A Juventude Anticapitalista se organiza para mudar tudo

Por ¡Ya Basta! Juventude do Nuevo MAS

A Juventude Anticapitalista de todo o país se reuniu na Faculdade de Filosofia e Letras da UBA para se organizar diante deste sistema que nos rouba o futuro. Após um enorme e exitosa Primeira Plenária Nacional, com delegações de todo o país onde debatemos todas as nossas problemáticas, estamos prontos para lutar contra os governos de extrema-direita como Trump e Milei, em defesa da educação pública e dos direitos democráticos, junto aos trabalhadores, por uma saída anticapitalista e revolucionária.

Neste momento, enquanto nos reunimos para discutir quais ações e perspectivas tomar, crescem governos e expressões de extrema-direita ao redor do mundo: Milei na Argentina, que quer destruir a universidade pública e todos os nossos direitos; o fascista Trump nos Estados Unidos, que persegue migrantes; e o governo de Israel, que realiza um genocídio em Gaza e recentemente impediu a chegada da Frota da Liberdade, sequestrando Greta Thunberg e os ativistas que levavam ajuda humanitária à Palestina, enfrentando o genocídio e a fome a que esse povo é submetido.

Nos solidarizamos com a heroica resistência do povo palestino que luta contra o genocídio e a fome, com a resistência dos trabalhadores e das comunidades migrantes em Los Angeles e em todo os Estados Unidos que enfrentam deportações em massa e a repressão.

Vivemos um momento histórico em que a juventude em todo o mundo está submetida ao ultra capitalismo, que nos impõe a lógica de que o lucro vale mais que tudo. Os jovens só têm acesso a empregos precários, com salários miseráveis, que nos impedem de construir uma perspectiva de futuro. Esses monstros da extrema-direita tentam destruir os sistemas universais e públicos de saúde e educação, para que apenas alguns tenham acesso. Assim, tentam impor um sistema onde tudo funcione em prol do lucro capitalista e do mercado. Ao mesmo tempo, vivemos uma verdadeira catástrofe climática que destrói o planeta para servir aos ganhos bilionários de empresários como Elon Musk e Jeff Bezos.

Essa agenda vem acompanhada de uma política reacionária que se apresenta como uma “crítica” ao comunismo, mas que também ataca a ilustração, a razão, as conquistas da Revolução Francesa e a modernidade. Querem nos levar de volta à Idade Média e, por isso, atacam todos os nossos direitos: o direito a uma educação universitária pública e de qualidade para todos; a um sistema de saúde em que qualquer pessoa, independentemente de sua origem social, possa ser atendida; o direito das pessoas LGBT à sua identidade; o direito das mulheres de decidirem sobre seus corpos; todas as conquistas e liberdades democráticas; e o nosso direito de nos organizarmos e fazermos política para transformar a realidade.

Em todo o mundo, as alternativas de centro-esquerda ou de centro político demonstram não ser um freio à extrema-direita, mas sim abrir caminho para ela. São experiências como a de Lula no Brasil, que não desfez nenhuma das contrarreformas de Bolsonaro, continua com sua política de cortes e hoje entrega o controle do país para opções reacionárias. São também os democratas dos EUA, que continuaram com as políticas de austeridade e abriram espaço para Trump, e hoje permitem que todas as suas medidas reacionárias avancem sem oposição.

Pelo contrário, nós, anticapitalistas, estamos ao lado da juventude que enfrenta todos esses ataques da direita e dos capitalistas. Há um reinício da experiência histórica, com milhares de jovens em todo o mundo se organizando contra este sistema. São os jovens que ocuparam as faculdades e se mobilizam pela Palestina. São os trabalhadores e migrantes que enfrentam as políticas de deportações e repressão de Trump nos EUA. Os trabalhadores de aplicativos que lutam contra a uberização e se organizam no Congresso Internacional de Trabalhadores por Plataformas. Os jovens que se mobilizam contra a destruição capitalista do planeta e as mudanças climáticas. Esses setores têm uma coisa clara: o capitalismo não dá mais e está nos roubando o futuro. É ao lado deles que lutamos por uma saída anticapitalista.

