Igor Oliveira, 24 anos, estava de mãos na cabeça quando foi executado por PMs em Paraisópolis. As câmeras provam: foi assassinato. Sua morte é mais um exemplo do projeto genocida da polícia contra os explorados e oprimidos. A guerra às drogas segue servindo de pretexto para massacres. A luta contra esse sistema exige o fim da PM, a legalização da maconha e de todas as drogas, e a luta por justiça para Igor e todas as vítimas do Estado assassino.
Maria Cordeiro
Na tarde de 10 de julho de 2025, a comunidade de Paraisópolis, na cidade de São Paulo, foi cenário de mais um episódio brutal de violência policial. Igor Oliveira de Moraes Santos, um jovem de 24 anos, foi executado por policiais militares enquanto estava rendido, com as mãos na cabeça, após declarar que não estava armado. As câmeras corporais dos agentes registraram o momento em que dois PMs dispararam contra Igor, mesmo sem qualquer ameaça iminente. As imagens, posteriormente divulgadas, deixaram claro que se tratava de um homicídio doloso, levando à prisão em flagrante dos dois policiais envolvidos após reação da comunidade. Outros dois agentes foram indiciados por falsificar informações no relatório oficial, tentando justificar a ação como legítima defesa.
A operação policial que resultou na morte de Igor foi justificada pela Secretaria de Segurança Pública como uma resposta a denúncias de homens armados em um ponto de venda de drogas. No entanto, a versão inicial da PM – que alegou confronto e chegou a insinuar que a residência onde Igor foi morto seria uma “casa bomba” – foi desmentida pelos próprios registros das câmeras. O coronel Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, admitiu publicamente a ilegalidade da ação, confirmando que o jovem já estava sob controle quando foi assassinado.
Repressão e Reação
A execução de Igor desencadeou uma onda de protestos em Paraisópolis. Moradores saíram às ruas em indignação, erguendo barricadas, queimando pneus e fechando vias em revolta. A resposta da polícia foi imediata e violenta: a Tropa de Choque foi mobilizada, e, durante os confrontos, mais uma pessoa foi assassinada. Mais um nome a se somar à lista de vítimas da violência estatal.
A brutalidade policial em Paraisópolis não é um caso isolado. Pouco antes, o marceneiro Guilherme Dias, morador de Parelheiros, foi executado por um policial de folga enquanto voltava para casa.
Esses crimes seguem um padrão histórico: a polícia, especialmente em São Paulo, atua como braço armado de um projeto de extermínio da população negra e trabalhadora. As mortes cometidas por policiais militares de São Paulo registraram um aumento de 98% nos dois primeiros anos do governo Tarcísiode Freitas e do secretário de segurança pública Guilherme Derrite (2022 a 2024). E neste ano, segundo dados do Ministério da Justiça divulgados em junho houve um aumento de mais de 60% das mortes cometidas pelo Estado em São Paulo.
Inclusive, o próprio Tarcísio esteve envolvido em suspeitas de forjar violência para fins políticos. Em 2022, durante sua campanha eleitoral, Tarcísio de Freitas forjou uma suposta tentativa de “atentado” contra ele, que terminou com a morte do assessor Felipe Silva de Lima – supostamente baleado em um “atentado” em Paraisópolis – para se vitimizar e cultivar uma imagem de combatente do crime, e por isso, perseguido. Investigações da Polícia Federal revelaram inconsistências gritantes: não foi possível identificar a origem dos tiros, testemunhas contradisseram a versão oficial, e indícios apontavam para uma encenação. O caso, arquivado sob pressão política, expôs o modus operandi da extrema direita: transformar cadáveres em capital eleitoral.
Política de Morte da Extrema Direita
O governo Tarcísio aprofundou a militarização da segurança pública, incentivando operações violentas em favelas sob a justificativa de “combate ao crime”. Na realidade, essa política sustenta-se em uma estrutura racista e classista, que enxerga corpos negros e pobres como descartáveis. A guerra às drogas, longe de resolver problemas de segurança, serve como pretexto para justificar massacres e encher as prisões de jovens trabalhadores, enquanto o tráfico continua operando sob a conivência de setores do próprio Estado.
