Por Izquierda Web
Se há uma tendência clara nas eleições da Saxônia-Anhalt, de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e no triunfo do Die Linke em Berlim, essa é o desmoronamento dos partidos tradicionais e o crescimento dos extremos, com destaque particular para a direita.
O Die Linke é um partido neorreformista que continua sendo «a esquerda» por continuar sendo, ao menos em palavras, timidamente reformista. A social-democracia clássica do SPD, que abandonou o governo de forma ignominiosa há pouco tempo para novamente ceder o lugar à CDU, já não é sequer reformista: é uma das forças do bipartidarismo neoliberal após a reunificação.
O Die Linke se formou originalmente a partir de alguns resquícios progressistas do velho SED stalinista e da velha social-democracia. Mantendo sempre certo peso no Leste do país, permaneceu estagnado como uma força tímida, de poucas reformas. Em 2021, seu desempenho eleitoral foi quase um desmoronamento.
Mas, com a polarização aberta nos últimos anos, o Die Linke, particularmente em Berlim, passou por uma renovação geracional que o transformou em uma organização mais contemporânea, embora ainda tímida, reformista e pouco à altura das circunstâncias. Hoje representam uma força semelhante aos DSA dos Estados Unidos, que se nutriram de novas gerações de militantes mais radicalizadas, o que lhes permitiu ganhar cada vez mais relevância.

O Die Linke acaba de conquistar a vitória nas eleições estaduais de Berlim, com um crescimento impressionante de mais de 150%, passando do quarto lugar em 2023 para um confortável primeiro lugar, com ampla margem: conquistaram, no total, 468 mil votos. Sua candidata, Elif Eralp, é uma jovem referência nascida na Alemanha, filha de pais turcos. No entanto, não têm números suficientes para formar um governo por conta própria.
A vitória ocorre após a frustração do mandato popular por parte dos governos da CDU (a tradicional centro-direita democrata-cristã) e do SPD (a social-democracia). Em 2021, havia sido realizado um referendo no qual o voto popular havia se pronunciado de forma contundente pela expropriação da propriedade imobiliária dos grandes especuladores do setor habitacional. E essa demanda, não vinculante, não foi acolhida por ninguém no bipartidarismo tradicional.
A consigna era: o Estado deve expropriar os grandes especuladores imobiliários (aqueles que possuem mais de 3.000 propriedades) para colocar 240.000 moradias à disposição da população? O resultado: um contundente «sim». O voto favorável chegou a 56,45% e superou em mais de 20 pontos o «não», que ficou em torno de 33%. E as eleições, quatro anos depois, agora dão a vitória à única força política que defendeu colocar a proposta em prática.
Paralelamente, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a extrema direita da AfD conquistava uma nova vitória. O mapa político alemão está sendo redesenhado em direção à polarização, e o desmoronamento dos partidos do bipartidarismo tradicional ainda não parece ter encontrado seu piso.
Imagem de capa: Elif Eralp, candidata do Die Linke, em plena campanha.







