Já Basta! – Juventude Anticapitalista
Nós, que somos estudantes e jovens trabalhadories, enfrentamos um cenário de duros ataques dentro e fora da universidade. Longe de serem coisas isoladas, estes ataques são expressão da profunda crise estrutural do capitalismo que atravessamos.
Estamos diante de importantes batalhas: a necessidade de frear genocídio do povo palestino que, apesar do importante cessar-fogo que celebramos ao lado dos gazatis, segue sendo uma tarefa central para derrotar o projeto de colonização e escravização imposto por Trump, Netanyahu e o imperialismo. Também temos a necessidade de enfrentar a extrema direita que no Brasil quer livrar Bolsonaro e os golpistas da cadeia e legalizar o golpismo com o apoio de seu chefe: o governo autoritário e ultrarreacionário de Donald Trump. Qualquer projeto que anistie ou reduza a pena dos golpistas representa a legitimação do golpe de estado e uma vitória para o bolsonarismo.
O cenário é grave mas não à toa reagimos. Ocupamos as ruas no dia 21 de setembro em uma jornada histórica de luta e impusemos uma dura derrota à extrema direita, ao Centrão reacionário e às negociatas sujas do governo Lula que acordou o apoio de sua bancada à nefasta PEC da Blindagem.
Com a força da mobilização de rua, derrotamos a PEC da Bandidagem, fizemos recuar momentaneamente a anistia e colocamos Nikolas, Tarcísio, Hugo Motta e os reacionários na defensiva. Como produto da luta direta (que o petismo sempre conteve com a desculpa esfarrapada de que “não há correlação de forças”), forçamos o Centrão a aprovar a isenção de imposto de renda até 5 mil reais, uma proposta que precisa ser acompanhada da taxação radical do capital e das grandes fortunas.
Por todo o mundo, a juventude também protagoniza importantes rebeliões populares como na Indonésia, Nepal, Peru e Marrocos questionando a desigualdade, a repressão policial, a corrupção e os ataques neoliberais.
Neste semestre na USP, Tarcísio escolherá a próxima reitoria em um processo extremamente autoritário que não dá direito ao voto direto aos estudantes e trabalhadores. O que isso quer dizer? Que a reitoria da vanguarda do atraso, que já vem aplicando graves ataques como o corte das bolsas PAPFE e PUB, aprofundará sua ofensiva de precarização e expulsão forçada da juventude negra e trabalhadora da nossa universidade.
Para enfrentar esse cenário, é preciso virar o movimento estudantil do avesso e colocá-lo na linha de frente das lutas que enfrentamos: cadeia imediata para Bolsonaro e os golpistas, necessidade da ruptura de todas as relações do Brasil com o estado genocida de “israel”, fim da escala 6×1 e revogação do arcabouço fiscal do governo Lula-Alckmin e todas as contrarreformas.
Aqui na USP, é preciso reacender a luta por:
- Cotas trans, PCDs e vestibular indígena;
- Despejo Zero no CRUSP com bolsas PAPFE para toda a demanda no piso valor de um salário mínimo paulista;
- Ruptura dos convênios da USP com universidades israelenses;
- Fim do ranqueamento na Letras com a volta do Gatilho automático de professories e funcionáries;
- Por uma reforma curricular democrática e discutida pelos 3 setores! Basta de precarização do nosso ensino!
- Revogação do Teto de gastos da USP!
- Fora Polícia Militar do campus!
- Pelo fim da terceirização! Contratação imediata de funcionáries e a efetivação de terceirizades sem necessidade de concurso público! Pelo fim do banco de horas des funcionáries!
- Pela expulsão dos agressores, sejam eles professores, funcionários ou alunos! Ampliação da iluminação do campus e a criação de comissões independentes que acolham e acompanhem as denúncias!
- Eleições diretas e paritárias para reitoria! Estatuinte livre, democrática e soberana elaborada pelos estudantes, trabalhadories e docentes!
Para tanto, é preciso superar o imobilismo burocrático que torna nosso movimento ensimesmado e apostar na mobilização de base com a construção de assembleias e plenárias em unidade com es trabalhadories e professories, uma política que não aposta a gestão do DCE de Correnteza/UP e Juntos/PSOL que agora também é construída pelo Rebeldia/PSTU e UJC/PCBR.
Ainda enfrentamos um cenário difícil em que a luta direta nas ruas em unidade de ação é fundamental para enfrentar a extrema direita e defender nossos direitos democráticos mais básicos. Por isso, nos parece inconsequente a postura de setores como a Faísca/MRT de não ter construído e nem convocado o ato do dia 21/09 e de seguir não defendendo uma política clara pela prisão de Bolsonaro e todos os golpistas, um crasso erro na atual conjuntura.
Apesar de nossas divergências políticas com essas correntes, acreditamos que temos uma tarefa central maior: conformar um polo de luta que aglutine os setores que não compõem o governismo lulista para apostar na mobilização imediata pelas ruas. É preciso superar a política de contenção do lulismo que tem mais medo de perder o controle das ruas do que dos ataques que enfrentam nossa juventude e nossa classe. Por isso, chamamos com urgência a necessidade de uma plenária nacional de organizações e ativistas pela CSP Conlutas, espaço que construímos como juventude e a única central independente do lulismo.
Exigimos que a UNE, UBES, CUT e CTB construam um plano de lutas pelas bases pela Prisão imediata de Bolsonaro e todos os golpistas, contra o genocídio do povo palestino, pela ruptura das relações com Israel e pelo fim do Arcabouço Fiscal!









