Com a crise diplomática aberta em decorrência da fome em Gaza, o Estado sionista de Israel se transforma cada vez mais em um Estado pária, assim como foi a África do Sul durante o Apartheid. A mobilização internacional contra o genocídio começa a impactar nas posições diplomáticas globais.
IZQUIERDA WEB, 30 de julho de 2025
Crise de fome em Gaza
A principal notícia mundial da última semana é a crise aberta pela dramática fome em Gaza. Imagens que remetem vividamente ao Holocausto nazista circulam pelas redes sociais em todo o mundo. O repúdio internacional contra o genocídio sionista parece estar ultrapassando limites até então inéditos. A potencial morte de milhares de crianças pela fome induzida por Israel é mais do que a opinião pública mundial está disposta a tolerar.
E até o tradicionalmente engessado campo das relações internacionais está dando sinais de mudança. Houve quem acreditasse que o lobby sionista internacional fosse imune à opinião pública. Mas os acontecimentos dos últimos dias provam o contrário. O Estado sionista de Israel está se tornando cada vez mais um Estado pária no cenário geopolítico.
Diplomacia sob a sombra do genocídio
Na semana passada, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que a França reconhecerá formalmente o Estado Palestino em setembro. A medida representa uma guinada na histórica posição da França e tem como motivação principal se desvincular do brutal genocídio israelense em Gaza, hoje evidente diante dos olhos de milhões de pessoas.
Diversos analistas (sem falar no próprio governo israelense) apressaram-se em afirmar que a decisão de Macron era um erro político fruto de desorientação, um ato isolado frente ao apoio comum das potências a Netanyahu. Poucos dias depois, o cenário já era outro. A França iniciou nesta segunda-feira, juntamente com a Arábia Saudita, uma conferência das Nações Unidas com o objetivo de impulsionar o reconhecimento diplomático do Estado Palestino. Participam do evento outros 18 países. O governo saudita declarou, nas últimas horas, que espera autorização do Banco Mundial para enviar cerca de 300 milhões de dólares em ajuda humanitária a Gaza.
Poucos dias após Macron, foi a vez do primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciar que o Reino Unido reconhecerá o Estado Palestino caso Israel não cesse o genocídio e confirme a anexação da Cisjordânia. Starmer vinha sofrendo forte pressão social e política para tomar medidas em relação à causa palestina. A base social do Partido Trabalhista é fortemente solidária ao povo de Gaza. Muitos dos milhares de jovens que participaram das massivas mobilizações pró-Palestina no Reino Unido pressionavam por ação. Dias atrás, um terço dos parlamentares britânicos enviaram uma carta a Starmer exigindo medidas concretas diante do genocídio.
Ao mesmo tempo, é provável que a posição de Macron contagie o restante da União Europeia. Vários países da zona do euro já reconhecem o Estado Palestino, e estariam em andamento negociações para uma posição conjunta do bloco. No ano passado, Espanha, Irlanda e Noruega foram os três primeiros países europeus a mudar suas posições diplomáticas em resposta à invasão e ao genocídio sionista.
O Estado pária de Israel: Netanyahu e a crise iminente
A mudança diplomática progressiva não é um despertar humanitário no coração dos governos burgueses ao redor do mundo. É o reflexo diplomático de uma onda de indignação massiva que varre todos os cantos do planeta. Netanyahu e o sionismo estão esticando demais os limites do que é tolerável.
O reflexo mais decisivo dessa mudança de clima internacional foram as declarações de Donald Trump nesta terça-feira, durante uma entrevista concedida após se reunir com o próprio Keir Starmer. Após várias perguntas incisivas, Trump foi obrigado a admitir que as declarações de Netanyahu (que afirmou que “não há fome” em Gaza) são falsas. “Vou dizer a Netanyahu que quero que até a última grama de comida entre em Gaza”, declarou Trump, numa tentativa de reposicionar seu discurso. Horas antes, haviam viralizado imagens de milhares de toneladas de alimentos apodrecendo ao sol devido ao bloqueio israelense à entrada de ajuda humanitária.
Mesmo que os comentários de Trump não passem do discurso, é fato que o avanço da fome em Gaza está alterando as peças do tabuleiro diplomático em torno de Israel. Netanyahu e o sionismo estão se transformando no pária da cena diplomática internacional. Desde o início, o governo israelense sustentou a prerrogativa de promover um genocídio em tempo real diante da população mundial. Agora começa a colher as primeiras consequências políticas dessa escolha.
Não se trata apenas da mudança de posição de alguns representantes em cúpulas da ONU. Trata-se de milhões de pessoas que se mobilizaram ao longo do último ano pedindo o fim do genocídio. São trabalhadores que fazem greve para impedir o envio de armas a Israel, como ocorreu há poucas semanas na Grécia. São também os centenas de jovens israelenses que se recusaram a atender à convocação das Forças de Defesa de Israel (FDI) nos últimos dias. A crise diplomática internacional em torno de Gaza é uma prova da capacidade de jovens e trabalhadores do mundo inteiro de enfraquecer o avanço sionista no Oriente Médio.
Traduzido de Crisis diplomática por la hambruna en Gaza mientras crece el repudio internacional











[…] Crise diplomática por conta da fome em Gaza enquanto cresce o repúdio internacional por Redação Esquerda Web […]