A doutora em literatura Érica Bispo foi aprovada em primeiro lugar em um concurso para professora na USP para ministrar a disciplina de literaturas africanas, no entanto, a docente teve sua nomeação anulada após contestação de seis candidatos brancos. O pretexto foram alegações de “proximidade” com membros da banca baseadas em fotos de redes sociais.

A única mulher negra a prestar o concurso, Érica tem 20 anos de trajetória acadêmica e foi declarada altamente qualificada para a vaga por todos os avaliadores. Ainda assim, sua vitória foi negada por uma universidade racista que, mais uma vez, demonstra seu projeto higienista e excludente executado nos três setores da universidade: alunos, professores e trabalhadores.

Os Estudantes negros, egressos da política de cotas, são os que majoritariamente sofrem com ataques à permanência, que enfrentam o corte de aulas noturnas, a negativa de auxílios da PRIP e as condições precárias do CRUSP, os trabalhadores, principalmente as terceirizadas, uma grande maioria de mulheres negras, enfrentam uma série de violências, condições insalubres de trabalho e demissões arbitrárias, como ainda, os professores negros, que são uma minoria significativa no corpo docente da USP: representam apenas cerca de 3% a 4% do total da universidade.

A anulação do concurso não é um simples erro burocrático. É uma violência racial institucionalizada. Até quando a universidade pública vai compactuar com o racismo? Estamos em um momento de eleição para a reitoria, processo extremamente antidemocrático que não conta com um sistema de sufrágio direto, em que este ano é o Tarcísio que irá escolher o próximo reitor.

A próxima reitoria será a continuidade do projeto racista, lgbtfóbico e higienista da da USP, com risco de aplicar ataques ainda mais graves à juventude, trabalhadores e docentes.
Os processos de seleção são enviesados e cumprem um papel de contenção da entrada de professores negros na maior universidade do país, por isso, mais que nunca é preciso lutar, assim como foi a luta para a implementação do sistema de cotas em 2017, que arrancou as cotas após muita pressão do movimento estudantil, movimento negro, indígena e dos trabalhadores em unidade. Esta luta também precisa estar articulada com as mobilizações por cotas trans na USP e por permanência! Esta mesma reitoria da vanguarda do atraso que negou a vitória de Erica e que aplica ataques racistas na universidade é a que nega o ingresso de pessoas trans, cortou mais da metade dos auxílios PAPFE este ano e segue aplicando a brutal precarização e crônica falta de vagas no CRUSP.

É necessário a mobilização estudantil em aliança com todos esses setores para arrancarmos desta reitoria racista a efetiva implementação de cotas PPI para concursos de docentes! Por cotas trans já! Por auxílio de um salário mínimo paulista (1804 reais) e vagas no CRUSP para toda demanda!