Após o resultado do primeiro turno, uma onda de mobilização iniciada pela juventude universitária no Rio de Janeiro ganhou dimensão nacional e culminou em uma gigantesca manifestação na Avenida Paulista. A entrada em cena do movimento de massas começa a modificar a dinâmica política do segundo turno. É preciso aprofundar a mobilização, derrotar a extrema direita, conquistar a escala de trabalho 5×2 e construir uma alternativa independente à conciliação de classes.
Direção da SOCIALISMO OU BARBÁRIE
A juventude dá início a uma onda nacional de mobilização contra a extrema direita
O resultado categoricamente favorável para a extrema direita do primeiro turno das eleições, realizado no domingo, 4 de outubro, provocou uma onda de reação quase imediata de setores da juventude, que começaram a ocupar as ruas contra a possibilidade de um novo governo da família Bolsonaro.
Confirmando o que temos denominado como novo metabolismo social, em que a luta de setores de vanguarda independente ou semi-independente impactam a realidade política nacional, em um cenário marcado pelo avanço eleitoral da extrema direita, foram os estudantes que deslocaram a disputa política do terreno exclusivamente eleitoral para as ruas.
A juventude universitária no Rio de Janeiro deu o primeiro passo para romper a passividade eleitoral e recolocar a mobilização de rua no centro da conjuntura. Na segunda-feira (5/10), estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram as primeiras manifestações de rua contra Flávio Bolsonaro. A iniciativa rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, estimulando novas convocações entre universitários e secundaristas.
Na quarta-feira (7/10), milhares de estudantes ocuparam o centro do Rio de Janeiro em uma manifestação que partiu da Candelária, percorreu a Avenida Rio Branco e terminou na Cinelândia. Convocado sob a palavra de ordem “Juventude na Rua pela Democracia”, o ato reuniu estudantes de diferentes instituições, como UFF, UFRJ, UERJ, UFRRJ, PUC-Rio e Colégio Pedro II, além de entidades estudantis, entre elas a UNE e organizações estaduais.
A manifestação expressou uma reação política que ia além do apoio eleitoral a Lula. Entre as reivindicações estavam a defesa da educação pública, o fim da escala de trabalho 6×1, a preservação das liberdades democráticas e o combate aos retrocessos sociais representados pelo projeto da extrema direita de Flávio Bolsonaro.
Nos dias seguintes, novas mobilizações se desenvolveram em diferentes cidades e capitais, demonstrando que a reação ao primeiro turno não estava limitada às universidades fluminenses. Uma parcela da juventude começou a transformar o temor diante da possibilidade de mais um governo bolsonarista, que em atos e entrevistas promete a luz do dia mudar o regime, em disposição concreta de luta.
Essa reação não ocorreu por acaso. Uma nova geração, que viveu a pandemia, os cortes na educação, os ataques às universidades, o crescimento da extrema direita e o aprofundamento da precarização do trabalho, percebe os perigos de uma nova experiência governamental da família Bolsonaro.
Mas há um elemento ainda mais importante. A iniciativa estudantil demonstrou que o resultado eleitoral do primeiro turno, por mais desfavorável que fosse, não havia produzido uma situação de desmoralização ou derrota do movimento de massas. Pelo contrário, como um pêndulo político que bate na extrema direita e volta com força, despertou uma reação política nas ruas que as direções da esquerda – particularmente à ligada ao governo Lula mas também de boa parte da esquerda independente – não foram capazes de sequer tentar acionar durante o primeiro turno.
A gigantesca manifestação da Paulista ultrapassou os limites do lulismo
A irrupção da juventude brasileira na luta contra a extrema direita não constitui um fenômeno isolado, mas se inscreve em uma conjuntura internacional marcada pela emergência de uma nova onda de mobilizações estudantis.
Na França, a rebelião dos estudantes secundaristas, iniciada com bloqueios e ocupações de escolas, abriu uma nova sequência da luta de classes, transbordando para as universidades e encontrando pontos de confluência com setores da classe trabalhadora. Sua dinâmica ultrapassa as reivindicações educacionais imediatas e coloca em questão não apenas as políticas de austeridade de Macron, mas os próprios limites do regime político.