Milei quer atacar todos os nossos direitos

Vivemos isso também na Argentina, onde Milei vem destruindo nossas condições de vida, atacando os salários, com aposentadorias miseráveis e um ataque generalizado a todos os nossos direitos. Ao mesmo tempo, com seu projeto repressivo e de perseguição política, ataca os direitos democráticos para conseguir aprovar suas medidas, proscrevendo Cristina Kirchner e tentando impedir qualquer forma de organização.

O capitalismo também ameaça nosso futuro com uma cruzada contra a Universidade. Trata-se de um duplo ataque à educação: por um lado, o brutal corte orçamentário, que foi reduzido pela metade em relação a 2023, o que impede garantir as condições básicas para as aulas, os materiais necessários e os salários de docentes e técnicos-administrativos, que perderam 70% do valor de seus salários frente à inflação. Esse ataque econômico abriga um ataque reacionário e obscurantista contra a Universidade como espaço público, social e político — um lugar onde se expressa o pensamento crítico, onde os jovens se formam, onde se faz política, de onde lutamos para transformar a realidade. Seu projeto é colocar a universidade a serviço do mercado, retirando seu caráter universal, de produção de conhecimento e formação da juventude. Assim, pretendem enxugar os cursos para que sejamos apenas mais uma engrenagem com um conhecimento parcial e funcional ao mercado, além de impor pós-graduações pagas para quem quiser acessar os conteúdos hoje disponíveis nas faculdades.

Também tentam arregimentar os Centros de Estudantes nas escolas de ensino médio para impedir a organização. E atacam nossa formação com reformas antieducacionais que visam fazer da educação apenas uma produtora de mão de obra barata para trabalhar para os empresários.

Diante desse gravíssimo ataque, o peronismo não é uma opção. Toda a sua atuação consiste em ceder a Milei e adaptar-se à lógica da direita. A proposta orçamentária do Conselho Interuniversitário Nacional — embora a apoiemos criticamente — é limitada, pois afirma que “não se deve afetar o gasto do Estado”. Ao mesmo tempo, são os próprios setores do peronismo que se adaptam à demagogia mercantilista ao afirmar que é verdade que “os cursos são longos” e, por isso, a solução seria validar qualquer tipo de atividade, como propõem com o SACAU, degradando o conteúdo dos cursos. Essa solução populista e facilitadora também é pensada sob uma lógica capitalista: adaptar os cursos ao mercado e aplicar paliativos.

Ao mesmo tempo em que o governo se torna cada vez mais agressivo e ataca a universidade e os direitos democráticos, o peronismo segue apostando todas as fichas na via institucional. Por baixo, freiam qualquer expressão de descontentamento e, por isso, realizam greves sem mobilizações e mobilizações sem greve. Tampouco convocam grandes manifestações unificadas, articulando todos os setores em luta. Em vez disso, insistem que o conflito universitário se resolveria com uma lei… que o próprio governo já anunciou que vetará. Por tudo isso, o peronismo e o reformismo em geral não são capazes de enfrentar a direita — na verdade, acabam abrindo caminho para ela. Já demonstraram que não são alternativas.

Hoje, o que precisamos na universidade é não aceitar que os problemas impostos pelo capitalismo à juventude sejam tratados como problemas da própria universidade. A dificuldade de cursar, estudar e aprender vem das condições de vida precárias da juventude, dos baixos salários, do alto custo de vida e transporte, da falta de bolsas e do passe estudantil. É hora de pensar em uma universidade anticapitalista, que tenha como objetivo transformar a sociedade em favor dos explorados e oprimidos.

É justamente por isso que lutamos por uma organização desde a base, com assembleias e ocupações: é hora de tomar as ruas para defender a universidade e todos os nossos direitos. O governo que vetou o aumento das aposentadorias, que diz aos trabalhadores do Hospital Garrahan que merecem salários miseráveis por não serem “funcionais ao mercado”, já anunciou que vetará a nova lei de financiamento universitário. Não é possível defender a universidade e todos os nossos direitos sem colocar o governo fascista de Milei de joelhos, com um grande movimento universitário que se radicalize e lute lado a lado com os trabalhadores, as mulheres, as pessoas LGBTI e todos os setores em luta, sem confiar que a via institucional poderá resolver nossos problemas.

