Após a repressão brutal de Bullrich
A “cereja do bolo” de meses de escândalos e crises foi a selvagem repressão desencadeada por Milei e Bullrich contra aqueles que se mobilizavam em defesa dos aposentados. Bullrich precisa sair. É urgente uma greve geral já.
A repressão selvagem foi ordenada por Bullrich, aconteça o que acontecer. As imagens de aposentados sendo atingidos por gás lacrimogêneo e sendo agredidos já haviam circulado pelas redes sociais e foram o estopim para a convocação do dia 12 de março. A violenta ofensiva policial começou assim que os manifestantes foram para a rua. Desde o primeiro minuto, iniciou-se a caça.
A miséria que este governo impõe aos aposentados não poderia ser suportada para sempre. Eles foram a principal variável do ajuste de Milei. Os 30% do ajuste de 2024 foi destinado a aposentadorias e pensões. O salário mínimo está muito abaixo da linha da pobreza. Além disso, retiraram os medicamentos gratuitos. A repressão de Bullrich não poderia impedir a onda de indignação.
A violência repressiva foi preparada para dar uma lição. As desculpas sobre a violência dos manifestantes são mentiras evidentemente fabricadas. Foi possível ver, à luz do dia, as provocações criadas para justificar a repressão. Uma das imagens mais grotescas foi quando se viu a polícia plantando uma arma para criminalizar os manifestantes.
Caça aos manifestantes, tiros, agressão com cacetete nos aposentados, gás, centenas de detenções. Todos foram retratos da necessidade de um governo em crise de se mostrar forte para superar sua recente crise.
Quase desde o começo do ano, o governo vive de escândalo em crise, e de crise em escândalo. O ano político começou com a massiva mobilização de 1º de fevereiro, uma resposta nas ruas contra o discurso de ódio ultra-reacionário de Milei em Davos contra as pessoas LGBTQIA+. Depois veio o escândalo do “criptogate”, quando foi possível ver, à luz do dia, diante de todos, a participação do presidente em uma fraude de lumpens da internet. Neste momento, a crise continua devido à catástrofe em Bahía Blanca e à negligência do governo. E agora, o escândalo da repressão contra a manifestação dos aposentados.
Paralelamente à repressão de Bullrich, as brigas entre deputados da “Libertad Avanza” dentro do Congresso foram mais um escândalo à vista de todos. Como se o que estava acontecendo fora já não fosse suficiente.
Fica evidente que há uma crescente raiva popular dos de baixo. Uma raiva que poucas vezes tem uma forma política de se expressar. Costuma se manifestar no cotidiano através dos inúmeros casos de violência, desconforto e desintegração social do dia a dia. Com a manifestação dos aposentados, a crise social conseguiu ter uma forma de expressão política e começou a apontar para os responsáveis pelo que as maiorias populares vivem e sofrem na Argentina. A agressão constante do governo contra os trabalhadores têm consequências.
Se a crise não é mais profunda, é porque o regime político trabalha para sustentar Milei. Já havia ficado claro com a votação no Senado para que ele não fosse investigado pela fraude de criptomoedas. Nenhum dirigente peronista de importância fez parte da marcha de ontem. Nenhum. Nem um deputado, nem um prefeito, nem um dirigente sindical.
A CGT (principal central sindical da Argentina) está de férias desde janeiro de 2024. Agora, seus dirigentes fingem estar atentos e sugerem convocar uma greve geral. Sem dúvida, é uma tentativa de retomar o controle sobre o protesto convocando uma greve no domingo, com a qual possam mandar as pessoas de volta para casa. E para que Milei governe de maneira mais tranquila até as eleições. O Nuevo MAS e a esquerda terão a responsabilidade de lutar para transformar isso em uma greve ativa, caso finalmente seja convocada.
Já começam a circular convocações para se mobilizar novamente na próxima quarta-feira (19/03) para o Congresso, novamente em defesa dos aposentados.
Ao mesmo tempo, já estamos preparando uma grande jornada de mobilização para o próximo dia 24 de março, no novo aniversário do golpe de Estado genocida. As principais bandeiras são: greve geral ativa já, fora Bullrich, basta Javier Milei.
Tradução Ana Paula Scandola