Essa efervescência começa a adquirir uma dimensão internacional. Na Bélgica, a onda de bloqueios de escolas secundárias, que se espalhou por diversas cidades, encontrou expressão nas mobilizações contra os ataques do governo de Bart De Wever, reunindo estudantes, trabalhadores e sindicatos nas ruas. Na Espanha, as greves estudantis e as manifestações massivas em solidariedade à Palestina, que mobilizaram secundaristas e universitários em dezenas de cidades, também evidenciaram o protagonismo de uma nova geração.
Embora atravessem processos e ritmos distintos, essas experiências expressam a tendência comum de emergência da juventude que, ao entrar em cena por meio da ação direta e da mobilização independente, estabelece pontes com a luta dos trabalhadores, abrindo possibilidades de radicalização política e de recomposição da luta de classes em escala internacional.
No Brasil, até o momento, o ponto mais alto dessa onda de mobilização ocorreu no domingo, 11 de outubro, quando uma multidão ocupou a Avenida Paulista, em São Paulo, na maior manifestação do processo eleitoral até aquele momento e em uma das maiores manifestações políticas da história recente do país.
A partir do impulso do movimento estudantil e da movimentação nas redes sociais, a chamada “Marcha pela Democracia” reuniu centenas de milhares de pessoas, segundo estimativas de grandeza divulgadas em torno do ato. Sites da esquerda da ordem e a campanha de Lula chegam a anunciar a participação de aproximadamente um milhão de manifestantes, número que, embora não corresponda a uma contagem independente, expressa a dimensão histórica da mobilização.
O ato ocupou cerca de doze quarteiros da Avenida Paulista e reuniu uma composição jovem mas heterogênea: estudantes, trabalhadores, movimentos feministas, negros e LGBT+, organizações sindicais e populares, militantes petistas, setores da esquerda socialista e milhares de pessoas que podemos considerar como franjas de massas e que não participam de movimentos, sindicatos ou partidos.
Entretanto, tão importante quanto sua dimensão foi a forma como a manifestação se constituiu. Diferentemente das grandes manifestações convocadas pelos aparelhos partidários e sindicais lulistas, o ato ganhou impulso por meio de uma articulação relativamente independente das direções políticas tradicionais do movimento de massas.
Um dos fenômenos mais interessantes foi a entrada em cena dos chamados fandoms, comunidades organizadas de fãs de artistas nacionais e internacionais. Grupos ligados a artistas como BTS, Lady Gaga, Beyoncé, Taylor Swift, Anitta e outros passaram a utilizar suas redes digitais de comunicação, páginas nas plataformas para convocar a juventude contra a extrema direita.
Parte da novidade é que esses grupos, habituados a organizar campanhas virtuais, mobilizações coordenadas e grandes eventos culturais, passaram a empregar seus instrumentos de comunicação em uma disputa política concreta.
A convocação também contou com a participação de movimentos estudantis, coletivos independentes, organizações sociais, setores ligados à Parada do Orgulho LGBT+ e torcidas organizadas de clubes como Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras.
Essa combinação entre mobilização digital, iniciativa espontânea e organizações já existentes permitiu que a manifestação tenha furado a bolha da militância tradicional da esquerda.
Porém, isso não significa que o ato tenha sido completamente independente ou desprovido de organizações tradicionais. A UNE, movimentos sociais e setores partidários ligados aos lulismo foram obrigados a participar da sua construção. Entretanto, seu caráter relativamente independente se expressou no fato de que o impulso inicial e a ampliação da convocação não dependeram exclusivamente de uma decisão centralizada do comando eleitoral de Lula.
O crescimento da mobilização acabou impondo um novo cenário à direção lulista. Diante de uma convocação que ganhava enorme dimensão, Lula confirmou sua participação na noite do dia anterior, incorporando ao ato o peso de sua liderança e de sua candidatura presidencial.
