REDAÇÃO

Neste 1º de Maio, a luta dos Mártires de Chicago segue sendo atualizada pela mobilização dos novos setores da classe trabalhadora e dos oprimidos. Do ponto de vista internacional, a extrema direita, com governos como os de Trump, Orbán, Meloni e Milei, enfrentam resistência e limites ao seu reacionarismo impostos pela luta de classes. Temos crises estruturais cada vez mais agudas do sistema capitalista, da ordem mundial e do regime democrático burguês. 

Vivemos em um ciclo político de crises, guerras, conflitos – de vários níveis – e rebeliões. Isso se manifesta conjunturalmente, por um lado, na violência colonialista da extrema direita trumpista e do sionismo genocida de Israel, como o que acontece no Irã, Palestina e Líbano, bem como no expansionismo territorial da Rússia na Ucrânia e da China em Twan. E, por outro, no crescimento da resistência dos de baixo, como podemos assistir nas mobilizações massivas contra o ICE e o NO Kings nos EUA, manifestações ao longo da América Latina, da África e do Médio Oriente, assim como nas greves políticas históricas na Itália, marcando um enfraquecimento de governos ultrarreacionários  em diferentes países.

Derrotar nas rua o golpismo da extrema direita e os ataques do governo Lula

No Brasil, como reflexo particular que é todo país da conjuntura internacional, temos também uma forte polarização sociopolítica, porém essa ocorre ainda muito pela superestrutura política. Hoje podemos caracterizar a conjuntura no Brasil de ofensiva do Congresso e do ultrarreacionarismo e de fracasso e crise e defensiva do Governo, do STF e da política de conciliação de classes como um todo. 

Estamos diante de derrotas históricas para o governo, como a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, o que é uma declaração de guerra do Congresso ao governo. E ainda mais grave, porque fortalece o golpismo, tivemos a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, o que significa anistia e salvo conduto para novas tentativas de golpe de Estado. Essa dinâmica tem como consequências não apenas derrotas do governo, mas o fortalecimento da extrema direita nas eleições – Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados tecnicamente – e na luta de classes de forma geral.

A conjuntura de polarização pela direita é fruto direto da política do governo Lula e de sua base institucional e nos movimentos sociais, ou seja, do chamado lulismo que se sustenta organicamente na conciliação de classes.

Ao afirmar cinicamente que governos progressistas muitas vezes vencem eleições com discurso de esquerda, mas governam sob lógica de austeridade, Lula explicita um problema estrutural: ao administrar a ordem capitalista com as instituições do Estado burguês, atacar os interesses dos trabalhadores e oprimidos e desmobilizar permanentemente a luta direta das massas, abre uma avenida para o avanço da extrema direita e para o golpismo. 

Esse é um governo de discurso progressista e medidas de compensação social, mas que opera totalmente dentro dos estritos limites do capitalismo neoliberal. Como o capitalismo pela sua lógica exige mais e mais exploração, o governo por sua vez toma medidas cada vez mais frontais contra os trabalhadores e oprimidos para atender aos interesses dos patrões. Assim, ao administrar o ultraliberalismo em vez de o enfrentar, Lula não apenas mantém intactas as condições que sustentam a exploração e a opressão, mas as aprofunda; e, com isso, abre espaço para a  extrema direita capitalizar o descontentamento social.

Construir pela base um Plano Nacional de Lutas

A nível nacional, diversas mobilizações importantes ocorreram e seguem em curso, indicando  pela base uma mudança no cenário da luta de classes.

Temos, como exemplos, a luta contra a escala de trabalho 6×1, a greve dos trabalhadores dos Correios no final do ano passado, a greve dos petroleiros e as mobilizações contra privatizações de metrôs no Nordeste. Mas, principalmente, duas grandes lutas recentes marcam uma inflexão real: a mobilização dos povos originários e a dos entregadores por aplicativo. Essas experiências demostram que, mesmo em um contexto de ataques, há capacidade concreta de resistência e enfrentamento por parte da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, tanto ao golpismo da extrema direita quanto aos ataques do governo.

A luta dos povos indígenas foi particularmente exemplar. Ao enfrentarem a privatização e a exploração dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, demonstraram um nível elevado de organização e independência política. A ocupação da sede da Cargill e a postura combativa – “ou negocia com todos, ou não fala com ninguém” – demostraram que os povos indígenas não estavam ali para mediações vazias, mas para conquistar uma vitória concreta. E conquistaram: a revogação do decreto que previa a dragagem dos rios.

