A Itália foi palco de uma das maiores mobilizações internacionais em solidariedade ao povo palestino. No dia 3 de outubro, mais de dois milhões de trabalhadores, jovens e estudantes protagonizaram uma greve política inédita contra o genocídio em Gaza e pela libertação dos ativistas da Global Sumud Flotilla. As manifestações expressam uma profunda recomposição do sindicalismo classista na Itália e se inserem na onda internacional de protestos que, em diferentes países, têm colocado em pauta a solidariedade ativa à Palestina. Amanhã teremos um grande ato em São Paulo, a paritir das 11h no Vão do MASP, pelo fim do genocído e pela ruptura do governo de todas as relações diplomáticas do governo com Israel; acrescentamos, é necessário lutar pelo cessar fogo já, e por uma plano de paz que não significa a colonização imperialista-sionista da Palestina, por uma Palestina Livre e Socialista. Todos(es) às ruas!

REDAÇÃO

Cresce resistência contra o genocídio

3 de outubro de 2025

“Se bloquearem a flotilha, bloqueemos tudo”. Essa foi a ameaça lançada pelos manifestantes que participaram das enormes mobilizações em solidariedade com Gaza que sacudiram a Itália no último 22 de setembro.

Pois bem, nesta sexta-feira (3), dois milhões de trabalhadores e jovens passaram das palavras aos fatos, protagonizando uma enorme greve política contra o genocídio do povo palestino e em repúdio à detenção ilegal, por parte do Estado colonial de Israel, dos 500 ativistas que viajavam na Global Sumud Flotilla levando ajuda humanitária a Gaza.

De acordo com a Confederação Geral Italiana de Trabalhadores (CGIL), “a mobilização de hoje foi um sucesso: mais de dois milhões de pessoas saíram às ruas para participar das marchas realizadas em mais de 100 cidades italianas por ocasião da greve geral nacional em defesa da Flotilha, dos valores constitucionais, para deter o genocídio e em apoio ao povo de Gaza. 300 mil pessoas marcharam pelas ruas da capital”.

Do mesmo modo, segundo a União Sindical de Base (USB), o movimento teve uma adesão de 60% entre as bases das organizações, ao que é preciso somar as dezenas –ou centenas– de milhares de pessoas que se juntaram às ações de protesto, particularmente estudantes do ensino médio e universitário.

Além de multitudinária, a greve não foi rotineira. Pelo contrário, assumiu-se como uma ação disruptiva do movimento de massas, o que se expressou no bloqueio de estações de trem, portos, aeroportos e rodovias. Também foi informado que a grande maioria das escolas fecharam e até vários teatros cancelaram suas atividades.

Por outro lado, as mobilizações também se dirigiram contra o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, já que há vários dias ela vem fazendo declarações contra o movimento de solidariedade à Palestina, ao mesmo tempo em que não se pronunciou contra o governo de Netanyahu nem disse uma palavra sobre o genocídio. Não é para menos, dado que é reconhecido seu alinhamento com Trump e sua afinidade com o sionismo israelense.

Em resposta a isso, o secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini, afirmou que o “governo deveria estar orgulhoso dessas manifestações porque defendem a humanidade, a solidariedade e as pessoas de bem que também querem defender a honra deste país (…) Saímos hoje às ruas para dizer basta ao genocídio, para dizer que precisamos investir não em armas, mas em saúde, educação e temos que ouvir os jovens. Este dia honra o nosso país”.

Para este sábado (4), está convocada uma nova manifestação em Roma em solidariedade à Palestina, que se espera ser multitudinária.

Por tudo isso, fica claro que na Itália está em curso uma experiência muito profunda de recomposição do sindicalismo classista de base, que, além disso, demonstra uma politização acima da média das últimas décadas ao realizar uma greve política e não economicista, a qual foi acatada por milhões de trabalhadores e reuniu a solidariedade da sociedade civil.

Do mesmo modo, o caso da Itália se soma ao de outros países que, nos últimos meses, protagonizaram ações massivas e disruptivas contra o genocídio. Um elemento muito progressivo e que desde já é um exemplo a ser seguido em outras partes do planeta.