A dimensão nacional desse movimento também merece destaque. Segundo levantamento do Comitê Popular de Luta, somente no domingo (11/10) foram registradas 156 ações em 76 cidades brasileiras, entre manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e atividades de campanha.
As manifestações levantaram bandeiras que iam além do chamado ao voto. A defesa do fim da escala 6×1, o combate à violência contra as mulheres, a defesa dos direitos democráticos e a oposição à intervenção imperialista na América Latina estiveram presentes em diferentes setores.
O elemento fundamental é que a mobilização expressou algo muito maior que a disposição de apoiar eleitoralmente Lula. Ocorreu uma reação de uma parcela significativa da juventude e dos setores da classe trabalhadora contra o perigo tangível de uma nova ofensiva da extrema direita através de uma governo de Flávio Bolsonaro, de um Congresso de extrema direita e um judiciário tomado em parte também pela extrema direita.
Entrada em cena do movimento de massas modifica a dinâmica do segundo turno
O significado político dessas mobilizações somente pode ser compreendido à luz do resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a votação de 4 de outubro na dianteira, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Além da vantagem presidencial, o bolsonarismo e seus aliados conquistaram importantes governos estaduais e fortaleceram sua presença no Congresso Nacional.
O primeiro turno expressou um evidente giro eleitoral à direita e o fracasso da frente ampla lulista em impedir a recomposição do bolsonarismo como uma alternativa política de massas: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria um salto qualitativo na ofensiva reacionária sobre o país.
Não se trata simplesmente da substituição de um governo por outro dentro da normalidade institucional burguesa. O projeto bolsonarista está articulado a uma perspectiva de aprofundamento autoritário do regime político, em aliança com setores da classe dominante e com o imperialismo estadunidense, sob a direção de Donald Trump.
Com um Congresso majoritariamente ultrarreacionário, atravessado por disputas internas, e instituições profundamente desgastadas e desmoralizadas perante amplos setores da população, um novo governo dos Bolsonaro poderia encontrar condições políticas mais favoráveis para avançar sobre as liberdades democráticas.
Seu objetivo estratégico é restringir os direitos de organização, manifestação e luta dos trabalhadores e dos setores oprimidos, criando condições para impor uma derrota histórica às conquistas da classe trabalhadora, das mulheres, da população negra, dos povos indígenas e da população LGBT+.
Em outras palavras, o fechamento do regime político não seria um fim em si mesmo, mas um instrumento para aprofundar a exploração capitalista e impor uma nova relação de forças entre as classes sociais.
Esse perigo é agravado pelo cenário internacional. A ofensiva imperialista de Trump sobre a América Latina, a política de ingerência estadunidense nos processos políticos nacionais e o fortalecimento internacional de organizações de extrema direita fazem da eleição brasileira um acontecimento de importância continental.
Entretanto, seria unilateral analisar a conjuntura apenas pelos resultados eleitorais e pela capacidade ofensiva da extrema direita e também de sua resiliência. As mobilizações iniciadas pela juventude e a gigantesca manifestação da Paulista introduziram na conjuntura um elemento novo, com potencial para modificar a correlação de forças política e eleitoral.
O segundo turno começou com Flávio Bolsonaro na dianteira e o movimento de massas em uma posição essencialmente defensiva. Mas a iniciativa surgida por baixo começou a disputar a ofensiva política, demonstrando que a extrema direita não possui o monopólio da mobilização social. Isso não significa que a vantagem eleitoral bolsonarista tenha sido superada ou que a vitória de Lula esteja garantida. Muito pelo contrário: a eleição continua extremamente polarizada, perigosa e em aberto.
A partir da iniciativa da juventude e de setores da classe trabalhadora, o movimento de massas começou a recuperar sua capacidade de intervenção direta sobre os acontecimentos em âmbito nacional, abrindo possibilidades que não estavam colocadas da mesma maneira na tétrica noite do primeiro turno. Esse é o elemento central e mais progressivo da nova conjuntura, sobre o qual a esquerda revolucionária deve apostar com tudo e apoiar sua intervenção.
