Por JOSÉ ROBERTO SILVA
O 6º Congresso da CSP-Conlutas, realizado entre os dias 18 e 21 de abril, aconteceu sob o signo da falência política da direção majoritária (PSTU) e do fortalecimento quantitativo da oposição.
A direção majoritária exerce sistematicamente um hegemonismo autoritário sob as outras forças e movimentos, o que impede o verdadeiro debate entre as forças que permita construir uma síntese programática, organizativa e tática que possa tirar a Central do isolacionismo, do imobilismo e da decadência organizativa.
A linha dessa direção tem como consequência a redução para 913 delegados um evento sindical popular que já contou no 3º Congresso com 1.952 delegados e a redução de 432 entidades sindicais e oposições cotizantes para 148, o que além dos problemas políticos e organizativos, levou a um estado quase de colapso as finanças da CSP.
Mas, em que pese o desastre político e organizativo imposto pelo PSTU, o Congresso da Central teve dinamismo pelo crescimento da crítica e da oposição que em relação ao último Congresso passou de 25% para 33% de presença na Secretaria Executiva Nacional da Conlutas (SEN).
Uma direção com problema de dissociação política
De certa maneira o que se viu no 6º Congresso foi um repúdio geral à condução político-organizativa da maioria, que por sua leitura economicista, sectária e burocrática se ausenta como impulsionador, organizador e catalisador das grandes lutas travadas no país para derrotar o ultrarreacionarismo da extrema direita bolsonarista e do Centrão, os ataques do governo Lula, da luta contra a escala 6×1, da luta em defesa das reivindicações dos entregadores por APPs e das greves universitárias.
A visão objetivista-campista no terreno internacional e economicista-sectária no nacional no nacional em nada pode orientar os movimentos sindical, social e popular para a batalha concreta na luta de classes, ao contrário, se comportou como um divulgador/comentador das lutas diversas, sem perceber as características e profundidade da maioria delas. Assim o Bloco Classista, Operário e Popular, que é dirigido pelo PSTU, no Congresso apresentou contribuições gerais e resoluções específicas que no geral foram verdadeiros juramentos à bandeira, ou seja, além de princípios gerais não apresentaram qualquer orientação política concreta para as lutas em curso.
A sua linha é uma relação abstrata de análises e políticas, sem qualquer ligação com a nervura da realidade ou proposta concreta de plano de lutas ou unificação das mesmas, ou seja, o que vimos foi uma completa dissociação da realidade vinda da direção majoritária que não apontou para qualquer tarefa que não sejam as rotineiras da Central ou do movimento.
O PSTU não consegue enxergar além de seu umbigo, não entendeu e não se inseriu efetivamente nas mobilizações contra a extrema direita e dos setores que têm enorme potencial unificador, como é o caso da luta contra a jornada 6×1, da luta dos indígenas contra a privatização dos rios amazônicos e da luta dos entregadores por aplicativo em defesa de suas reivindicações e contra a nova reforma trabalhista que significa a PLP 152; mobilizações essas que enfrentaram com ações diretas e fizeram recuar efetivamente os capitalistas, a extrema direita e o governo Lula.
Acrescente-se que o chamado ao ato do 1º de Maio da CSP-Conlutas na Praça da República em São Paulo, em que pese que contou com a presença de representantes em greve e categorias mobilizadas, como trabalhadores da educação de São Paulo, funcionários e estudantes das universidades paulistas e entregadoredores por app, reproduziu todos os problemas acima apontados.
Diante de uma conjuntura contraditória – ofensiva golpista da extrema-direita, cumplicidade e ataques do governo de conciliação de classes por cima e do crescimento de lutas radicalizadas por baixo – e de um importante ato de vanguarda de fato que chegava a mil ativistas das lutas em curso, a direção majoritária da Central não foi capaz de apresentar qualquer proposta de unificação – plenária, reunião, mesa de debate, ou seja, qualquer proposta concreta – destes ativistas em luta que atuam como minoria para que possam ter mais força para enfrentar a extrema direita, governos, patrões e burocracias nos sindicatos.
Ou seja, a direção majoritária perde sistematicamente a chance de ser um fator real de direção, impulsionamento e organização da luta concreta. Antes, durante e depois do 6º Congresso assistimos um processo de mumificação política, de estagnação organizativa e de hegemonismo autoritário no interior da Central por responsabilidade de uma direção majoritária que vem se consolidando como uma burocracia de esquerda. Esse processo tem que ser revertido, pois apesar das maiores possibilidades de construção que vêm apresentando a luta de classes e a mobilização por baixo de velhos e novos setores dos explorados e oprimidos, essa linha está levando a Central a um beco sem saída.
Um oposição vitoriosa, mas que precisa avançar e se consolidar
As intervenções realizadas no Plenário e nos grupos temáticos no Congresso, inclusive da base do PSTU, demonstraram claramente o distanciamento da direção majoritária dos problemas reais da política, da classe e da mobilização concreta. Porém, devido ao método burocrático de opor uma resolução a outra para exercer o hegemonismo autoritário, não permitiu que propostas da oposição ou de setores independentes fossem incorporadas em nenhuma dimensão ou aspecto. Assim, todas as propostas de resoluções da minoria foram rejeitadas em processo de votação antidialética, praticamente sumária.
No entanto, o debate nos bastidores do Congresso com várias forças foi muito mais democrático, mediado e profícuo do que o permitido pela direção majoritária nos fóruns oficiais, pois foi possível abrir conversações que possibilitaram formassem um bloco de oposição dividido em três grupos: o bloco MRP/MRS/MFRS/OSL/POR – do qual nós do SoB e agrupamentos do MFSR fazem parte direta – que com a segunda maior votação (115 votos) alcançou 4 vagas na SEN; a UNIDOS PARA LUTAR 2 e o MRT 3, reduzindo o número de titulares do PSTU de 25 para 18, claramente, uma derrota difícil de digerir e que coloca mais pressão na crise interna do PSTU.
Em que pese as diversas diferenças políticas quanto à leitura da realidade e dos encaminhamentos para a unificação das lutas da classe trabalhadora e dos oprimidos, por visões economicistas, politicistas ou sectárias, principalmente quanto a incompreensão de que é necessário ter uma posição que concretize a independência de classe a partir da necessária construção de formas de unificação da luta através de Plenárias de Ativistas e da formação de uma Frente de Esquerda Revolucionária para as eleições de outubro, politicamente foi possível formar chapas a partir da necessidade de tirar a CSP do imobilismo imposto pela direção majoritária e dar passos para a formação futura de um forte Bloco de Oposição Democrática e de Luta.
Por uma CSP que seja um fator real na luta de classes
O caminho da burocratização completa da CSP pode ser revertido a tempo de recuperar o protagonismo da central nos espaços deixados pelo Lulo/Petismo e pela centrais burocráticas a partir da imprescindível chamada a uma PLENÁRIA DE ATIVISTAS INDEPENDENTES, neste mês de maio, que reúna categorias em luta, como entregadores, originários, trabalhadores da educação e estudantes em luta, bem como sindicatos combativos e oposições sindicais.
Esse fórum deve ter como objetivo a construção de um programa mínimo que unifique essas mobilizações e um plano de lutas que permita a vitória com atendimento imediato das reivindicações, a derrota do golpismo da extrema direita e os ataques do governo de conciliação de classes. Tudo isso não pode perder de vista a necessidade mais estratégica de unificação da esquerda socialista em uma Frente Política que seja uma alternativa ao liberalismo-social do lulismo (PT, PSOL e PCdoB) para setores cada vez mais amplos dos trabalhadores e oprimidos.











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