Juventude Já Basta!
O movimento estudantil sempre foi, historicamente, a ponta de lança de grandes mobilizações sociais e contra toda forma de opressão e exploração dentro e fora das universidades. Na USP, esse papel de vanguarda também ecoa com força: desde a Batalha da Maria Antônia em 1968 — em que estudantes da USP enfrentaram grupos de extrema direita apoiados pelas forças repressoras — até a mobilização massiva em 2007, junho de 2013, e mais recentemente o tsunami da educação contra os cortes do governo Bolsonaro.
Diante do atual contexto político — de crises, guerras e quiçá revoluções — enfrentamos uma frente única contra a educação pública: Desde o governo Lula-Alckmin que submete a educação ao austericídio do Arcabouço Fiscal, a extrema direita de Tarcísio e Nunes com sua agenda de privatizações até as reitorias que cada vez mais aprofundam o projeto elitista. É nesse cenário que se torna urgente nos organizarmos como um movimento estudantil coeso, combativo e enraizado, capaz de enfrentar com independência dos governos, patrões e burocracias todos os ataques de dentro quanto de fora da universidade. Para além da resistência, é preciso construir uma universidade que nos represente de fato: anticapitalista, contra todas as formas de opressão e exploração, feita por e para a classe trabalhadora.
Temos como desafio romper com direções reformistas e burocráticas, que freiam a luta em prol de seus próprios interesses. A esquerda da ordem, como as juventudes do PT, UJS/PCdoB e a Juventude Sem Medo/PSOL, setores majoritários que dirigem a UNE, maior representação estudantil a nível nacional, atuam como representantes do governo de Lula-Alckmin, desmobilizando as lutas nas ruas, e agindo com passividade frente aos ataques à juventude e classe trabalhadora.
Nesse cenário, a atual direção do DCE na USP — composta por Juntos/PSOL, Correnteza/UP e seus satélites — tem se mostrado insuficiente e atuado, na prática, como uma força de contenção diante dos enormes desafios colocados. Isso acontece, porque este setor não representa uma alternativa real ao governismo, já que se nega a se colocar como oposição de esquerda ao governo Lula 3, além de tampouco romper com os métodos burocráticos e imobilistas que leva adiante o lulismo na direção da UNE.
No início deste ano, em meio a uma conjuntura grave na USP, essas correntes se mantiveram inertes. Mesmo diante de lutas nacionais e internacionais fundamentais — como a possibilidade histórica de levar Bolsonaro e os golpistas à prisão e a escalada do genocídio contra o povo palestino —, a direção não convocou nenhuma assembleia geral de estudantes por mais de seis meses. No ano passado, a primeira assembleia só ocorreu após oito meses de gestão. Essa passividade revela não apenas uma aposta na conciliação, mas um abandono consciente da organização coletiva e da mobilização de base. As assembleias são uma ferramenta chave para a organização des estudantes e da democracia estudantil. Além disso, após as importantes mobilizações e campanha pelas cotas trans e vestibular indígena na USP, estas direções, sem ter materializado avanços reais na aprovação das reivindicações, tomaram promessas de reuniões com a reitoria como vitórias históricas, ação que desmobiliza es estudantes e cria desconfiança com o movimento.
Por fim, é necessário apontar que muitas vezes essas correntes do trotskismo independente, como es companheires do Rebeldia/PSTU e Faísca/MRT caem em sectarismo e economicismo, abrindo mão da tarefa urgente de unificação das esquerdas revolucionárias. Quando o MRT se opõe à consigna de “prisão de Bolsonaro e todos os golpistas” alegando que isso fortaleceria o “bonapartismo de toga”, e o PSTU vacila nessa posição, acabam por entregar ao judiciário a tarefa e o mérito de prender um líder da extrema direita, se isolando das ruas e negando que a história nos mostra que só a mobilização das massas é capaz de derrotar o neofascismo e a extrema direita! Apesar de nossas discordâncias, fazemos um chamado pela reconstrução do campo da oposição de esquerda na UNE que unifique ao lado de estudantes independentes os setores que se colocam na oposição de esquerda ao governo federal: nós do Já Basta!/SoB, Vamos à Luta/CST, Rebeldia/PSTU e Faísca/MRT. Este é um primeiro passo para construir e fortalecer um polo independente de luta contra os ataques do governo Lula-Alckmin e de frontal enfrentamento à extrema direita a nível local e nacional! Torna-se necessário refundar o movimento estudantil na USP e em todas as universidades, com base na construção de entidades estudantis anticapitalistas e independentes das burocracias, reitorias e governos e construir as lutas concretas a partir de um programa concreto e anticapitalista para a universidade!
- Por um movimento estudantil independente dos governos, patrões e burocracias e aliado aes trabalhadories!
- Pela reconstrução da oposição de esquerda da UNE!
- Por assembleias gerais e de curso democráticas, periódicas construídas pela base! Pela realização de plenárias dos 3 setores (estudantes, docentes e funcionáries efetives e terceirizades)!
- Pela convocação de um Congresso des estudantes da USP!
- Pela realização de um Censo na USP!
- Por um DCE proporcional, com todas as chapas compondo a gestão e expressando proporcionalmente os votos des estudantes na base!











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