Vamos por uma Juventude Anticapitalista de massas!
Realizada na Faculdade de Ciências Sociais da Universidad de Buenos Aires (UBA) em 19 de setembro de 2026, com a participação de mais de mil jovens provenientes de universidades, institutos terciários, pré-universitários e escolas secundárias de todo o país.
¡YA BASTA! – Juventude Anticapitalista
20 de setembro de 2026
Estamos em um mundo em combustão, no qual os capitalistas querem roubar nosso futuro e atacam todos os nossos direitos para aumentar incessantemente seus lucros. A Argentina, sob o governo de extrema direita de Milei, encontra-se mergulhada em uma grave crise social, econômica e estrutural que afeta, dia após dia, nossas condições de vida. Nossos rendimentos caem, aumenta o endividamento de milhões e se aprofundam os ataques à educação pública, à saúde e ao atendimento das pessoas com deficiência, assim como a precarização do trabalho. Diante dessa grave situação, cresce o descontentamento, que pode terminar em uma explosão social, porque este governo não dá mais para aguentar. Enquanto isso, o peronismo, que atravessa uma profunda crise porque não tem nenhuma saída para o país, dedica-se à contenção e a esperar por 2027.
Diante de tudo isso, mais de mil jovens de todo o país nos reunimos nesta Segunda Plenária Nacional da Juventude Anticapitalista [Já Basta!] para nos colocarmos de pé, porque o momento de nos organizarmos é agora, para enfrentar Milei e os fachos. É essa juventude que luta por seu futuro, que defende todos os seus direitos diante da entrega do governo libertário [extrema direita] e das direções traidoras, e que luta para transformar tudo e fortalecer uma saída de fundo para o país: uma alternativa anticapitalista, um governo daqueles que nunca governaram, das trabalhadoras, dos trabalhadores e da esquerda, em uma perspectiva autenticamente socialista.
Com a perspectiva de levar estas resoluções a todos os cantos do nosso país, a todo o movimento estudantil e à juventude trabalhadora da Argentina, da Terra do Fogo a Jujuy, e fazendo uma saudação fraterna aos nossos camaradas do Brasil, dos EUA, da França, da Costa Rica e de Cuba, assim como saudando todos os povos do mundo que lutam, como o heroico povo palestino, a população migrante que resiste às batidas de Trump, a nova classe trabalhadora que se levanta em todo o mundo, os povos que enfrentam as ofensivas do imperialismo e da extrema direita, e nos preparando para a grande luta pelo financiamento universitário que se aproxima na Argentina, votamos as seguintes resoluções para seguir construindo uma juventude anticapitalista de massas do ¡Ya Basta!:
- Aprovar o Manifesto Anticapitalista para a Universidade.
- Levando em conta o novo lugar conquistado pelo ¡Ya Basta!, que se constituiu em uma referência incontornável para a organização e a luta da juventude de esquerda na Argentina, convidamos a seguir trabalhando pela construção nacional e pelo desenvolvimento do ¡Ya Basta!, ampliando nossa presença para cada vez mais espaços de estudo universitários, terciários e secundários em todo o país, e convidando milhares de novos jovens a se organizar e militar. Chamamos a fortalecer nossa intervenção na juventude trabalhadora, como já fazemos com os Jovens Trabalhadores Precarizados, construindo o SiTraRepA e em outros setores. Façamos do ¡Ya Basta! uma Juventude Anticapitalista de massas, a principal força de esquerda na juventude da Argentina!
- Impulsionar uma grande campanha rumo à 5ª Marcha Nacional Universitária de 15 de outubro, para construir uma mobilização de milhões nas ruas que arranque do governo Milei a implementação plena e imediata da Lei de Financiamento Universitário, conquistar orçamento para as universidades, passe estudantil, salários para docentes e não docentes, bolsas, orçamento para pesquisa e ciência e todas as nossas reivindicações. Voltar todas as nossas forças para construir uma grande mobilização, lutando para que ela se dirija à Praça de Maio para exigir do governo nossas reivindicações e derrotar seu plano.
Para vencer a luta pela educação, nós, estudantes, precisamos ocupar um lugar protagonista. São necessárias medidas de greve ativa para massificar nossas forças e a unidade entre os diferentes setores da comunidade universitária para conquistar nossas reivindicações.
Participaremos da Marcha com um programa independente, impulsionando a organização e a radicalização das medidas a partir das bases, sem confiar no Conselho Interuniversitário Nacional, nem nas direções burocráticas dos sindicatos, centros acadêmicos e federações estudantis. Nenhuma confiança no Congresso nem na Justiça.
