Por Federico Winokur (*)

Em 20 de maio, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou uma acusação contra Raúl Castro por homicídio e conspiração para assassinar cidadãos norte-americanos, colocando a região em estado de alerta. . A utilização dessa acusação, que remete a um fato ocorrido há 30 anos, constitui uma ameaça que aponta para a repetição da mesma operação aplicada há poucos meses na Venezuela: acusaram (sem provas) Maduro de liderar o inexistente Cartel de los Soles, para depois sequestrá-lo.

Rejeitamos o processo movido pela justiça norte-americana contra Raúl Castro, um ato que atenta contra a soberania de Cuba como nação independente.

Esse atropelo ocorre no contexto de um mundo em combustão, no qual a competição geopolítica se intensifica e o imperialismo norte-americano busca defender (ou restabelecer) uma hegemonia ocidental mundial por meio de agressões militares diretas, mas também com um voluntarismo que excede suas próprias forças: neste momento, Trump está envolvido no Irã, onde não obteve nenhuma vitória, mas vem pagando um alto custo no cenário interno.

A ação contra Raúl Castro é uma desculpa para justificar um avanço imperialista inaceitável, porque, assim como na Venezuela, por mais que falem em liberdade ou em melhorar as condições do povo cubano, o imperialismo busca apenas destruir o caráter independente da nação cubana e qualquer vestígio das conquistas não capitalistas que ainda restam na ilha.

Os norte-americanos vêm impondo um bloqueio há 64 anos para sufocar a ilha e, nos últimos meses, endureceram ainda mais as medidas ao impor sanções a qualquer país, empresa ou embarcação que leve petróleo à ilha. Isso provocou uma crise humanitária de proporções inéditas: não há energia sequer para refrigerar alimentos, abastecer hospitais ou garantir transporte.

A saída não pode ser a invasão nem qualquer tipo de intervenção militar do imperialismo. Rejeitamos toda agressão do imperialismo contra Cuba, defendemos o caráter independente da nação cubana e a autodeterminação dos trabalhadores e do povo da ilha.

Sabemos que há questionamentos da população à burocracia que governa Cuba. Desde o Nuevo MAS, somos críticos do regime cubano, que não mantém os trabalhadores no poder e que reprimiu (e continua reprimindo) as justas mobilizações do povo cubano em razão da situação social. Apesar de o bloqueio ser a principal causa da crise em Cuba, não se pode desvincular a responsabilidade do planejamento burocrático, que responde aos interesses da casta burocrática no poder e não atende às necessidades da maioria.

Dito isso, reiteramos que defendemos incondicionalmente o caráter independente de Cuba e todas as demais conquistas da revolução que permanecem, ao mesmo tempo em que afirmamos que os únicos que podem decidir o futuro de Cuba são os trabalhadores e trabalhadoras cubanos.

Diante da crise humanitária na ilha, o Nuevo MAS e a Corrente SoB impulsionam, juntamente com setores independentes como Comunistas Cuba e organizações da esquerda argentina, a Campanha Independente de Solidariedade Operário-Estudantil com Cuba. Essa iniciativa surge dos pedidos feitos por setores independentes da ilha, como os médicos que nos enviaram uma carta pedindo ajuda diante da difícil situação que enfrentam (https://www.comunistascuba.org/2026/05/mensaje-de-medicos-cubanos.html).

Seu caráter independente nasce da necessidade de mostrar outro caminho. Setores ligados ao governo e à burocracia viajaram recentemente na “Flotilha Nossa América” e deixaram uma péssima imagem: viagens caras, hotéis de luxo, fotos com o governo que condena o povo à fome. O objetivo e o pedido dos companheiros de Cuba é que contribuamos com insumos, mas também que apresentemos uma saída independente, anticapitalista e socialista para a crise.

As tarefas do comitê se ampliam agora diante das ameaças norte-americanas, no sentido de realizar uma grande campanha em defesa do povo cubano em cada local de estudo e de trabalho. É hora de nos colocarmos em estado de alerta e mobilização. Devemos estar preparados, porque, se o imperialismo passar das palavras aos atos, será necessário convocar a mobilização nas ruas em defesa de Cuba, em unidade com todos os setores que rejeitam a ingerência do imperialismo na América Latina.

Nenhuma agressão militar ianque contra Cuba!

Fora Trump da América Latina!

Não ao processo contra Raúl Castro!

Nenhuma repressão aos trabalhadores em Cuba!

Somente os trabalhadores e o povo cubano podem decidir o futuro da ilha!

(*) O autor é membro do “Comité Independiente de Solidaridad obrero estudiantil con Cuba” pelo Nuevo MAS