A execução de Igor Oliveira escancara a impunidade e a crueldade de uma instituição que age com impunidade da ordem burguesa. A prisão dos dois PMs responsáveis pelo crime, ainda que importante, não apaga o fato de que centenas de outros casos seguem sem punição, dados apontam que menos de 2% dos PMs investigados em São Paulo são condenados por júri. Existem alguns elementos da justiça burguesa que levam a essa estatística tão baixa, como o entendimento de que a versão do policial acaba tendo um peso maior quando há a alegação de legítima defesa, Além disso, os casos muitas vezes são midiáticos e acompanhados pela plateia por policiais, que muitas vezes, segundo relatos, causam intimidação pessoal e constrangimento nos jurados. midiáticos, são acompanhados na plateia por inúmeros policiais. E isso causa uma sensação de pressão, de constrangimento nos jurados. A estrutura policial é, em si, o próprio problema: a Polícia Militar, herança da ditadura, foi criada para controlar, reprimir e exterminar não para proteger. Inclusive, segundo a Datafolha em 2024, a maioria dos brasileiros (51%) tem mais medo da polícia do que confiança.
Violência Policial no Brasil: Bahia e Rio de Janeiro
A barbárie policial não se limita a São Paulo. No Rio de Janeiro, a ação das polícias alcançou níveis ainda mais chocantes de selvageria em junho de 2025, quando integrantes do BOPE interromperam violentamente uma celebração junina no Morro Santo Amaro, no bairro do Catete, região sul da capital fluminense. Os agentes irromperam no local efetuando disparos aleatórios, resultando na morte de Herus Guimarães Mendes, 24 anos, atingido por dois projéteis. Os registros do tumulto e desespero dos presentes rapidamente se espalharam pelas redes sociais. O episódio evidenciou a perpetuação de uma política de segurança que criminaliza os habitantes das comunidades, situação intensificada sob a atual gestão do governador Cláudio Castro (PL).
A Bahia representa outro cenário alarmante de letalidade estatal. Sob a administração de Jerônimo Rodrigues (PT), o estado continua figurando no topo dos índices nacionais de mortes decorrentes de intervenções policiais. Dados revelam que em 2024, as ações da PM baiana provocaram o dobro de óbitos registrados em operações similares em São Paulo. O ano de 2024 testemunhou um incremento de 27% nos casos fatais durante abordagens policiais na Bahia em relação ao período anterior, comprovando que mesmo sob governos de esquerda da ordem a estrutura de violência e morte permanece inalterada. A condução petista no estado, indistinguível na prática das gestões conservadoras, incorpora em sua retórica e plataforma política a glorificação deste aparato de necropolítica.
Essa é a verdadeira natureza da chamada “proteção social” no país: um mecanismo institucionalizado de eliminação das camadas populares, que opera continuamente independentemente das siglas partidárias no poder – seja sob a esquerda institucional ou sob governos abertamente reacionários e ultrarreacionários.
Por Justiça e pelo fim da PM
A política de “guerra às drogas” no Brasil e no mundo não passa de um projeto genocida disfarçado de segurança pública. Sob esse pretexto, o Estado justifica operações brutais em favelas e periferias, onde jovens negros são tratados como inimigos a serem eliminados. Enquanto o tráfico segue intocado em suas estruturas maiores – com conivência de agentes do Estado –, a repressão recai sobre corpos da classe trabalhadora. O resultado é um ciclo de violência que alimenta o encarceramento em massa e os cemitérios das periferias.
A proibição das drogas, longe de combater o crime organizado, serve como ferramenta de controle social e lucro para o complexo industrial-prisional. A legalização, com políticas de redução de danos e investimento em saúde pública, é urgente para tratar, cuidar, desencarcerar e desmontar essa máquina de morte.
A luta por justiça para Igor, Guilherme e tantas outras vítimas da violência policial exige mais do que a saída reformista. Além da legalização de todas as drogas é necessário impor o fim da polícia e do sistema carcerário para acabar com a guerra às drogas, política racista que sustenta esses massacres. Além disso, é urgente derrotar politicamente a extrema direita que governa São Paulo, responsável por escalar a violência estatal.
Os protestos em Paraisópolis mostram que há resistência e reação por baixo. É preciso unificar as lutas em todo o país, pressionar por investigações independentes e exigir a responsabilização não apenas dos policiais que puxam o gatilho, mas também dos governantes que os autorizam. A vida de Igor, de Guilherme, Herus e de todos que perderam suas vidas nas mãos desse estado racista e genocida contra a população negra e periférica importam. Nossa tarefa é derrotar a extrema direita ultrarreacionária assim como a política racista de guerra às drogas que sustenta esses massacres, enquanto o Estado continuar matando, a resposta deve ser sempre a organização e luta.
Pelo fim da Polícia Militar e de todas as polícias!
Fora Tarcísio e Derrite!
Pela legalização da maconha e todas as drogas para tratar, cuidar e desencarcerar!
Justiça por Igor Oliveira, Guilherme, Herus e todas as vítimas do terror policial!











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