Nós, do ¡Ya Basta!, a juventude anticapitalista do Novo MAS, expressamos toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes secundaristas franceses que, nas últimas semanas, abriram uma nova conjuntura da luta de classes no país a partir de sua irrupção nas ruas.
Por ¡Ya Basta!
13 deoutubro de 2026
Diante da aparente calmaria, irrompe a realidade
Ao contrário do que se esperava, a luta de classes emergiu na França. Os últimos meses foram marcados por um clima eleitoral sufocante, tendo em vista as próximas eleições presidenciais, em abril de 2027, que anunciam o fim do macronismo e trazem a incógnita sobre o futuro governo francês, em uma conjuntura cada vez mais polarizada. Embora tudo indicasse que a conjuntura francesa caminhava em linha reta rumo às eleições, a juventude estudantil dos liceus mudou o curso dos acontecimentos. No ocaso do governo de Emmanuel Macron (após 10 anos como presidente da República!), os protestos contra sua política “para os ricos” e contra um orçamento destinado ao rearmamento militar para a guerra, em detrimento da educação e dos serviços públicos, fizeram explodir a fúria nas ruas
Quem lidera e impulsiona as mobilizações são os jovens estudantes secundaristas, os mais jovens de uma nova geração que hoje se organiza em todo o mundo contra os ataques da extrema direita e do sistema capitalista. A partir dos bloqueios e ocupações dos liceus, a revolta e a organização foram se espalhando por toda a França. A brutal repressão do governo contra estudantes menores de idade provocou o repúdio de amplos setores da sociedade francesa, que saíram às ruas para protestar contra o governo. Hoje, a luta dos estudantes secundaristas colocou toda a França em movimento: as universidades foram ocupadas, a classe trabalhadora saiu às ruas e espera-se a irrupção dos coletes amarelos nos próximos dias.
As razões por trás da irrupção da luta encontram-se no esgotamento da paciência da sociedade após 10 anos de políticas antissociais, por meio das quais se buscou atacar os direitos sociais e políticos conquistados, acompanhadas de uma forte repressão. A acirrada luta de classes aberta na França expressa uma resposta que surge de baixo e de forma independente diante das manifestações mais vorazes do capitalismo do século XXI: a precarização do trabalho, a crise climática e seus efeitos (a França teve o verão mais quente dos últimos tempos), a política militarista e um Estado que reafirma seus traços mais repressivos e policiais contra os trabalhadores e os imigrantes.
Estudantes e trabalhadores do mundo, unidos!
A luta liderada pelos estudantes secundaristas e universitários franceses não está isolada. Na verdade, faz parte de um mundo em combustão, no qual as novas gerações aparecem como protagonistas dos movimentos políticos que enfrentam as políticas reacionárias e a crise do sistema capitalista, que não tem nada a nos oferecer.
Na Argentina, o movimento estudantil foi um dos primeiros a sair às ruas diante dos ataques do governo de extrema direita de Javier Milei à universidade pública. De maneira obscurantista, o governo ataca a ciência e a pesquisa. Sob o discurso do tão propalado “déficit zero”, Milei justifica o desfinanciamento das universidades. O que se esconde por trás disso é um ataque político e ideológico ao que a universidade representa na Argentina: a possibilidade de que os trabalhadores e seus filhos tenham acesso ao ensino superior, ao pensamento crítico e à organização política de estudantes e trabalhadores.
Seu objetivo é mercantilizar nossa educação: fazer com que a universidade deixe de ser de massas, encurtar os cursos e adequar seus conteúdos às necessidades do mercado capitalista. Mas não está sendo fácil para ele. Desde 2024, a comunidade educacional, com o movimento estudantil à frente, vem se organizando em defesa da universidade pública, gratuita e de alta qualidade, por meio de mobilizações massivas, bloqueios de ruas e ocupações de escolas e faculdades. Além disso, nós, do ¡Ya Basta!, sustentamos que, para defender a universidade, precisamos transformá-la, como expomos em nosso novo Manifesto Anticapitalista para a Universidade.
Apesar da distância geográfica, nossa luta e a dos estudantes franceses estão mais próximas do que nunca. Aqui na Argentina, também nos organizamos em defesa dos salários dos trabalhadores docentes e técnico-administrativos, das condições de infraestrutura das universidades e contra sua mercantilização. Lutamos contra as políticas reacionárias e antissociais do governo: os ataques ao movimento feminista e à comunidade LGBT+, a reforma trabalhista que estimula a precarização e o aumento da exploração, o desfinanciamento da saúde pública e das políticas voltadas às pessoas com deficiência, o ajuste contra os aposentados, entre outros. Nos posicionamos contra o rearmamento militar e as intervenções imperialistas na Venezuela, em Cuba e no Irã, e nos solidarizamos com o povo palestino diante do genocídio perpetrado por Israel.
Somos parte de uma nova geração que se organiza e luta contra o sistema, somos a conhecida juventude anticapitalista e socialista. Retomamos as lutas anticapitalistas da juventude e dos trabalhadores da Comuna de Paris (1871), do Maio Francês (1968), do Cordobazo (1969) e da juventude revolucionária dos anos 1970. Não carregamos o peso da derrota e estamos convencidos de que somos sujeitos do momento histórico que nos cabe viver e de que, com nossa vontade e nossa luta, podemos mover montanhas. Para isso, devemos construir a unidade com todos os setores que hoje estão em luta contra o sistema e as políticas reacionárias. A unidade operário-estudantil é fundamental para virar tudo de cabeça para baixo!
Hoje, na Argentina, nos preparamos para a 5ª Marcha pela Educação, nesta quinta-feira, 15 de outubro. Será uma jornada histórica de luta nas ruas, que reunirá diversas reivindicações contra o governo Milei, uma jornada política explosiva que poderá ser decisiva para a conjuntura argentina e o futuro do governo. Nós, da Juventude Anticapitalista ¡Ya Basta!, nos preparamos para essas lutas em nossa Plenária Nacional, realizada em setembro passado, que contou com a participação de mais de mil jovens estudantes e trabalhadores de todo o país, e nos organizamos para ocupar as ruas nesta nova mobilização. Os estudantes franceses são nosso farol e nos impulsionam hoje a realizar uma jornada de luta em sintonia com a conjuntura internacional, marcada pela luta de classes.
Todo apoio aos estudantes franceses!
Solidariedade internacional aos estudantes e trabalhadores da França!