Para poder travar essa luta, precisamos impulsionar a organização desde baixo e ir para além das direções que apostam na passividade e deixam o governo fazer o que quer. São as direções da Franja Morada dos centros estudantis e federações, que fazem de tudo para que o movimento estudantil não se organize nem realize assembleias. Também as direções peronistas, que atuam para conter a mobilização, submetendo o movimento estudantil às reitorias e à burocracia sindical, e nos empurram para confiar na via morta do parlamento.

Por sua vez, a FITU também vem sofrendo um importante retrocesso nas universidades, onde cada vez menos organiza. O PO subordinou tudo ao movimento piqueteiro (hoje muito desmobilizado após os ataques do governo), enquanto o PTS adotou uma linha profundamente eleitoral, girando tudo em torno do Congresso e de seus poucos parlamentares, degradando-se e desprezando a militância de base. Ao contrário disso, nós do ¡Ya Basta! somos uma juventude militante, ativa, que luta incansavelmente para organizar o movimento estudantil, enfrentar as direções traidoras e confiar em nossas próprias forças — e não nas negociações de bastidores no Congresso. Por isso, fomos protagonistas do “estudiantazo” em todo o país, impulsionando ocupações e a luta nas ruas.

Por isso, este plenário se propõe a impulsionar, em todo o país, uma imensa luta em defesa da universidade e contra os ataques de Milei aos direitos democráticos, lutando para derrotar o plano do governo, conquistar o orçamento necessário para o funcionamento das universidades e salários dignos para docentes e técnicos-administrativos. Da mesma forma, travamos uma luta por outra universidade, com um programa anticapitalista que a coloque a serviço dos interesses dos trabalhadores, para que seja realmente massiva, um espaço de fortalecimento da nossa formação, organização e de transformação da sociedade como um todo.

Para conquistar a universidade que queremos, precisamos lutar contra todo esse sistema capitalista podre e seus defensores — tanto a extrema direita que quer destruir a universidade pública quanto o peronismo, que quer um sistema remendado e degradado: mantendo uma fachada pública, mas que continue servindo aos interesses empresariais.

Defendamos nosso futuro enfrentando a precarização do trabalho e lutando por um governo dos trabalhadores

O capitalismo do século XXI também impõe enormes ataques às nossas condições de trabalho. A juventude de hoje só tem acesso a empregos precários, sem perspectiva, recebendo uma miséria e trabalhando em condições cada vez piores. O modelo dos governos e empresários é o da uberização, sem direitos trabalhistas. Por isso atacam nossos salários e condições de trabalho, cresce o trabalho informal, e Milei ataca o direito de greve e as aposentadorias.

Mas na Argentina e em todo o mundo, os trabalhadores enfrentam esses ataques. Somos os trabalhadores e residentes dos hospitais que defendem a saúde pública, os professores que defendem a universidade, os técnicos-administrativos das faculdades que se mobilizam com força por salários apesar das direções burocráticas, os trabalhadores precários como os entregadores do SiTraRepA que lutam pelo reconhecimento de seus sindicatos e do vínculo empregatício, os operários das fábricas que resistem aos ataques patronais às condições de exploração, os aposentados que enfrentam a repressão e lutam contra seus rendimentos miseráveis.

Hoje mais do que nunca, a juventude é trabalhadora, tanto dentro quanto fora das universidades. E também é solidária com as lutas dos trabalhadores, porque enxerga que o capitalismo só nos oferece miséria. Por isso, a Juventude Anticapitalista ¡Ya Basta! se engaja nas lutas dos trabalhadores e propõe uma saída de fundo: para acabar com todos esses ataques e injustiças, é preciso virar a sociedade do avesso e enfrentar esse capitalismo podre, que vive e existe para gerar lucros aos empresários bilionários. Para defender nosso futuro, precisamos de outro sistema — e, para isso, temos que lutar ao lado dos trabalhadores para que sejamos nós a governar.

