Já Basta! – Juventude Anticapitalista

Vivemos, no mundo e no Brasil, uma conjuntura política polarizada, de grandes riscos,mas também de possibilidades.

No cenário mundial, assistimos a um verdadeiro genocídio a olhos vistos em Gaza, a um conflito militar interimperialista no território ucraniano e a uma ofensiva protecionista mundial de Donald Trump, com o seu tarifaço e ameaças diretas e ataques territoriais à soberania de países dependentes e, até, independentes. 

Mas também presenciamos importantes processos de resistência dos explorados e oprimidos, como os massivos protestos contra a política de expulsão de imigrantes na Califórnia e, agora, na Indonésia contra a violência policial, bem como em outros lugares.

Ou seja, vivemos em um mundo de múltiplas crises, marcado por uma disputa geopolítica histórica que implodiu a velha ordem mundial e polarizou o cenário internacional, abrindo enormes riscos e possibilidades de rupturas — seja à direita ou à esquerda. 

Essa conjuntura atinge nesse momento o Brasil em cheio. O tarifaço e as medidas retaliatórias de Trump abriram uma nova conjuntura que deu fôlego à extrema direita.  Essa passou à contra ofensiva após a prisão domiciliar de Bolsonaro. Voltaram às ruas em ações massivas, ocuparam o Congresso Nacional e ameaçam inviabilizar até mesmo o único projeto progressivo do atual governo — a isenção fiscal para quem ganha até 5 mil reais.

Enquanto isso, o governo liberal-social de Lula 3 não toma nenhuma medida efetiva para responder ao ataque imperialista. Em vez de medidas anticapitalistas — como expropriar empresas que demitam, quebrar patentes ou suspender o pagamento da dívida pública — o que se vê como resposta  da parte é quase que exclusivamente mais crédito subsidiado para empresários.

Um dos grandes problemas políticos que temos hoje é que a possível prisão de Bolsonaro é tomada pela esquerda, tanto a da ordem como a independente, como se fossem favas contadas e como se a simples punição fosse derrotar a extrema direita.

Ledo engano, camaradas! A extrema direita segue forte no parlamento, mantém capacidade de mobilização de massas, conta com apoio de setores da burguesia, conserva uma base social em torno de um terço da população e possui figuras públicas competitivas em todas as esferas eleitorais. 

A extrema direita está ainda mais reforçada pelo governo imperialista de Trump, que seguirá apoiando os golpistas e atacando a soberania popular — com ou sem Bolsonaro no páreo político-eleitoral. Além do mais, não é porque o STF pode punir Bolsonaro e outros golpistas que os direitos democráticos estão garantidos. Uma punição feita por cima, sem a luta direta, não significará uma derrota categórica da extrema direita. 

A única certeza é que sem mobilização de rua, os golpistas, o imperialismo, o Centrão e os governos burgueses continuarão na ofensiva contra os nossos direitos. 

É preciso olhar a realidade em sua dinâmica. Enquanto se processa Bolsonaro por cima, a extrema direita prepara novas tentativas golpistas, agora sob o respaldo internacional de Trump, que serão colocadas em ação com a aproximação do processo eleitoral.

No entanto, temos condições de resistir. Não vivemos uma derrota histórica, e os movimentos sociais — como o das mulheres e o da nova classe trabalhadora — têm dado provas de que são capazes de resistir e lutar nas ruas.

Neste sentido, compreender a necessidade da luta direta pela prisão de Bolsonaro, articulando nossas bandeiras econômicas com as democráticas, é fundamental. A luta contra o golpismo não se esgota com a prisão de Bolsonaro, pois a extrema direita seguirá sendo uma ameaça golpista.

Construir um 7 de setembro de luta é fundamental! Não podemos cair no sectarismo estéril, como fazem algumas correntes da esquerda independente, aquelas que são contra levantar a luta direta pela prisão de Bolsonaro e contra a unidade de ação diante de um ataque imperialista. 

A vacilação e fraqueza do lulismo, do PT ao PSOL, seja no governo ou na direção dos movimentos sociais, não vai enfrentar o imperialismo e a extrema direita a partir da luta consequente. 

Diante do ataque imperialista de Trump, é fundamental unificarmos em um grande ato nacional, mas com a esquerda independente se apresentando com suas próprias bandeiras e colunas.Só assim poderemos começar a construir um verdadeiro movimento de rua. 

Por isso, camaradas, temos que romper com a apatia da atual direção do DCE, e da chapa 3 do governismo!

O 7 de Setembro será uma prova importante da correlação de forças e, ao mesmo tempo, pode abrir um processo de mobilização que será fundamental para a prisão de Bolsonaro, em defesa dos direitos democráticos e para a luta por programa político e econômico dos trabalhadores, dos oprimidos e da juventude.

Neste 7 de Setembro, vamos às ruas com a Juventude Anticapitalista Já Basta!