Comprovando a análise de que vivemos uma Era da Combustão de crises, guerras, revoluções (rebeliões) e contrarrevoluções, atestando a polarização absoluta na ordem mundial, o artigo abaixo mostra a reação do sionismo israelense contra os diretores do filme “Naza”.
Numa conjuntura em que a extrema direita tem crescido em todos os continentes, encontramos os de baixo, leia-se a juventude, nas últimos dias, respondendo com mobilizações multitudinárias em vários cantos do globo, sobre todo e qualquer tipo de ataque do capital perpetrado por seus gerenciadores (sejam quais forem: dos reformistas aos da extrema direita) como na França, Espanha, Brasil, Argentina, etc…
As manifestações se apresentam nas mais diversas formas de luta: desde as de rua às manifestações culturais, principalmente. A arte no geral sempre foi e sempre será um campo privilegiado de resistência ao bonapartismo, ao fascismo, em defesa das liberdades democráticas e mesmo da construção da revolução socialista.
Ai se inserem, por exemplo, as falas de grupos musicais e dos mais diversos atores estadunidenses contra o fascismo de Trump (no Brasil dos mesmos setores contra o Bolsonarismo) e o filme “Naza” contra o genocídio sionista.
O artigo “Netanyahu e o sionismo abrem uma campanha de perseguição contra os diretores de NAZA” nos abre os olhos não somente para a escuridão construída pela extrema-direita genocida de Israel, mas, principalmente, para as luzes da resistência, da coragem, da revolta e da militância de artistas que afrontam o sistema e o encurralam.
Nesse sentido toda e qualquer ação dos de baixo não envolve apenas os aspectos locais: se inserem no conjunto das lutas mundiais e são demonstração da possibilidade de vitória contra o atraso e a violência da extrema-direita, e, até mesmo, de um processo pré-revolucionário. Inclusive no Brasil.
Por José Roberto Silva
Netanyahu e o sionismo abrem uma campanha de perseguição contra os diretores de NAZA
Em meio ao terremoto internacional provocado pela exibição do filme/documentário Naza no Festival de Veneza, o governo sionista abre caminho para uma feroz perseguição contra os diretores.
Por Gastón Leiuqexe
O governo de Israel, com a cumplicidade de todo o establishment sionista, tenta desencadear uma caçada social, penal e política contra os diretores do premiado documentário Naza, realizado por cineastas israelenses com o apoio do jornal The Guardian.
Primeiro, pediram que lhes retirassem a nacionalidade. Agora, Netanyahu pede que os diretores e os entrevistados sejam investigados. O documentário baseia-se em entrevistas com membros do Serviço de Inteligência que falam sobre o sistema dos “Naza” nos massacres de palestinos.
Eles contam que as tropas sionistas sabem perfeitamente que, quando estabelecem o objetivo de matar alguém, também estão matando quem estiver por perto. Um “Naza” é um “dano colateral”: se, com um míssil, queriam matar uma pessoa sabendo que matariam cinco, havia quatro “Naza”. Eles relatam que está perfeitamente estabelecido que se mata simplesmente por matar.
No pedido de investigação de Netanyahu, lê-se:
“Existe a preocupação de que os envolvidos neste filme difamatório tenham cometido crimes graves ao divulgar informações ultrassecretas e provocar uma violação de segurança relacionada a dados de uma unidade de inteligência extremamente sensível”.
Que dizer então que, o filme é “difamatório” mas, ao mesmo tempo, divulga “informações ultrassecretas”? Se é “difamação”, então não há nenhum segredo de Estado vazado; e, se há vazamento de informações ultrassecretas, não é “difamação”.
A tudo isso se soma a ameaça à vida dos diretores por parte da extrema direita.
Perseguição e censura de um regime genocida
Desde a estreia de “Naza”, Benjamin Netanyahu ameaçou retirar a nacionalidade dos diretores. Na quarta-feira passada, anunciou uma lei para revogar a nacionalidade daqueles que “difamem” os soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF). Praticamente, colocava na lei os nomes de Yuval Abraham e Rachel Szor.
“Chegou o momento de cuidar disso, e vou apresentar duas leis agora mesmo, leis do Governo: a primeira, revogar a cidadania de qualquer pessoa que difame os soldados das FDI. A segunda, atingir seus bolsos e aumentar em 20 vezes o valor da indenização por difamação que pode ser exigida deles” (RTVE).
E depois:
“Atingi-los tanto no bolso quanto na cidadania, porque o lugar deles não é entre nós”.
A isso se soma o pedido do “ministro da Cultura”, Miki Zohar, para que os serviços de inteligência do Estado iniciem uma investigação contra os diretores. Soltando os cães sobre eles.
Mas não é apenas a pressão estatal: os grupos de direita pró-genocídio também participam da perseguição. Há semanas, eles vêm realizando manifestações ameaçadoras em frente à casa dos pais da cineasta Rachel Szor, lideradas pelo agitador de extrema direita Mordechai David. Com gritos como “pena de morte aos traidores”, cartazes com dizeres como “traição aos mortos das FDI (Forças de Defesa de Israel)” e “denunciem os traidores que existem entre nós”.
“Em uma dessas gravações, Mordechai aparece incentivando as pessoas a informar caso vejam algum dos diretores de Naza em qualquer lugar, como no supermercado ou sentados em um restaurante, embora eles atualmente estejam fora do país.” (RTVE)
São capazes disso e de muito mais: não se deve esquecer que são os responsáveis pelo genocídio em Gaza e pelo deslocamento forçado de palestinos na Cisjordânia.
Um terremoto na escuridão
Com declarações como a de Netanyahu, que comparou o filme a “um míssil” contra Israel (El País), o documentário, que ainda não foi lançado ao público — o que acontecerá em novembro próximo —, está provocando um verdadeiro terremoto desde sua exibição no Festival de Veneza. Não apenas recebeu o Prêmio Especial do Júri, como também foi aplaudido de pé por quase 25 minutos, a ovação mais longa já registrada no evento.
Os diretores, que também fizeram parte do premiado No Other Land (Yuval Abraham e Rachel Szor, juntamente com os palestinos Basel Adra e Hamdan Ballal), já estavam na mira de Israel. Como comentamos anteriormente, tentaram fazer desaparecer um dos diretores palestinos. Se não conseguiram, foi apenas por causa da pressão internacional. Neste ano, tentaram novamente, mas, como não o encontraram, prenderam membros de sua família.
Classificado como “Um triunfo da aliança entre o jornalismo e o cinema” (El País), “Naza” foi filmado durante a noite, nos telhados de Tel Aviv. Reúne o testemunho de 24 oficiais da inteligência israelense, revelando, pela voz dos próprios perpetradores, um dos mecanismos utilizados para massacrar dezenas de milhares de palestinos desde o início da nova ofensiva genocida.
Como comenta o El País sobre o documentário:
“[Tem como alvo] a opinião pública de seu próprio país e a dos Estados que o apoiam e sustentam, sobretudo os Estados Unidos e a Alemanha, onde a censura à causa palestina tem operado desde 2023 de maneira escandalosa em museus, ruas, centros culturais e universidades. NAZA não é um filme concebido para convencer aqueles que já estão convencidos, ou para comovê-los […], mas para confrontar os negacionistas com testemunhos verificados.”
O filme representa um grande perigo para a máquina de propaganda genocida. Por isso, mesmo antes de seu lançamento, já se vê que as tochas e os forcados estão preparados para a caça às bruxas.










