O Nuevo MAS e a Juventude Anticapitalista do ¡Ya Basta! participam da convocatória massiva que expressa nas ruas todo o descontentamento com o governo.

Redação Izquierda Web

15 de outubro de 2026

A Quinta Marcha Federal Universitária e contra o DNU 70/23 é uma expressão genuína e massiva de descontentamento, na qual convergem todas as reivindicações em curso. As ruas reunirão estudantes, trabalhadores, pessoas com deficiência, aposentados, endividados e uma longa lista de setores em luta.

No último dia 17 de setembro, o governo se reuniu com os sindicatos de docentes e trabalhadores não docentes para fazer a provocação de oferecer 0% de reajuste salarial.

A defasagem salarial acumulada neste ano já chega a 32%. O secretário de Políticas Universitárias compareceu à mesa de negociação para cuspir na cara de todos. Sua única função, evidentemente, é impulsionar a destruição do sistema universitário argentino, asfixiando seus docentes e trabalhadores não docentes.

A reivindicação pelo financiamento universitário é uma das principais fontes de instabilidade política e da crise de Milei. Apesar da política de contenção das direções peronistas e radicais das universidades e dos centros acadêmicos, a mobilização de hoje recoloca na ordem do dia o fato de que Milei e o regime político não conseguem enterrar essa luta.

A mobilização é multitudinária

Um dos setores mais atingidos pelo ajuste do Orçamento de 2027 (ao lado das pessoas com deficiência) é o universitário.

À defasagem salarial dos trabalhadores docentes e não docentes, à falta de atualização das bolsas estudantis e ao descumprimento da decisão liminar que determina a atualização dos salários e da Lei de Financiamento Universitário, o governo agora acrescenta um corte real nas verbas que pretende destinar ao setor em 2027.

O Orçamento de 2027 prevê 7,3 trilhões de pesos para a manutenção das universidades, incluindo os salários dos docentes e trabalhadores não docentes (que representam cerca de 90% das despesas), o funcionamento das instituições, a infraestrutura, a pesquisa científica, as bolsas de estudo e os hospitais universitários.

Em 2026, o orçamento original era de 4,7 trilhões de pesos, mas a essa dotação inicial foi acrescentada uma atualização no mês de junho. Assim, o orçamento total de 2026 chegou a 6,21 trilhões de pesos. Isso significa que o aumento nominal para o conjunto das despesas universitárias é de 20%, passando de 6,21 trilhões para 7,3 trilhões de pesos.

No último dia 19 de setembro, a Juventude Anticapitalista do ¡Ya Basta! organizou um dos mais importantes momentos de preparação para a jornada de hoje.

Todo o descontentamento com Milei toma as ruas

A convocatória teve diversos estopins, particularmente a provocação da Suprema Corte ao restabelecer a possibilidade de venda de terras a estrangeiros, que havia sido derrotada em 6 de agosto.

Diante do repúdio popular massivo a essa decisão, a Corte recuou e convocou, em caráter de emergência, juízes substitutos. Na última sexta-feira, 9 de outubro, concedeu uma medida cautelar provisória que restabelece temporariamente a Lei de Terras Rurais, suspendendo, assim, o artigo 154 do DNU 70/2023, que havia revogado essa legislação.

Mas a marcha teve outros estopins e, por isso, a manobra da Suprema Corte não foi suficiente para desmobilizar o que se desenhava como uma grande manifestação. Por exemplo, permanece de pé a reivindicação pelo financiamento universitário.

Depois da provocação de oferecer 0% de reajuste diante das reivindicações salariais de docentes e trabalhadores não docentes, o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) teve que abandonar sua política passiva e cúmplice do governo e marcar uma nova Marcha Federal.

Tentaram esvaziar ao máximo o conteúdo político da convocatória, direcionando-a aos tribunais, mas a decisão da Corte impôs outra dinâmica política e fez com que o local da manifestação passasse a ser a Praça do Congresso.