A manifestação da Paulista também tornou evidente uma importante contradição. Por um lado, a participação de Lula e dos aparatos lulistas teve importância na ampliação do ato, mas por outro, sua participação e o controle da burocracia sobre o carro de som, não permitiu que o ato se movesse, tomasse além da Paulista o centro da cidade.
A direção lulista procura subordinar essa disposição de luta aos limites de sua estratégia eleitoral e de conciliação de classes. É precisamente essa contradição que se expressou na manifestação de domingo. Uma mobilização daquela dimensão poderia ter dado lugar a uma marcha histórica pela cidade de São Paulo, ampliando sua repercussão, prolongando a ocupação das ruas e demonstrando uma força social muito superior àquela expressa em um grande ato concentrado em torno dos discursos de lideranças políticas.
A direção lulista percebeu que necessita das ruas para recuperar a iniciativa eleitoral, mas sua natureza conciliatória e traidora atua para evitar que essas mesmas ruas se transformem em um movimento independente, capaz de colocar em questão os limites da frente ampla com setores da burguesia e dos seus partidos, dos limites institucionais de um governo burguês e do seu programa liberal-social.
Essa orientação possui raízes profundas na estratégia de conciliação de classes e o resultado do primeiro turno demonstrou justamente a falência dessa política. Durante quatro anos, a frente ampla Lula-Alckmin manteve os pilares fundamentais dos interesses da classe dominante, preservando o Arcabouço Fiscal, destinando recursos gigantescos ao agronegócio e subordinando as principais reivindicações populares aos limites impostos pelo empresariado.
Não basta o “vira-voto” eleitoreiro, mobilizar nas ruas setores que se abstiveram no primeiro turno
O primeiro turno registrou uma abstenção de 21,08%, correspondente a aproximadamente 33,5 milhões de eleitores. Trata-se de um contingente gigantesco, especialmente em uma eleição na qual as pesquisas apontam uma polarização extrema e uma proporção relativamente pequena de indecisos.
Para derrotar Flávio Bolsonaro, será necessário conquistar uma parcela significativa destes eleitores que se abstiveram no primeiro turno, além de disputar os votos de outros candidatos e daqueles que continuam insatisfeitos com as alternativas apresentadas.
Como convencer milhões de trabalhadores descontentes com sua situação econômica, muitos dos quais não se sentem representados por nenhuma das duas candidaturas?
A resposta não pode estar limitada à campanha do “vira-voto”, à distribuição de materiais eleitorais ou às disputas virtuais. Essas iniciativas têm sua importância, mas são insuficientes diante da gravidade da situação.
É necessário construir uma verdadeira onda nacional de mobilização direta, capaz de demonstrar que a derrota da extrema direita está diretamente vinculada à conquista de melhores condições de vida e trabalho para a maioria explorada e oprimida da população.
Ao lado do fim imediato da escala 6×1, sem redução salarial, precisamos levantar a duplicação do salário mínimo, o reajuste geral dos salários, o passe livre nos transportes públicos, o estabelecimento de uma taxa mínima para os entregadores por aplicativo, a ampliação dos investimentos em saúde, educação e moradia e a defesa de todos os direitos sociais e democráticos de decisão e de luta das massas.
Essas reivindicações devem estar articuladas à luta contra o feminicídio, o racismo, a violência policial nas periferias, os ataques aos povos indígenas, a LGBTfobia e a intervenção imperialista sobre o Brasil e a América Latina.
É igualmente necessário exigir uma investigação independente, a punição e expropriação dos condenados do escândalo do Banco Master, incluindo todas as relações políticas e empresariais envolvidas, sem poupar Flávio Bolsonaro, seus aliados ou qualquer representante das instituições do regime.
Não se derrota o bolsonarismo nas urnas sem enfrentá-lo nas ruas. E não será possível derrotar seu projeto histórico sem uma mobilização contínua e sem construir uma alternativa independente dos trabalhadores à conciliação de classes.
