Por Matheus Sarilho

 

À luta

À luta, companheiro(a),

pelos amigos e amigas,

irmãos e colegas

enclausurados na escala 6×1.

 

À luta pelo trabalho excedente

arrancado de nossas mãos,

apropriado pelo capitalista

— parasita histórico

que só vive ao sugar o tempo alheio

até o esgotamento.

 

À luta, descendente de escravizados,

pela herança que pulsa em nossas veias:

a herança de um povo

que nunca aceitou a opressão como destino.

 

Que não sejam em vão

as batalhas travadas antes de nós.

Do escravizado colonial

ao trabalhador assalariado contemporâneo,

a exploração mudou de forma,

não de essência.

 

Somos iguais

no chão da fábrica,

no balcão do comércio,

no canteiro de obras;

iguais ontem

no porão do navio negreiro,

iguais hoje

no metrô lotado.

 

O mesmo sistema

que acorrentava corpos

agora sequestra o tempo,

aprisiona a consciência

e ceifa a vida.

 

À luta contra um poder

que não mais empunha chicotes,

mas algoritmos;

que não grita ordens,

mas calcula descartes;

que empurra trabalhadores de aplicativo

a correr no trânsito caótico,

decidindo, por código,

quem vive do trabalho

e quem cai no esquecimento.

 

À luta pela expropriação dos expropriadores,

que rolem as suas cabeças!

Não nos importa.

porque todos os dias rolam cabeças de trabalhadores

Nas Mcdonalds , nas corridas e nos Call Centers

 

à luta, companheiro(a),

pelo fim do capitalismo

e pela redução da jornada de trabalho,

rumo a uma sociedade socialista

que coloque, no centro de todo cálculo social,

não o lucro,

mas o bem-estar do trabalhador.

 

Uma sociedade

em que o tempo deixe de ser mercadoria,

em que a produção obedeça às necessidades humanas,

em que a vida não seja mais

sacrificada no altar do capital.

 

À luta,

porque a história não se escreve

com resignação,

mas com enfrentamento.