Entre as chamas da rebelião e a ofensiva imperialista: a saída é anticapitalista!
por Já Basta! – Juventude Anticapitalista
O mundo em que vivemos atravessa enormes e inéditas transformações. Nas manchetes e noticiários, são constantes as crises fora de controle que trazem ao mundo uma nova dinâmica mais polarizada e instável. Da crise climática à brutal precarização do trabalho, este sistema oferece para as novas gerações de trabalhadores uma duríssima perspectiva de vida e futuro. Entretanto, nesta dinâmica de extremos, o espectro reacionário do imperialismo e da extrema direita se choca com o contra-ataque de potencial revolucionário pelas ruas. As velhas fórmulas que pregavam a ideia de um estável “fim da história” após a queda do Muro de Berlim encontram-se em total descompasso com a realidade. A história segue em aberto e cabe a nós, estudantes e trabalhadores, transformá-la pela raiz!
Um novo mundo de crises, guerras e revoluções!
Diante de uma nova etapa do capitalismo, o cenário internacional converteu-se no principal palco dos “abalos sísmicos” que atravessam o mundo contemporâneo. Fenômenos como a brutal limpeza étnica em Gaza e a guerra na Ucrânia evidenciam que a velha ordem geopolítica já não existe mais. A antiga hegemonia capitaneada pelo imperialismo ocidental foi substituída por um cenário de desordem, onde a hegemonia mundial está em plena disputa. Em meio à estrutural crise da democracia burguesa e ao avanço de ataques autoritários, as diferentes frações do capital enfrentam dificuldades para governar com estabilidade e legitimidade sob o olhar das massas, aprofundando a polarização tanto por cima quanto por baixo. No centro do tabuleiro mundial, Estados Unidos, China e Rússia, está última em menor medida, protagonizam uma disputa global cada vez mais marcada pelo militarismo e pela guerra.
A ascensão de Donald Trump a um segundo mandato representa um marco decisivo na intensificação dessa dinâmica. Ancorado na aspiração burguesa de recomposição dos Estados Unidos como potência imperial dominante, o abusador de extrema direita leva adiante um projeto ultrarreacionário e bonapartista em toda a sua extensão. Sob o lema de tornar os EUA “great again” no xadrez global, o trumpismo resgata a Doutrina Monroe e impulsiona uma ofensiva imperialista territorializada sobre a América Latina e a Groenlândia, visando à pilhagem de recursos estratégicos e terras raras.
No plano doméstico, sua agenda ataca frontalmente os direitos democráticos das maiorias, implementando uma brutal política anti-imigração capitaneada por sua própria Gestapo supremacista. Tendo Trump como líder de sua internacional reacionária, a extrema direita de Milei, Netanyahu e Bolsonaro disputa o mundo por uma saída autoritária e colonial que pisoteia a soberania dos povos e as mais elementares conquistas democráticas e sociais dos trabalhadores, das mulheres, da população negra e da comunidade LGBTQIA+.
Como produto direto da crise e dos ataques promovidos pelos de cima, os de baixo passam a expressar, de forma crescente, respostas no terreno da luta. De Teerã à Minneapolis, a juventude assume o papel de linha de frente em jornadas históricas de mobilização contra a deterioração das condições de vida e em defesa de suas liberdades democráticas. Ao mesmo tempo, o espectro do anticapitalismo cresce e ganha fôlego entre as novas gerações da classe trabalhadora.
Em diferentes regiões do mundo, a irrupção de rebeliões populares volta a figurar no horizonte da luta de classes, abrindo um contraditório cenário de enormes possibilidades diante dos graves perigos que atravessamos: o choque entre o reacionarismo que domina a conjuntura e a força da reação popular que forja condições objetivas pré-revolucionárias. Greves gerais políticas, como a protagonizada pela heróica população de Minnesota, constituem pontos de apoio fundamentais para a luta dos explorados e oprimidos. Por toda a Europa, trabalhadores portuários da Itália, Grécia, Turquia e País Basco realizaram importantes greves contra o ajuste fiscal aplicado por seus governos para rearmar seus exércitos. Ainda que persista uma profunda crise de consciência e de alternativa socialista, a realidade objetiva, de maneira dialética, segue acumulando gradualmente possibilidades para reverter pela raiz a situação em que nos encontramos.
Diante da reabertura de uma etapa de crises, guerras e revoluções, não há espaço para ilusões reformistas, nem para aceitar a utopia reacionária oferecida pela conciliação de classes. A tarefa da juventude trabalhadora é organizar, nas universidades e nos locais de trabalho, uma alternativa anticapitalista e revolucionária, capaz de enfrentar o imperialismo, a extrema direita e lutar por uma saída socialista das maiorias!
Fora imperialismo ianque de Venezuela, Cuba e de toda América Latina! Abolir o ICE! Todo apoio à luta de Minnesota contra o governo Trump!
Viva a rebelião popular iraniana! Derrotar o regime autoritário e antipopular dos aiatolás e o imperialismo ianque, por uma alternativa independente e socialista dos explorados e oprimidos!
Basta de genocídio em Gaza! Abaixo o conselho colonial de Trump! Basta de cumplicidade do governo Lula-Alckmin, pela ruptura de todas as relações com Israel! Palestina livre, laica, única e socialista!
Por um cessar-fogo sem anexações na Ucrânia! Quem deve decidir é o povo ucraniano, fora imperialismos russo, ianque e OTAN!
Em defesa da soberania e da autodeterminação dos povos! Contra os imperialismos e as guerras, organizar uma saída independente e anticapitalista dos de baixo!
Nosso futuro não cabe na conciliação: Lutar nas ruas contra o reacionarismo e construir uma saída anticapitalista para o Brasil!
