Entregadores Unidos pela Base

Nos próximos dias 5 e 6 de agosto, o iFood realizará em São Paulo o evento iFood MOVE, que contará com painéis, celebridades e discursos sobre “inovação” no setor de entregas por plataformas. Mas por trás da estética publicitária e do verniz da “modernização”, o que se esconde é a expressão mais acabada do capital: um espetáculo de autopromoção financiado pala brutal exploração cotidiana da força de trabalho dos entregadores e entregadoras. Trata-se de uma celebração do valor – não no sentido humano ou social, mas no sentido estritamente econômico: a valorização do capital à custa da desvalorização do trabalho, sustentada por novos e violentos meios de controle e apropriação do tempo de vida das massas exploradas e oprimidas.

O evento, vendido como uma comemoração do sucesso e da inovação no setor de delivery, se apoia em um modelo de negócios perverso que disfarça a escravidão moderna com o nome de “autonomia”. Vendida a fantasia do “empreendedorismo”, o que o iFood vai celebrar nesse dia, com muito champanhe, é sua irrestrita liberdade para continuar massacrando centenas de milhares de trabalhadores no país que, sem qualquer garantia ou direitos, engordam os seus cofres todos os dias.

O valor de ingresso – que pode chegar a mil reais ou mais por dia – traduz o paradoxo: enquanto o iFood brinda por seu lucro bilionário, são os entregadores e entregadoras que sustentam toda a operação com extensas jornadas e remunerações miseráveis.

Hoje, o trabalho por aplicativos é a sétima categoria que mais cresceu no país. E, no entanto, três em cada dez entregadores de São Paulo e Rio vivem com fome. Mas não é só a fome que o iFood entrega e brinda aos seus “parceiros” entregadores: são os acidentes, a invalidez, a morte. Cerca de 60% dos entregadores já sofreram agressões ou acidentes durante o trabalho. Só no Hospital das Clínicas, em São Paulo, os casos de acidentes com moto subiram de 20% para 80% em seis anos. Os entregadores são maioria nas internações e nas mortes em decorrência de acidentes de trabalho.

O iFood MOVE é a encenação perfeita do capitalismo de plataforma: um evento que exibe o triunfo do capital enquanto oculta sua base real – as violentas e predatórias condições de trabalho em que estão submetidos as entregadoras e entregadores. Ao promover esse espetáculo, o iFood não apenas intensifica a exploração, mas transforma a barbárie cotidiana em marketing. Não se trata de um desvio do sistema, mas sua forma mais acabada, na qual a miséria do trabalhador é transformada em oportunidade de negócio – uma nova cara da velha escravidão. Enquanto isso, os verdadeiros protagonistas do delivery, os trabalhadores, seguem morrendo nas ruas, apagados do palco onde o capital se autopromove.

Mas tudo isso vai mudar! Isso porque quem carrega o sistema nas costas está se levantando pra dizer: basta!