Redação Esquerda Web
Enquanto o iFood promove um megaevento milionário com ingressos a mais de R$ 1.500 por dia, dezenas de entregadores ocuparam nesta terça-feira (5/8) a entrada do São Paulo Expo para denunciar a realidade de exploração imposta pela plataforma. Motoboys e ciclistas de diferentes organizações de base protestaram contra a precarização sistemática do trabalho e exigiram a aprovação do Projeto de Lei 2479/2025, conhecido como “PL do Breque”, que visa garantir o mínimo de dignidade à categoria.
O iFood Move é a vitrine de um setor que lucra bilhões enquanto ignora as condições degradantes enfrentadas diariamente pelos trabalhadores que sustentam sua operação. O evento reuniu executivos, empresários e celebridades como Usain Bolt e Hugo Calderano, num espetáculo de luxo e marketing vazio que tenta encobrir as denúncias e reivindicações legítimas dos entregadores.
O “PL do Breque” propõe um piso de R$ 10 por entrega de até 4 km, R$ 2,50 por quilômetro adicional, além de R$ 0,60 por minuto de espera a partir do 11º minuto — medidas básicas frente à realidade atual, em que ciclistas recebem apenas R$ 7 por entrega e motoboys R$ 7,50. A proposta é resultado direto da luta e da organização da categoria, que exige respeito, remuneração justa e condições de trabalho minimamente decentes.
Em tentativa descarada de esvaziar o ato, o iFood lançou uma “promoção relâmpago” oferecendo míseros R$ 5 extras por entrega no mesmo horário do protesto. Uma manobra cínica para cooptar trabalhadores com fome, enquanto se recusa a dialogar com suas pautas reais. A resposta dos entregadores foi clara: não aceitaremos migalhas enquanto o sistema segue lucrando às custas da nossa precarização.