Contra os ataques obscurantistas do capitalismo, defendamos todos os nossos direitos

Este sistema e os governos de extrema-direita querem nos levar de volta à Idade Média. Por isso atacam todas as nossas formas de expressão e os direitos que conquistamos com décadas de luta. Querem retroceder em conquistas que já são realidade, tentando negar nosso direito à identidade, a nos percebermos como somos e a decidir como e com quem nos relacionamos. Por isso promovem ofensivas obscurantistas, questionando a Educação Sexual Integral (ESI) e a linguagem inclusiva, tentando atacar o direito de decidir sobre nossos corpos e legitimando a violência patriarcal. Mas dizemos com clareza: as identidades não se proíbem, e não vamos permitir nenhum retrocesso nos nossos direitos.

Ao mesmo tempo, querem restringir toda forma de expressão que não seja funcional aos critérios do mercado e do lucro. Por isso tentam nos negar qualquer forma de expressão artística e cultural, que são meios de manifestar nossos interesses e nossa personalidade. Para isso, cortam orçamentos e todos os tipos de apoio estatal, apagam nossos murais e manifestações artísticas. Para isso, querem impor um clima repressivo para evitar qualquer tipo de resposta.

Ataques como a tentativa de assassinato de Pablo Grillo e a repressão contra qualquer tipo de protesto ou ação que não esteja a serviço de seus interesses, somados aos questionamentos às liberdades democráticas da população de eleger seus representantes, buscam defender este sistema que não responde às demandas da sociedade. E, como se não bastasse, tentam atacar nosso direito de organização, questionando a atuação política nas universidades e infiltrando serviços de inteligência para reprimir a organização estudantil, como ocorre na UNA Audiovisual.

A Juventude Anticapitalista se organiza para transformar tudo

Diante dos ataques desse sistema capitalista, a saída é se organizar. Nós do ¡Ya Basta! fazemos parte da juventude que se organiza em todo o mundo para defender seus direitos, que se solidariza com a heroica resistência do povo palestino e exige o fim do genocídio em Gaza; que luta pelos direitos dos migrantes e enfrenta a polícia migratória e a Guarda Nacional nos Estados Unidos; que denuncia os danos causados pelas mudanças climáticas, responsabilidade direta do capitalismo; e que se organiza como juventude trabalhadora contra a precarização, os baixos salários e por todos os nossos direitos. Somos os jovens que organizam, ano após ano, o Acampamento Anticapitalista que incomoda Adorni, e os que impulsionaram com força o “estudiantazo” e as ocupações de centenas de faculdades em todo o país em defesa da universidade.

Precisamos seguir construindo e expandindo essa juventude que se organiza de forma independente dos capitalistas, que luta em unidade com os trabalhadores em defesa da universidade, da saúde pública e de todos os nossos direitos. Queremos seguir fortalecendo nossas ferramentas para transformar toda a sociedade, construindo um marxismo do século XXI que parta das lições históricas das lutas dos trabalhadores do século passado e que tenha como horizonte a transformação socialista da sociedade. Uma juventude revolucionária, que lute ao lado dos trabalhadores para transformar tudo — onde a lógica seja atender às necessidades sociais, e não ao lucro dos empresários.

Por isso, é tarefa desta plenária e de suas comissões definir um plano de ação para colocar de pé a Juventude Anticapitalista em todo o país. Que o ¡Ya Basta! seja a principal organização juvenil da esquerda em nível nacional, para levar este movimento além da via institucional que querem nos impor os reitores, os sindicatos burocráticos e as federações estudantis burocráticas. Para que o movimento estudantil lute ao lado dos trabalhadores e aposentados. Para mudar tudo, é preciso destruir este sistema podre e construir uma saída a partir da classe trabalhadora.

Direção Nacional do ¡Ya Basta!
14 de junho de 2025 – Faculdade de Filosofia e Letras da UBA.

Tradução Martin Camacho