Diante de um cenário de grandes desafios, mas enormes possibilidades para luta,  apresentamos este manifesto programático construído pelo Já Basta – Juventude Anticapitalista e estudantes independentes para apontar saídas concretas e anticapitalistas para derrotar o projeto educacional racista e elitista e construir uma universidade verdadeiramente pública como nós queremos! Frente a necessidade de organizar a luta e de apresentar nas eleições para o DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme um programa à altura dos desafios que temos, fazemos um chamado aberto a todes es estudantes, trabalhadories e professories para seguir somando na construção desse manifesto e defender esta perspectiva conosco!

Juventude Já Basta! e estudantes independentes

Considerada “a melhor universidade da América Latina”, a USP esconde, por trás de seus cínicos slogans de excelência, uma política racista, elitista e produtivista desde a sua fundação em janeiro de 1934. Como produto direto da austeridade fiscal capitalista, da lógica tecnocrata e do projeto anti-ciência da extrema direita que governa o estado, esta realidade de exclusão e precarização só tem se aprofundado.

A atual reitoria de Carlos Carlotti e Maria Arminda é aliada de Tarcísio de Freitas e dirige a USP servindo para a continuidade deste projeto. Esta gestão leva adiante uma política de contratação de professories completamente insuficiente e uma ofensiva racista e higienista contra a permanência estudantil. Além disso, é permanente a tentativa de cerceamento e desmobilização do movimento estudantil, des trabalhadories e professories por parte desta casta burocrática que dirige a universidade.

Se não fosse a greve estudantil de setembro de 2023, construída à revelia da política do DCE dirigido pelo Correnteza/UP, Juntos/MES e UJC/PCBR, estaríamos diante de um déficit docente ainda mais dramático. Fruto da greve, conquistamos o adiantamento de até 2025 da recomposição das perdas desde 2014 e a contratação de 148 docentes temporários a mais até o final de 2024. Após quase dois anos, reitoria não cumpriu todas as contratações prometidas para 2024 e muitas vagas docentes ainda se encontram em estágio de concurso ou até mesmo congeladas.

A realidade de ataques à permanência atinge, primeiramente, es estudantes trabalhadories e negres egressos, sobretudo, da política de cotas raciais. É este setor o pioneiro a sofrer com o recorte de aulas noturnas pela falta de professories, a ter sua solicitação de auxílio permanência negada pela PRIP e a enfrentar as desumanas condições de moradia do CRUSP. Basta de elitismo e exclusão, é preciso derrotar esta reitoria higienista e autoritária!

Diante deste cenário, para virar a universidade do avesso e transformá-la pela raiz, é preciso apostar na luta direta e independente des estudantes de dentro e fora da universidade. Luta essa que deve ser realizada em unidade com es trabalhadories e  docentes a partir de medidas concretas e anticapitalistas para garantir as nossas demandas  sem nenhuma confiança na reitoria e nos governos dos patrões!

Derrubar os portões da universidade com a nossa luta!

Criada em seu princípio para atender os filhos do baronato paulista, a USP sempre teve como eixo ser uma instituição de ensino de excelência para as elites minoritárias. Em seu mecanismo de acesso, ela institui vestibulares de ingresso (FUVEST, ENEM-USP e Provão Paulista) que funcionam como filtros sociais e raciais para impedir o ingresso das massas trabalhadoras. Somente após a luta unificada do movimento negro, estudantil, indígena e de trabalhadories da universidade, se conquistou tardiamente em 2017 as cotas PPI.  Uma importante vitória sobre a burocracia universitária da vanguarda do atraso!

Nós queremos mais, queremos derrubar os portões da universidade! Este primeiro semestre foi marcado pelas mobilizações por cotas trans, permanência e vestibular indígena. No entanto, a luta foi absorvida por promessas de reuniões e GTs entre a atual gestão do DCE (Correnteza/UP e Juntos/MES) e a pró-reitoria. É uma tarefa imediata e central lutar pelo ingresso de pessoas trans e indígenas na USP, mas também, pela permanência desses estudantes, com auxílios com piso de um salário mínimo paulista e moradia para toda a demanda. É preciso, assim como foi a conquista das cotas étnico-raciais, lutarmos em unidade com o movimento trans e coletivos LGBTQIAPN+ de dentro e fora da universidade, movimento indígena, negro e de trabalhadories para arrancarmos medidas concretas para a implementação imediata dessas políticas de ingresso sem nos adequarmos ao tempo desta reitoria reacionária e anti-diversidade.

Promessas não são vitórias, por uma campanha massiva por cotas trans na USP já! É fundamental articular a importante mobilização que tem sido travada pela democratização do acesso à universidade à demanda histórica do movimento estudantil pelo fim do vestibular! A partir da nossa luta independente, temos que romper os portões da universidade para que ela possa ser ocupada pelas massas trabalhadoras e todo o conjunto des explorades e oprimides!

 

  • Não queremos ser objeto de pesquisa, mas sim ser estudantes e pesquisadores! Por cotas trans e PCDs já! 
  • Pela ampliação e democratização do acesso, por vestibular indígena já!
  • Basta de filtros racistas e elitistas! Pelo fim do vestibular!
  • Pela gratuidade imediata da inscrição para todos os vestibulares!
  • Pela ampliação das frotas e passe livre nos circulares!
  • Por bandejão para todes es estudantes dos cursinhos!
  • Abaixo a aplicação do ENADE!
  • Pela adaptação arquitetônica estrutural e didático-pedagógica para inclusão de todes!
  • Por uma universidade verdadeiramente pública, laica, de qualidade e à serviço da classe trabalhadora!