Por REDAÇÃO IZQUIERDA WEB

17 Julho, 2025 

 Israel ataca novamente em várias frentes ao mesmo tempo. O Estado sionista protagonizou três novas atrocidades nos últimos dias: bombardeios na Síria e no Líbano e um novo massacre em Gaza. 

O governo de Netanyahu se comporta como um gendarme na região. Todos os ataques têm as mais diversas desculpas, mas no final tudo se resume à mesma causa: colocar toda a região de joelhos

O bombardeio em Damasco 

Usando como desculpa o conflito entre os beduínos, o exército sírio e os drusos, Israel bombardeou Damasco. O bombardeio teve como alvo o Ministério da Defesa da Síria; pelo menos uma pessoa foi morta e 18 feridas. O prédio do governo sofreu o colapso de quatro andares e sua fachada destruída é testemunho do novo crime do Estado sionista

A desculpa para o conflito druso/sunita/beduíno é apenas isso: uma desculpa, ainda que este não deixe de ser um conflito real. Os drusos são uma minoria étnica e religiosa na Síria e vêm travando um conflito armado de baixa magnitude com os beduínos, um grupo “árabe” nômade. Um conflito em que cerca de 250 mortes foram registradas em quatro dias

Em resposta a isso, o exército do novo governo sírio interveio na cidade mais povoada pelos drusos, Sweida, não sem cometer crimes contra a população. Assim, Israel encontrou a desculpa perfeita para continuar buscando subjugar toda a região. Uma desculpa semelhante foi usada por Israel em maio. A coalizão do governo é hegemonizada pelo islâmico Ahmed al-Sharaa, que nos últimos anos se tornou “moderado” e está tentando formar um governo com representação de minorias políticas, religiosas e étnicas. 

O Estado israelense recorreu a ataques em larga escala a instalações civis e governamentais“, denunciou al-Sharaa. “Desde a queda do regime de Assad, o Estado israelense tem repetidamente tentado minar nossa estabilidade e semear discórdia entre nós, e está trabalhando para transformar nossa terra pura em uma arena do caos”. 

Os ataques a alvos militares e o bombardeio a Damasco são uma continuação da ocupação das Colinas de Golã. O sionismo procura subjugar e bloquear o desenvolvimento dessa nova coalizão de hegemonia sunita que tomou o poder na Síria após a queda de Al-Assad. 

Israel quer a todo custo evitar qualquer tipo de recuperação da Síria após o fim do regime de Al-Assad. Seu projeto supremacista e fascista exige a aniquilação dos palestinos e a sujeição de todos os povos vizinhos. O sionismo percebe como perigoso até mesmo o menor traço de soberania dos povos do Médio Oriente

O novo governo de al-Sharaa tentou se apresentar como amigável aos Estados Unidos e a Israel. Não se tratava de uma mera tática: sua política externa era a de buscar aliados internacionais para a reconstrução do desmantelado Estado sírio. Mas o projeto colonial não pode tolerar a mais mínima independência política dos países vizinhos e de seus povos, nem mesmo com governos “moderados” e conciliadores. O uso da desculpa drusa é uma tentativa de forçar os conflitos internos na Síria a se sustentarem nesse meio tempo

A Síria neste momento está de fato dividida entre forças étnico-religiosas militares muito diversas e às vezes muito hostis. Uma manifestação da fragmentação do país é o conflito entre beduínos muçulmanos e drusos. O governo em Damasco está tentando reunir todos esses grupos, mas sob sua própria hegemonia sunita

Mesmo antes da queda de Al-Assad, o grupo armado que agora encabeça o governo tinha muitas queixas de repressão e perseguição de minorias. Sua mudança de rosto, de sectário-religioso para a de “unidade nacional”, foi absolutamente necessária para seu triunfo. Mas isso não muda o caráter de seus grupos armados ou sua base social. A reunificação da Síria não está provando ser uma estrada pavimentada fácil de percorrer, e o novo governo está testando acordos e concessões, bem como da força. 

