Neste 8A todas às ruas pelo aborto legal na Argentina e em todo o continente!

LAS ROJAS INTERNACIONAL

A América Latina é uma região com as leis sobre o aborto mais restritivas do mundo. Diante dessa situação, o movimento de mulheres no último período está em ascenso, com mais organização e mobilização para exigir nas ruas o direito ao aborto livre, legal, seguro e gratuito. Porque este é um direito democrático que as burguesias nacionais não estão dispostas a ceder, pois ter controle sobre o corpo das mulheres – que são metade da população – cria dividendos econômicos, nós somos consideradas as incubadoras do capitalismo para reproduzir mão de obra barata.

Segundo dados apresentados pelo instituto Guttmacher, a América Latina é a região onde mais se praticam abortos clandestinos, na qual são atendidas por ano 6,9 milhões de mulheres por complicações derivadas de abortos inseguros. Além do mais, dos 56 milhões de abortos induzidos que se praticaram anualmente entre 2010 e 2014, 31% são inseguros e 14% são muito inseguros, quer dizer, muitas mulheres se auto induzem ao aborto ou recorrem a pessoas que utilizam técnicas inseguras ou que não estão adequadamente capacitadas para a prática. Por esse motivo, o movimento de mulheres do continente está lutando nas ruas pelos direitos ao aborto, porque são as nossas vidas, nossos corpos e direitos os que estão em jogo.

Desta maneira, a discussão se resume no aborto livre, legal, seguro e gratuito de forma a resguardar a saúde e a vida das mulheres ou aborto clandestino que compromete nossa segurança. Nesta luta pelo aborto legal, é muito importante e valioso o papel que tem tido o movimento de mulheres na Argentina que depois de anos de luta pela conquista do aborto consegue colocar no Congresso a discussão, assim como instalar esse debate nacionalmente, além de conquistar o apoio de setores da classe trabalhadora. Ligado ao anterior, essa reivindicação é particularmente significativa, implica que apenas as mulheres podem decidir sobre seus corpos, quer dizer, gera conflito com setores conservadores e misóginos, como a Igreja Católica ou o fundamentalismo religioso. Da mesma forma, provoca um golpe direto ao modelo de família burguesa que o patriarcado reproduz historicamente e é funcional à lógica da exploração capitalista.

Desta maneira, a força do movimento de mulheres na Argentina tem um efeito dominó em todo o continente. A votação pelo aborto na Câmara dos Deputados teve um impacto enorme em vários países do continente, por exemplo, nas manifestações simultâneas em cidades importantes do Brasil como Rio de janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Maceió, Londrina, Santa Maria e Porto Alegre, dentre outras. Também deu inicio a campanhas pelo aborto legal em países como Costa Rica, onde as companheiras das Las Rojas estão convocando protestos nesse 8A para exigir o direito ao aborto e em solidariedade com as companheiras argentinas.

Então, esse triunfo das mulheres na Argentina permite tirar conclusões: se na Argentina é possível, em qualquer outro país também é. No entanto, a luta não acabou, o movimento de mulheres segue em marcha porque no Senado será ainda mais difícil a luta para que o aborto seja lei. Por isso, é de suma importância todo o apoio e solidariedade com a luta porque se a Argentina ganha, ganhamos todas. Em nome das Las Rojas Internacional fazemos um chamado para a realização de ações em todo o continente no próximo  8A nas embaixadas da Argentina ou onde seja mais táticos para pressionar os respectivos governos e, desta forma, apoiar a luta para conquistar o aborto legal em todos os países da região; também, porque a luta das companheiras argentinas requer toda a nossa solidariedade, dado que é também nossa luta, é a luta das mulheres em toda a América Latina e Caribe, e a melhor demonstração de solidariedade é estender a luta pelo aborto legal em todos os países, demonstrando que com nossa organização e mobilização podemos conquistar direitos.

Todo apoio ao movimento de mulheres da Argentina!

Às ruas nestes 8 A em todo o continente para #queelabortosealey!

Que a Igreja e o fundamentalismo religioso não se metam!