Como escreveu Gonçalves Dias (1846) em Canção do Tamoio: “a vida é luta renhida. Viver é lutar.”
Por JUVENTUDE ANTICAPITALISTA – JÁ BASTA!
As eleições do CAELL ocorrem em um momento decisivo para os estudantes de Letras e para toda a universidade. Dentro e fora da USP, vivemos uma combinação de ataques que atravessam nossa geração: cortes de bolsas, precarização, militarização e mercantilização do ensino e uma contraofensiva da extrema direita apoiada por Trump que tenta garantir a anistia de Bolsonaro e dos golpistas. Um movimento que busca perpetuar o ciclo histórico de impunidade ao golpismo no país e aprofunda, em última instância, os ataques às liberdades democráticas conquistadas pelo movimento estudantil junto aos trabalhadores.
O cenário político nacional expressa, ao mesmo tempo, grandes perigos e novas possibilidades. Depois de um longo período de inércia promovido pelo lulismo e pela esquerda da ordem, assistimos à retomada da mobilização de rua por esquerda com a histórica jornada de luta de 21 de setembro. Essa data marcou uma vitória concreta da luta: a derrota da PEC da Bandidagem, que impôs um revés momentâneo ao Centrão e à extrema direita.
No ensino superior público, e particularmente na USP e na Faculdade de Letras, essa realidade se manifesta de forma aguda. Sofremos os efeitos diretos de uma política de ofensiva articulada entre a Reitoria, o governo estadual de Tarcísio e até mesmo o governo federal – que chegou ao absurdo de anunciar, no Dia do Professor, uma parceria do MEC com o iFood, símbolo máximo da precarização do trabalho.
O resultado dessa ofensiva é claro: o ranqueamento, o desmonte de nosso currículo para nos formatar ao mercado precário, a falta e sobrecarga de docentes, o corte de bolsas e uma estrutura universitária cada vez mais excludente. A verdade é que a USP e a Letras seguem expulsando estudantes trabalhadores, negros, trans, PCD e indígenas, negando o caráter público, gratuito e socialmente referenciado que a universidade deveria ter.
Sendo assim, as eleições do CAELL ganham extrema importância. Mais do que uma disputa pelo aparato, deve-se definir qual papel o centro acadêmico deve cumprir frente aos desafios da nossa época. Um CAELL de luta, construído pela base, pode ser o elo entre as reivindicações imediatas da Letras e as batalhas mais amplas que atravessam a juventude e a classe trabalhadora no país.
A tarefa deve começar por superar o rotineirismo e o imobilismo que hoje marcam parte do movimento estudantil, em especial a atual gestão do DCE que infelizmente pouco aposta na mobilização e na auto-organização estudantil para enfrentar os ataques com independência política.
Nesse sentido, é importante debater também as experiências recentes. O giro à direita do PSTU, ao compor a atual gestão do DCE com Correnteza/UP e Juntos/PSOL, expressa um taticismo de caráter oportunista que enfraquece a construção de uma alternativa realmente à altura dos desafios. No entanto, acreditamos que os companheiros e companheiras podem reencontrar-se no movimento sob o campo da esquerda independente, anticapitalista e de oposição ao lulismo.
A história do nosso movimento mostra que a unidade real se constrói não a partir de acordos administrativos, mas sim com um programa consequente e uma militância comprometida com a auto-organização da base: o CAELL precisa ser o espaço vivo dessa reorganização.
Por isso, defendemos a realização de uma plenária unificada das juventudes Já Basta!, Faísca e Rebeldia, aberta a toda a base da Letras. Um espaço para o debate programático franco, para a construção de pautas comuns e para envolver o conjunto do corpo discente no processo eleitoral e nas lutas que estão por vir.
Somente assim poderemos fortalecer a organização e a mobilização das atuais e futuras gerações, que têm diante de si uma tarefa histórica: enterrar o ciclo da anistia, colocar Bolsonaro e todos os golpistas na cadeia, derrotar Trump e o imperialismo, romper relações do nosso país com o estado genocida de Israel e enfrentar os ataques do governo de Lula-Alckmin!
Na Letras, é preciso lutar por:
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Cotas trans, PCDs e vestibular indígena! Fim do vestibular!
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Despejo Zero no CRUSP! Por bolsas PAPFE para toda a demanda no piso valor de um salário mínimo paulista (R$1.804)!
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Ruptura dos convênios da USP com universidades israelenses! Basta de pesquisa e conhecimento à serviço do genocídio!
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Fim do ranqueamento na Letras com a volta do Gatilho automático de professories e funcionáries! Pela contratação de professores PPI com Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP)!
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Por uma reforma curricular democrática e discutida pelos 3 setores! Basta de precarização do nosso ensino! Por literaturas africanas obrigatórias já! Abaixo a aplicação do ENADE!
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Pelo aumento da quantidade e valor das bolsas de ensino, pesquisa e extensão!
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Pela adaptação arquitetônica estrutural e didático-pedagógica para inclusão de todes!
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Revogação do Teto de gastos da USP! Pela abertura do livro de contas já!
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Fora Polícia Militar do campus!
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Pelo fim da terceirização! Contratação imediata de funcionáries e a efetivação de terceirizades sem necessidade de concurso público! Pelo fim do banco de horas des funcionáries!
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Pela expulsão dos agressores, sejam eles professores, funcionários ou alunos! Ampliação da iluminação do campus e a criação de comissões independentes que acolham e acompanhem as denúncias!
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Eleições diretas e paritárias para reitoria! Estatuinte livre, democrática e soberana elaborada pelos estudantes, trabalhadories e docentes!
Construir essa unidade política voltada à ação é o passo necessário para fazer do CAELL um verdadeiro instrumento de luta e organização da base, capaz de ligar a sala de aula à rua, a Letras ao conjunto da USP, e a universidade às lutas do país e do mundo!