Israel prefere sustentar divisões e conflitos ao longo do tempo, para forçar uma guerra permanente em todos os países vizinhos. Sua ação na Síria é a de perpetuar eternamente o conflito armado. É outra de suas características comuns com o fascismo: a ideologia e a prática da guerra permanente

Eles são muito óbvios: o bombardeio israelense de Damasco foi depois que um cessar-fogo foi anunciado em Sweida

Bombardeio do Líbano 

Israel também se ocupou em bombardear o leste do Líbano, matando 12 pessoas e ferindo outras 8. A desculpa foi que era um campo de treinamento do Hezbollah. Em novembro do ano passado, uma trégua entre o Líbano e Israel foi declarada, mas ela tem sido violada diariamente por Israel. 

O acordo de trégua afirmava que Israel deveria retirar suas tropas do país, algo que não fez. Sim: enquanto se apresenta como vítima, o sionismo mantém áreas militarmente ocupadas no sul do Líbano.  

Foi precisamente assim que o próprio Hezbollah surgiu. Israel interveio na guerra civil libanesa que começou em 1975 invadindo o sul do Líbano no início dos anos 1980. Ele fez isso colocando-se do lado hegemonizado por uma milícia explicitamente fascista: a cristâ Falange Libanesa. Obviamente, eles adotaram esse nome da Falange fascista do regime espanhol de Franco. O sul libanês é o lar da maioria dos muçulmanos xiitas do país, que não tiveram uma representação armada na guerra civil. Eles começaram a tê-lo como resistência à ocupação militar sionista: foi assim que o Hezbollah surgiu, como um grupo armado à ocupação militar sionista

Ao general alemão e aliado dos nazistas Erich Ludendorff é creditada a frase militarista: “a paz nada mais é do que o momento intermediário entre duas guerras“. Pode-se dizer que essa frase reflete perfeitamente como são as “tréguas” de Israel se não fosse pelo fato de que, com o sionismo, nem mesmo a “paz” termina com a guerra. Os colonizadores, logicamente, sentem-se “inseguros” tendo ao seu redor povos atacados e colonizados.  

Quem foi e é vítima de um crime, naturalmente quer algum tipo de justiça. O sionismo, como o fascismo, é um projeto impossível, de guerra e instabilidade permanentes. Porque a única “paz” que os perpetradores do genocídio podem conceber é o extermínio absoluto de todos aqueles que eles percebem como “inimigos”

Israel massacra 90 palestinos em 24 horas. 

Pelo menos 21 pessoas morreram esmagadas em uma debandada causada pelos militares de Israel na quarta-feira. Centenas de milhares de palestinos estavam em um ponto de distribuição de ajuda humanitária em Khan Younis. O exército de ocupação disparou granadas de gás lacrimogêneo, causando uma corrida que terminou com a morte de pelo menos 21 pessoas esmagadas. Uma nova armadilha mortal, desta vez gerando um clima de sufocamento e um posterior massacre. 

Israel transformou “centros de ajuda humanitária” em armadilhas mortais. Na verdade, concentra os palestinos em busca de água e comida para perpetrar um massacre após o outro. 

Além disso, novos bombardeios foram registrados. Entre eles, o sionismo mirou a “Igreja da Sagrada Família”, uma Igreja Católica localizada em Gaza. O ataque deixou dois cristãos palestinos mortos e um padre de origem argentina ferido, Gabriel Romanelli

Diante disso, o governo sionista de Javier Milei teve que se pronunciar … enquanto continua a apoiar o genocídio. “A República Argentina expressa sua séria preocupação com os fatos ocorridos na Igreja Católica da Sagrada Família, na Faixa de Gaza, no contexto dos quais o padre Gabriel Romanelli, cidadão argentino e pároco dessa comunidade, foi ferido.” Os “fatos ocorridos”, diz ele, em vez de “bombardeio sionista”. “Os fatos ocorridos”, como se “os fatos” se fizessem por si só

Tradução de José Roberto Silva de Israel bombardea Siria y Líbano, y perpetra una nueva masacre en Gaza