Da mesma forma, os entregadores organizados pela ONTDR  protagonizaram um ato histórico em Brasília conseguiram enterrar, ao menos temporariamente, o PLP 152 que era apoiado pelo governo. A defesa por parte do governo em unidade com o Centrão e a extrema direita em torno desse projeto expõe a olho nú a contradição de um governo que fala em redução da jornada enquanto propões manter e aprofundar as condições de superexploração – o PLP 152, além de não atender as reivindicações dos entregadores por plataformas, propunha criar a categoria de “trabalhador plataformizado”, o que significa retirar de várias categorias os mínimos direitos que ainda estão na CLT.

Na educação, o cenário também é de ebulição. A greve das universidades federais, com mais de 50 instituições paralisadas total ou parcialmente, retoma a luta pelo cumprimento dos acordos de 2024. Em São Paulo, professores estaduais e municipais entraram em greve contra a precarização e por melhores condições de trabalho, enquanto trabalhadores da Universidade de São Paulo voltaram a se mobilizar após quase uma década, exigindo recomposição salarial. Os estudantes da USP também retornaram à cena com greves em mais de 130 unidades paralisada.

Tudo isso reforça uma tendência: determinados setores, como povos originários, entregadores e juventude, têm demonstrado um enorme potencial de atuar como catalisadores do conjunto da classe, apontando caminhos de luta pela base, com independência e capacidade de unificação frente aos ataques.

Por essa razão, não podemos ficar presos ao imobilismo eleitoreiro ou ao sindicalismo rebaixado, características de alguns setores da esquerda, precisamos nos apoiar nessas lutas para mover camadas mais amplas da classe trabalhadora e dos oprimidos. É preciso se apoiar nas categorias mais mobilizadas para construir um  Plano Nacional de Lutas para arrancar vitórias nestes setores, derrotar o avanço da extrema direita golpista e os ataques do governo Lula.

O universo das reivindicações dos trabalhadores e oprimidos vai do atendimento às demandas das categorias em greve até o não pagamento da dívida pública, mas precisamos encontrar quais são os eixos centrais da luta nesse momento. Neste sentido, ha um processo de unificação por baixo que a nossa central – a CSP-Conlutas – não pode desconsiderar. Ao contrário, é preciso se apoiar nele para construir um programa mínimo de unificação das lutas e um calendário comum de mobilização por meio de Plenárias Regionais e uma Plenária Nacional de Trabalhadores em Luta.

Entre os avanços do golpismo da extrema direita e dos ataques do governo, estamos diante de importantes mobilizações que podem ser vitoriosas. Por isso, fazemos o chamado a Plenárias de Ativistas de Base com o objetivo de constituir uma força independente que possa atuar para unificar as lutas em curso. Esse é um chamado a toda esquerda socialista, mas particularmente ao PSTU, que é a corrente majoritária da CSP-Conlutas – entidade que pode concentrar em torno dela o melhor da vanguarda lutadora, sendo essa orgânica ou não à nossa Central.

Nesse contexto, por ocasião do 140º aniversário do 1º de maio, convocamos os ativistas e organizações independentes dos patrões e dos governos a se unificarem na prática, erguendo as bandeiras imediatas e históricas da classe operária para derrotar a extrema direita e os ataques dos governos, defendendo uma perspectiva anticapitalista com total independência das direções reformistas e burocráticas.

Para este primeiro de maio, levantamos:

O atendimento imediato das demandas de todas as categorias e setores em luta

Derrotar definitivamente o PLP 152

Exigimos do governo Lula uma MP que atenda a todas reivindicações dos entregadores e demais trabalhadores por app

Lutar contra a escala de trabalho 6×1 e por 30h semanais sem redução de salário

Lutar contra a anistia para Bolsonaro e demais golpistas

Exigir Investigação autónoma dos esquemas do banco Master

Convocar imediatamente uma Plenária Nacional de Trabalhadores por Plataforma

Construir uma Frente de Esquerda unificada para a luta e para as eleições

Derrotar nas ruas o golpismo da extrema direita e os ataques do governo Lula

Por um plano político e econômico dos trabalhadores