Unidade de ação nas ruas e independência política
Diante dos perigos representados pela extrema direita e da resposta da poderosa onda de reação de massas que já está em curso, a tarefa imediata é construir a mais ampla unidade de ação – com independência política – para derrotar Flávio Bolsonaro.
Obviamente que essa unidade de ação não pressupõe acordo programático com as direções lulistas, muito menos a suspensão da crítica, das diferenças de princípio, estratégicas e táticas. Ao contrário, diferentemente do que faz o PSOL e a maior parte de suas correntes políticas, significa estabelecer acordos práticos para enfrentar um inimigo comum, preservando integralmente a independência política e de ação das organizações revolucionárias. É a velha máxima que sintetizou Trotsky: marchar separados, golpear juntos!
Essa é a política que defendemos desde a Corrente Socialismo ou Barbárie. Não temos nenhuma confiança política no governo Lula, no PT ou em sua estratégia de conciliação de classes. O resultado do primeiro turno demonstrou precisamente o fracasso histórico dessa orientação.
Entretanto, compreendemos que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro significaria uma mudança qualitativa na situação política, com consequências profundamente regressivas para as liberdades democráticas, os direitos dos trabalhadores e as possibilidades de organização da esquerda revolucionária.
Por essa razão, defendemos o voto ultra-crítico em Lula no segundo turno, sem assumir qualquer compromisso político com seu programa de governo e mantendo nossa condição de oposição de esquerda ao governismo.
Ao mesmo tempo, compreendemos que a tarefa fundamental não é simplesmente contribuir para ampliar a votação de Lula, mas construir a mobilização independente com amplitude de massas que permita derrotar a extrema direita e fortalecer as condições de luta dos trabalhadores, da juventude e dos oprimidos para o período seguinte.
Nesse sentido, consideramos equivocada a orientação de parte dos companheiros da esquerda independente, como o MRT e o PSTU, pois não se apoiam no gigantesco impulsionamento do movimento de massas para derrotar Flavio Bolsonaro e disputar um programa independente. Os primeiros em uma lógica abstencionista não construíram uma coluna própria no ato da Paulista com o falso argumento de que se tratava de um ato de campanha, os segundos construíram uma coluna mas como força majoritária da CSP – Conlutas , não chamaram à construção de um bloco da esquerda independente para disputar politicamente o ato.
A independência política não se constrói pelo isolamento diante das grandes mobilizações de massas. Pelo contrário, é precisamente nessas manifestações que a esquerda revolucionária deve disputar a linha política e as ações com a burocracia, demonstrando na prática as diferenças entre seu programa e aquele defendido pelas direções reformistas.
Deixar milhões de pessoas mobilizadas sob influência exclusiva do lulismo significa abrir mão da disputa política justamente no momento em que amplos setores começam a fazer uma nova experiência de luta.
Por essa razão, a unidade de ação para derrotar o nefascismo nas ruas e a frente única independente para disputar politicamente essas mobilizações é uma combinação de táticas fundamental para impulsionar as lutas e, ao mesmo tempo, intervir sobre os limites que a conciliação de classes lulista tenta impor ao movimento.
Ampliar as mobilizações e construir uma coluna da esquerda independente
A gigantesca manifestação da Avenida Paulista não pode ser o ponto final dessa onda de mobilização. Precisa ser o ponto de partida de uma ofensiva política ainda mais ampla contra a extrema direita.
O principal perigo agora é que a energia despertada entre a juventude e os setores de massas seja absorvida por uma campanha eleitoral rotineira, reduzida à propaganda abstrata do governismo, aos comícios oficiais e ao chamado para simplesmente “fazer o L”.
A mobilização deve continuar e crescer, incorporando setores da classe trabalhadora que ainda não entraram em cena de forma organizada.
É necessário convocar novas manifestações massivas em todas as capitais e grandes cidades no próximo domingo, impulsionar assembleias nas universidades, escolas, sindicatos e locais de trabalho e construir as condições para uma grande jornada nacional de luta antes do segundo turno, inclusive com a perspectiva de uma paralisação unificada para semana que vem.
