Todo apoio e solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.

Por Danilo Moreira 

A greve dos Correios escancara, mais uma vez, os limites da conciliação de classes. Enquanto trabalhadores e trabalhadoras enfrentam o arrocho, a direção da empresa, amparada pelo Tribunal Superior do Trabalho e pela passividade do governo, busca transferir a crise para quem vive do próprio trabalho.

A atual direção sindical, que é base de apoio do governo Lula/Alckmin, tem atuado sistematicamente para conter as mobilizações, buscando uma saída restrita às instituições e à conciliação. Mesmo diante da ausência de avanços concretos nas negociações, essa direção defendia a manutenção da greve por apenas mais uma semana, sob o argumento de que a empresa havia recorrido ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para mediação.

O que se apresentava como uma suposta mediação judicial — com um juiz definindo valores e determinações para as partes — rapidamente revelou seu verdadeiro caráter. O TST passou a atuar em favor da empresa, impondo uma liminar que estabelece multas contra os sindicatos que mantiverem o movimento grevista. Não por acaso, já no dia seguinte à deflagração da greve, a empresa afirmava que mais de 90% do efetivo não teria aderido à paralisação, numa tentativa clara de deslegitimar a luta.

No dia, 24 de dezembro, a empresa divulgou uma nota informando que encerraria sua participação nas negociações, após 18 dos 34 sindicatos recusarem a proposta apresentada. Trata-se de uma postura profundamente irresponsável, que abandona os trabalhadores e trabalhadoras que mantêm a empresa de pé, ao mesmo tempo em que busca empurrar a crise para as costas da categoria.

Do lado do governo, o silêncio é quase absoluto. Lula limita-se a afirmar que os Correios não serão privatizados, enquanto acena com a possibilidade de parcerias com empresas estrangeiras. Em reunião com Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência, afirmou que trataria do tema com o Executivo. É insuficiente. Este é o momento de exigir do governo Lula um subsídio público imediato para enfrentar a crise da empresa, assim como interveio recentemente no tarifaço em favor de empresas privadas e como faz, ano após ano, com o bilionário Plano Safra destinado ao já bilionário agronegócio.

Não será um empréstimo concedido por bancos privados que salvará os Correios. Seguir por esse caminho significa, no fim das contas, fazer com que o erário público e os trabalhadores paguem a conta.

A proposta encaminhada pelo TST prevê a retirada da bonificação de um tíquete adicional (vale-peru) no mês de dezembro e um reajuste de 5,13% a partir de janeiro, com pagamento apenas em abril — o que significa a perda de cinco meses de negociação de um acordo coletivo iniciado em julho. Diante desse cenário e da profunda insatisfação da base, foi votada em assembleia a continuidade da greve, com nova assembleia marcada para 07/01.

Sindicatos que recusaram a proposta e mantêm a greve:

Sintect-CE, MG, MT, PB, RJ, RS, SC, Vale do Paraíba (SP), Campinas, Juiz de Fora, DF, SE, Santos, SP, PA, Uberaba e Sintcom-PR.

Por fim, nossa luta se expressa nas seguintes reivindicações:

  • Contra as medidas de reestruturação que atacam diretamente os trabalhadores;
  • Pela reedição do acordo coletivo;
  • Contra a escala 12×36;
  • Pelo fim da escala 6×1;
  • Pela contratação imediata dos aprovados no concurso público e pela efetivação dos terceirizados;
  • Pela defesa de um Correios público, com a revogação das privatizações e estatais sob controle dos trabalhadores.