiva bastante intensa, que incluiu o uso de caminhões lança-água, gás lacrimogêneo e agressões físicas contra os participantes da manifestação. Cerca de 20 pessoas foram detidas e, inclusive, uma estudante de Direito sofreu fraturas no rosto.
Paralelamente, a partir do Palácio de La Moneda, o governo impulsiona a criação de um “Registro de Vândalos e Incivilidades” para retirar benefícios sociais estatais, como a gratuidade universitária e a Pensão Garantida Universal. Ou seja, pretende utilizar o acesso a direitos sociais como arma para tentar dissuadir as pessoas de participarem dos protestos. Uma medida antidemocrática e reacionária!
A situação no Chile ganhou dinamismo após o anúncio do Plano de Reconstrução Nacional e dos cortes nos ministérios, entre os quais se destacam os da Saúde e da Educação. Essa iniciativa constitui uma contrarreforma que impulsiona o ajuste fiscal e econômico, incluindo a eliminação da gratuidade universitária.
Ao que tudo indica, as medidas de ajuste brutal e os ataques antidemocráticos estão acendendo o estopim do descontentamento social. Em menos de três meses, o governo de Kast já acumula diversas manifestações lideradas pelo movimento estudantil e sinais de desgaste político (algo evidente na recente mudança de gabinete).
O Chile possui uma ampla tradição de luta da juventude nas últimas décadas, e foi esse setor que desencadeou a rebelião popular de 2019. Nesse sentido, Kast brinca com fogo ao querer atacar a educação pública e pode acabar despertando um gigante.









