El Salvador caminha rapidamente para uma ditadura. O Congresso de El Salvador aprovou a reeleição presidencial indefinida, estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos, encurtou o mandato atual para realizar eleições gerais em 2027 e eliminou o segundo turno eleitoral.
Por Johan Madriz
O Congresso de El Salvador, totalmente dominado pelo partido governista Nuevas Ideas, aprovou uma reforma constitucional em matéria eleitoral que consolida o caráter autoritário do regime de Nayib Bukele.
A medida, rapidamente aprovada na quinta-feira (31), às vésperas do recesso de férias, permite a reeleição presidencial indefinida, estende o mandato presidencial de cinco para seis anos, encurta o mandato atual para realizar eleições gerais em 2027 e elimina o segundo turno eleitoral (pelo que as eleições serão ganhas por maioria simples).
Além disso, as eleições presidenciais, legislativas e municipais são unificadas em uma mesma data, com o objetivo claro de maximizar o controle do governo sobre todo o aparato estatal.
Dos 60 deputados e deputadas da Assembleia Legislativa, 57 votaram a favor da reforma, todos pertencentes ao bloco governista, enquanto apenas os três legisladores da oposição expressaram sua rejeição. A reforma também elimina a exigência de dupla ratificação constitucional em legislaturas diferentes, o que permite reescrever a Constituição em procedimentos expeditos.
Com essa medida, Bukele poderá se candidatar às eleições repetidas vezes, garantindo sua continuidade com legitimidade legal. Sua popularidade — alimentada por uma campanha constante de propaganda e controle da informação — é usada como pretexto para erguer uma nova arquitetura estatal a serviço da concentração do poder.
O regime de Bukele, embora se apresente como “cool”, está caminhando para um modelo ditatorial mais clássico. Por enquanto, trata-se de uma forma de bonapartismo autoritário, em que um líder carismático se coloca acima das classes, dos partidos e dos poderes, aparentando governar “para o povo”, enquanto concentra todo o aparato estatal em favor de um bloco burguês emergente e do capital transnacional.
Bukele controla os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, interveio na Suprema Corte, substituiu promotores, criminalizou os protestos e colocou o exército no centro da vida política nacional. Desde 2022, mantém o país em estado de exceção permanente, com mais de 87.000 pessoas detidas, milhares de denúncias de detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e mais de 400 mortes na prisão.
O autoritarismo bukelista é, além disso, funcional ao capital: garante “ordem” para o investimento estrangeiro, desmantela os direitos trabalhistas e sociais e aplica a receita clássica do FMI sob um discurso tecnocrático de modernização. A militarização, a repressão, a dívida e a propaganda constroem uma aparente estabilidade para um modelo econômico que continua reproduzindo a pobreza, a informalidade e a dependência.
Esta reforma constitucional é um ponto culminante do processo político que vinha se gestando desde 2019: a transformação do Estado salvadorenho em uma máquina autoritária a serviço de uma casta político-empresarial emergente. Bukele se apresenta como o rosto novo de um “país novo”, mas na realidade representa a continuidade do neoliberalismo por meios cada vez mais repressivos.
El Salvador caminha rapidamente para uma ditadura. E embora a popularidade do presidente seja usada como justificativa, a democracia não pode ser reduzida a pesquisas de opinião ou curtidas nas redes sociais. Este regime autoritário se adapta aos tempos e agora avança com uma “cara jovem”, um marketing agressivo e roupagem tecnodigital, mas sua essência continua a mesma de sempre: exploração, espoliação e repressão.
Tradução de Mariah Sinem, do original Bukele «perpetuo»: aprueban la reelección indefinida.