Na prática, impôs-se que as reivindicações convergissem para uma sessão do Congresso, que incluiria também o problema da inadimplência.

O mesmo acontece com as pessoas com deficiência, um setor contra o qual o governo parece demonstrar uma hostilidade particular. A discussão sobre a prorrogação da Emergência na Área da Deficiência é uma das reivindicações mais sentidas do momento.

A lei de emergência foi vetada, o veto foi derrubado, depois a legislação não foi implementada e, por fim, sua aplicação ocorreu de forma rebaixada. Sem a prorrogação, sua implementação efetiva teria sido uma farsa, feita conforme a conveniência dos ladrões da ANDIS deste governo. Essa reivindicação também se concentra na jornada de 15 de outubro.

A decisão da Corte foi a provocação que fez com que tudo voltasse a ser colocado em discussão. Tentaram roubar as conquistas da mobilização massiva, e a mobilização massiva responde voltando às ruas.

Sem quórum: os cúmplices de Milei derrubam a sessão que poderia revogar o decreto 70/23

Assim que assumiu o poder, o governo Milei impôs o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/2023.

Em um único ato reacionário, desregulamentou os preços dos planos privados de saúde e revogou a Lei das Gôndolas, a Lei dos Aluguéis, entre outras. Ao todo, revogou 70 leis e mais de 300 artigos.

Enquanto o peronismo e os setores chamados de “dialoguistas” garantiam a governabilidade no Congresso, entregando-lhe a presidência da Câmara dos Deputados, começaram os processos judiciais que marcaram o primeiro ano de governo. Inicialmente, foram barradas judicialmente as mudanças relativas às Sociedades Anônimas Desportivas e à Lei de Contrato de Trabalho (LCT), além da própria Lei de Terras.

No caso desta última, que o DNU revogava, a Justiça acolheu uma ação de amparo apresentada pelo Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas de La Plata (CECIM).

Ao negociar a manutenção do limite para a venda de terras a estrangeiros, Milei conseguiu a cumplicidade de setores do peronismo, dos governadores e da base governista extraoficial formada pelo PRO e pela UCR, que se recusaram a garantir quórum na sessão de hoje. Com quórum, o decreto ultrarreacionário teria sido derrubado.

Essas bancadas e esses deputados já queriam ser cúmplices do governo. Precisavam apenas de uma desculpa, e a manutenção da vigência da Lei de Terras foi essa desculpa. Mas essa não foi a única legislação revogada pelo decreto 70/23, de dezembro de 2023. O decreto também revogou a Lei dos Aluguéis, a Lei das Gôndolas, a Lei de Abastecimento, entre outras.

Se o decreto não for derrubado em sua totalidade, todas essas leis, que haviam sido aprovadas pelo Congresso, continuarão revogadas simplesmente porque Milei decidiu, sem qualquer discussão, que assim deveria ser. Não por acaso, são todas leis que estabelecem proteções mínimas aos trabalhadores e consumidores.

Com o passar do tempo, e pela própria pressão do empresariado, o governo tentou fazer passar muitas dessas reformas pelo Congresso, transformando-as em leis. Buscava, assim, conferir maior estabilidade a essas medidas.

Foi dessa maneira que levou ao Congresso a contrarreforma trabalhista e a chamada “Lei de Terras”. No último dia 6 de agosto, esta última se transformou na mais recente grande derrota de Milei.

“Uma vergonha o que fizeram os governadores e seus deputados: em troca de promessas do governo de restabelecer a plena vigência da Lei 26.737, deixaram cair a sessão que poderia derrubar o DNU 70/23, um ataque gravíssimo à imensa maioria da sociedade!”, denunciou Manuela Castañeira, dirigente do Nuevo MAS.

E, finaliza afirmando que “repudiamos essas manobras feitas pelas costas da sociedade e os governadores de todas as colorações políticas que garantem a governabilidade de Milei enquanto a população sofre.”