Para isso, Lula, o PT, as centrais sindicais, a UNE, os movimentos sociais e todas as organizações que afirmam que “a democracia está em risco” precisam colocar sua capacidade de mobilização a serviço das ruas e de um sistema de reivindicações que atenda imediatamente as necessidades mais sentidas das massas exploradas e oprimidas.
Mas a esquerda independente não pode limitar sua intervenção à cobrança dessas direções. A CSP-Conlutas, os sindicatos combativos, as organizações socialistas revolucionárias, os movimentos independentes e as organizações da juventude anticapitalista precisam assumir uma posição de vanguarda na construção dessas manifestações.
É necessário participar de todas as convocatórias unitárias e, simultaneamente, dedicar esforços à organização de uma grande coluna da esquerda independente, com bandeiras próprias, palavras de ordem e um programa de reivindicações que responda aos interesses históricos e imediatos dos trabalhadores nos próximos atos.
Essa coluna deve reunir os setores que compreendem a necessidade urgente de derrotar Flávio Bolsonaro, mas que não depositam nenhuma confiança na política de conciliação de classes do lulismo. Mas que também sejam capazes de transmitir
Sua tarefa não deve ser apenas demarcar posições ideológicas. Deve contribuir ativamente para ampliar as manifestações, organizar novos setores e disputar a direção política do processo de mobilização.
É preciso transformar cada ato em um espaço de organização, cada universidade em um centro de resistência, cada sindicato em um instrumento de convocação e cada reivindicação concreta em uma ponte para ampliar a luta contra a extrema direita.
A juventude demonstrou que existe uma disposição de mobilização muito maior do que aquela que as direções tradicionais estavam dispostas a organizar.
Agora é necessário dar continuidade a esse movimento, incorporando a nova classe trabalhadora precarizada, os entregadores por aplicativo, os trabalhadores do comércio e dos serviços, os professores, os servidores públicos, as mulheres, a população negra e os demais setores explorados e oprimidos.
O desafio consiste em transformar uma onda de indignação e resistência em um processo de organização política mais profundo, capaz de enfrentar a extrema direita e preparar as condições para a construção de uma alternativa socialista.
O primeiro turno demonstrou os enormes perigos da conjuntura brasileira. Mas a reação estudantil, seguida pela gigantesca manifestação da Paulista, demonstrou que o movimento de massas ainda não disse sua última palavra.
O segundo turno continua aberto e sua dinâmica não será determinada exclusivamente pelas pesquisas eleitorais, pelos acordos entre partidos ou pelas manobras institucionais.
Existe uma força social capaz de intervir sobre os acontecimentos, modificar a correlação de forças e impor derrotas à extrema direita. Essa força começou a se expressar nas ruas.
A juventude deu o primeiro passo. A Paulista demonstrou a potência dessa mobilização. Agora é necessário aprofundá-la e estendê-la a todo o país. Dentro dessa perspectiva, fazemos um chamado para todas as universidades estaduais paulistas comporem um dia de paralisação estadual das universidades contra o bolsonarismo.
Por tudo isso chamamos a todes es estudantes, centros acadêmicos, movimentos sociais e a sociedade civil a comporem o ato Bolsonaro Jamais! que ocorrerá na quinta feira (15/10) e terá concentração no vão da história e geografia na USP às 17h que andará até o Largo da Batata.
Fazemos também um convite para uma reunião aberta que ocorrerá no próximo sábado (17/10) para discutir mais sobre a situação política do país, os desafios da juventude diante do perigo da extrema direita e nos organizar para o Ato do domingo (18/10) no Anhangabaú.
Derrotar Flávio Bolsonaro nas ruas e nas urnas é uma necessidade imediata para conter o avanço do neofascismo. Superar o lulismo pela esquerda é uma tarefa estratégica e construir uma alternativa socialista, independente e revolucionária é uma necessidade histórica para a revolução brasileira e latino americana.
Flávio Bolsonaro jamais! Pela unidade de ação contra a extrema direita, com independência de classe, pelas reivindicações dos trabalhadores e por uma grande mobilização nacional nas ruas!









