Por Sthefany Zúñiga 

Na última quinta-feira (13), o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou o início da Operação “Lança do Sul” para expulsar os “narcoterroristas” do hemisfério. 

Assim, a Casa Branca avança com o deslocamento militar que começou há alguns meses no Caribe, que usa como desculpa para encobrir seus atos de terrorismo de Estado na região. No momento em que escrevíamos esta nota, o exército dos EUA bombardeou mais de 20 embarcações “acusadas” de transportar drogas, resultando em um total de 80 execuções extrajudiciais (ou seja, assassinatos sem condenação). 

O governo dos EUA invocou a “guerra às drogas” para justificar o envio de navios de guerra, caças F-35, aeronaves de reconhecimento e outros ativos militares. Agora, com a Operação “Lança do Sul, busca expandir o deslocamento militar com navios robóticos de superfície de longa duração, pequenos barcos interceptadores robóticos e aeronaves robóticas de decolagem e pouso vertical na área chamada Southcom. 

O anúncio da operação coincide com a chegada do USS Gerald R. Ford, que conta com 5.000 marinheiros, mais de 75 aeronaves e é o navio de guerra mais caro do mundo. A transferência desse porta-aviões para o Caribe marca um evento importante em termos geopolíticos, já que ele era mantido na Europa para “controlar” a Rússia. 

No total, a Marinha dos EUA possui 11 porta-aviões, dos quais geralmente mantém três operacionais. Os outros dois estão localizados no Japão (protegendo a Ásia, especialmente da China) e no Oceano Índico (para monitorar o Oriente Médio). Assim, este é o maior destacamento militar desde a Operação “Tempestade no Deserto” no Golfo Pérsico em 1991 e, no contexto caribenho, o maior desde a crise dos mísseis de Cuba em 1962. 

Por causa disso, as tropas no Caribe passaram de 10 mil soldados para 15 mil. Ao longo do ano, exercícios militares com tropas regulares foram realizados no Panamá. Além disso, Trinidad e Tobago anunciou o início de exercícios militares conjuntos com as forças armadas dos EUA e, por sua vez, Noboa (Equador) também trabalha muito de perto com o imperialismo americano (embora tenha sofrido uma derrota retumbante no referendo para reabrir bases militares em seu país). 

Ao mesmo tempo em que fez o anúncio sobre a Operação “Lança do Sul”, Trump declarou que “Já decidi mais ou menos” sobre possíveis ações contra a Venezuela. “Não posso dizer qual é [a decisão], mas fizemos grandes progressos com a Venezuela no que diz respeito a impedir a invasão das drogas.”, agregou. Em entrevista à CBS, o inquilino da Casa Branca disse que os dias de Maduro no poder “estão contados.” 

Segundo o The Washington Post, Trump já identificou alvos dentro da Venezuela, incluindo instalações militares supostamente usadas para tráfico de drogas. No entanto, o verdadeiro objetivo seria enviar uma mensagem a Maduro: chegou a hora de ele deixar o poder. 

De Maduro a Petro, as ameaças de Trump no Caribe e no Pacífico 

Nas últimas semanas, como parte da escalada e do início dos ataques a embarcações no Pacífico, Trump também começou a ameaçar Petro, presidente da Colômbia. Como no caso de Maduro, ele o aponta como “um líder do tráfico de drogas que incentiva a produção em massa de drogas. 

Como parte das tensões, Washington retirou da Colômbia sua certificação como parceira colaboradora na luta contra o tráfico de drogas e impôs sanções econômicas contra Petro, sua esposa, um filho e um conselheiro próximo. 

A isso se somam as ameaças de Washington: “Eles estão indo muito mal na Colômbia, produzem cocaína, têm fábricas de cocaína, cultivam drogas muito ruins que chegam às costas dos Estados Unidos, geralmente pelo México. É melhor ter cuidado, porque tomaremos medidas contra ele e seu país. Ele caiu em uma armadilha mortal.“. 

Diante das ameaças crescentes, Maduro escolhe buscar apoio da Rússia, China e IrãNo caso de Moscou, foi enviado um pedido para aumentar a colaboração militar e assistência solicitando radares defensivos, reparos de aeronaves e, possivelmente, mísseis. Para o Kremlin, Caracas é um parceiro relativamente importante na região; por exemplo, empresas russas produzem 100.000 barris de petróleo, que representam 11% da produção venezuelana e geram cerca de 67 milhões de dólares por mês. 

Além disso, a Rússia possui direitos de exploração e exportação sobre os campos offshore de gás de Patao e Mejillones, avaliados em até 5 bilhões de dólares. No entanto, devido às sanções internacionais e ao desenvolvimento da guerra na Ucrânia, elas levaram a uma diminuição dos investimentos do país eurasiático em Caracas. 

No caso da China, Maduro teria solicitado “maior cooperação militar” entre seus dois países para conter “a escalada entre os Estados Unidos e a Venezuela.” Quanto ao Irã, Ramón Celestino, ministro dos transportes da Venezuela, coordenou um recente envio de equipamentos militares e drones, como “equipamentos de detecção passiva”, “bloqueadores de GPS” e, “quase certamente, drones com alcance de 1000 km [600 milhas].” 

Diante disso, fica claro que há uma escalada nas ameaças da Casa Branca contra a Venezuela. Além de possíveis ataques militares contra o país, também é possível que Trump especule que haverá algum movimento interno que deponha o governo Maduro, sabendo o quão corroído está hoje o apoio ao regime chavistaAlém disso, essa é a orientação que desenvolve a “Prêmio Nobel da Paz”, María Corina Machado, que repetidamente disseminou mensagens em apoio a uma intervenção militar dos EUA e incentiva as forças armadas venezuelanas a deporem as armas nas horas decisivas que se aproximam. 

Reiteramos nossa rejeição à presença militar no Caribe e às ameaças do imperialismo dos EUA contra a Venezuela (e agora contra a Colômbia). Estamos ao lado do povo venezuelano na defesa de sua soberania nacional e do direito à autodeterminação. Fazemos isso sem dar qualquer apoio político ao governo autoritário e burguês de Maduro, enquanto denunciamos a oposição burguesa pró-imperialista que apoia e incentiva abertamente uma intervenção militar dos EUA.