De forma alguma, nosso país escapa das dinâmicas contraditórias que marcam esse novo mundo. Eleito por uma mínima margem de votos em 2022, o governo liberal-social de Lula-Alckmin fracassa em oferecer melhorias de vida às maiorias e retroalimenta a extrema direita de Bolsonaro, Tarcísio e Nikolas. Ao seguir à risca a agenda da classe dominante e seus acordos com o Centrão, o governo, em sua frente ampla de conciliação de classes, implementa e apoia ataques brutais como o Arcabouço Fiscal, a privatização dos rios e o PLP 152, que legaliza a escravidão moderna das empresas de aplicativos e representa uma enorme ameaça aos direitos dos trabalhadores.
No enfrentamento à extrema direita e à anistia, o governismo lulista rifa a luta, orquestrando no fim do ano passado um acordo com o Centrão para adiantar a votação da anistia no Congresso, uma traição histórica aos direitos democráticos e às mobilizações. Mesmo diante da histórica reação popular que derrotou a PEC da Blindagem e abriu melhores condições para enfrentar a direita, o governo não só deu votos para a aprovação desse ataque como operou para submeter a luta das praças aos palácios, neutralizando as mobilizações para que não saíssem de seu controle burocrático.
Diante de um governo submisso aos de cima, o bolsonarismo capacho de Trump orquestra uma contraofensiva em defesa do golpismo e de sua agenda ultrarreacionária. Já neste início de ano, as forças reacionárias preparam a tramitação de perigosas matérias no Congresso: a derrubada do veto do PL da Dosimetria e o PL Anti-Facção, que fortalece os massacres policiais e criminaliza greves, ocupações e protestos dos de baixo. Enquanto o lulismo aposta nos palácios, o bolsonarismo combina a atuação institucional com mobilizações de rua para esticar a corda mais à direita nas vésperas da eleição.
Apesar da ameaça reacionária e da desmobilização lulista, importantes processos de luta pela base despontam no país. Logo na virada de ano, categorias como a dos petroleiros e a dos trabalhadores dos Correios paralisaram suas operações em defesa de seus direitos. Na linha de frente contra a superexploração, os entregadores por aplicativo mobilizam lutas por todo país e preparam uma greve nacional contra o PLP 152 anti-trabalhador acordado pelo centrão, extrema direita e o governismo de Boulos. No estado do Pará, os povos indígenas fizeram o governo recuar parcialmente, ocupando o porto da Cargill, gigante do agronegócio, e protagonizando uma forte luta contra o decreto 12.600/2025 do governo federal que privatiza os rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
É preciso cobrir essas lutas de solidariedade e apostar na mobilização de rua em unidade para defender nossos direitos, derrotar a extrema direita e enfrentar os ataques da conciliação de classes! Para isso, é fundamental construir um campo independente e anticapitalista que coloque a luta nas ruas como centro!
Frente à ameaça do imperialismo e da extrema direita, a conciliação de classes do PT e do PSOL de Boulos oferece um beco sem saída aos de baixo: a ilusão de que é possível maquiar a barbárie capitalista. Na trincheira da esquerda, é preciso superar a política traidora do lulismo e tirar importantes lições para defender nossos direitos democráticos e econômicos. Para nós, da Juventude Já Basta!/SoB, não há espaço para disputar o atual governo pela esquerda como pretendem organizações como Correnteza/UP e Juntos/MES-PSOL. Tampouco há espaço para posições que centram a luta em bandeiras econômicas e tiram de vista a defesa de nossas liberdades democráticas, tão ameaçadas pela extrema direita, uma postura compartilhada pelos compas da UJC/PCBR, Rebeldia/PSTU e Faísca/MRT.
Nos aproximando às eleições deste ano, é fundamental construir uma alternativa de unidade da esquerda independente para derrotar o imperialismo, a extrema direita e apresentar uma plataforma anticapitalista e revolucionária de oposição de esquerda à conciliação de classes! Rumo à outubro, é preciso superar o sectarismo e apostar na inflexão política das organizações revolucionárias a partir de fóruns e espaços conjuntos de debates político-programáticos para construir uma frente socialista e revolucionária!
Desde a Juventude Já Basta! e a Corrente Socialismo ou Barbárie, chamamos as novas gerações a integrar nossas fileiras e construir conosco a luta pelas revoluções socialistas do século XXI!
- Viva a luta dos povos indígenas do Tapajós! Derrotar pela luta o decreto 12.600/2025! Pelo fim do Plano Safra! Por uma reforma agrária radical!
- Derrotar nas ruas qualquer tentativa de anistia e dosimetria! Pelo fim da polícia e dos tribunais militares! Derrotar o PL Anti-Facção e a PEC da Segurança Pública!
- Pela unidade operário-estudantil! Abaixo o PLP 152 da escravidão moderna! Em defesa do PL 2479 do Breque e dos direitos dos trabalhadores de aplicativo! Pelo fim da escala 6×1, por 30 horas semanais sem redução dos salários!
- Pela revogação do Arcabouço Fiscal de Lula-Alckmin e de todas as contrarreformas de Temer e Bolsonaro!
- Pela vida das mulheres, derrotar o PDL 3/2025 antiaborto! Por uma campanha nacional contra o feminicídio e pelo aborto legal seguro e gratuito nos hospitais!
- Que CUT, CTB e UNE organizem um plano de lutas pela base nas universidades e locais de trabalho! Por uma plenária nacional de ativistas independentes da CSP-Conlutas para enfrentar a extrema direita e os ataques do lulismo!










[…] Entre as chamas da rebelião e a ofensiva imperialista: a saída é anticapitalista! por Já Basta! – Juventude Anticapitalista […]