- O ¡Ya Basta! apoia a luta pelo reconhecimento do SiTraRepA como sindicato nacional de entregadores. Rejeitamos a tentativa de despejo da FATE. Permanecemos em estado de alerta e mobilização e participaremos das ações que os trabalhadores da FATE em luta levarem adiante pela vitória de sua reivindicação. A FATE não fecha! Apoiamos a luta pela organização independente e as reivindicações dos trabalhadores não docentes e docentes, dos precarizados, dos trabalhadores da saúde e residentes em luta, do setor das pessoas com deficiência e as reivindicações dos trabalhadores e aposentados de todo o país. Viva a unidade operário-estudantil!
- Impulsionar uma grande campanha nacional de divulgação para fazer chegar a todas as universidades do país o “Manifesto Anticapitalista para a Universidade”, elaborado pelo ¡Ya Basta!, juntamente com as resoluções desta Plenária Nacional. Organizar círculos de debate sobre esse documento e outras iniciativas para aproximá-lo de mais estudantes, docentes e não docentes e impulsionar as propostas e o programa expressos no Manifesto.
- Defender as universidades de todos os ataques dos fachos contra nossos espaços de estudo, sustentando nosso direito à educação pública contra aqueles que querem destruí-la. Reivindicamos a militância e o debate nas universidades, institutos terciários e escolas secundárias e nosso direito de nos organizar e fazer política. Rejeitamos as provocações contra nossos espaços de estudo e militância e os ataques negacionistas contra os Direitos Humanos. Fora os fachos e os incels das universidades. Basta de ataques à universidade. Continuamos a luta da juventude anticapitalista dos anos 1970. São 30 mil. Foi genocídio.
- Nos colocamos em defesa de uma arte independente e transformadora e contra a mercantilização da arte e da cultura. Rejeitamos as provocações dos governos contra a educação artística e suas ofensivas reacionárias. Multipliquemos e sigamos fomentando as iniciativas de Arte Anticapitalista como espaços de expressão e organização para a juventude e em defesa da cultura independente. Impulsionar iniciativas artísticas rumo à Marcha Universitária. Por uma arte e uma cultura anticapitalistas para a transformação social!
- Participar com Las Rojas do próximo Encontro Plurinacional de Mulheres, Lésbicas, Trans, Travestis, Bissexuais, Intersexuais e Não Bináries, em Córdoba, nos dias 10, 11 e 12 de outubro, para lutar pelos direitos das mulheres e das diversidades. Rejeitamos a proibição antidemocrática de Jorge Macri à Marcha do Orgulho e às mobilizações de novembro por ocasião da visita do Papa. O Orgulho não se proíbe!
- Fortalecer o desenvolvimento em todo o país da agrupação secundarista anticapitalista Tinta Roja e impulsionar sua construção em mais escolas. Fortalecer a organização independente das autoridades que não dão respostas às nossas reivindicações. Pintar uma bandeira da Tinta Roja – Secundaristas Anticapitalistas para levar à 5ª Marcha Educacional. Organizar o primeiro festival Tinta Rock para que os jovens possam expressar sua arte.
- Impulsionar iniciativas de solidariedade internacional, levando adiante ações em apoio à causa palestina, à luta dos povos contra o imperialismo, ao combate às catástrofes ecológicas produzidas pelo capitalismo, à resistência contra a extrema direita no mundo e aos ataques contra os migrantes. Por uma saída anticapitalista e internacionalista contra este sistema.
- Apoiar a construção do Congresso Internacional de Trabalhadores por Plataformas e sua luta por direitos e pela construção de sindicatos para os novos setores da classe trabalhadora precarizada no mundo. Impulsionar ações de luta coordenadas globalmente com outras organizações de jovens anticapitalistas de todo o mundo.
- Convocar a 3ª Plenária Nacional do ¡Ya Basta! em 2027. Vamos por um ¡Ya Basta! de milhares em todas as universidades, institutos terciários e escolas secundárias de todo o país!
- Convocar o VII Acampamento Anticapitalista Internacional do ¡Ya Basta!, em fevereiro de 2027, convidando nossos camaradas da Corrente Internacional Socialismo ou Barbárie, jovens anticapitalistas de outros países e representantes das principais lutas em curso no mundo. Impulsionar desde já o convite para participar deste grande evento, com o objetivo de reunir milhares de jovens de todo o país e do mundo.
- Impulsionar o desenvolvimento do pensamento marxista nas universidades para seguir fortalecendo a elaboração de ideias para a transformação social. Realizar palestras, oficinas e cátedras livres para desenvolver esses temas. Divulgar especialmente o livro O Marxismo e a Transição Socialista, de Roberto Sáenz, em todas as faculdades, entre estudantes e trabalhadores.
- Enviar todo o nosso apoio às lutas da juventude em todo o mundo.
Solidariedade incondicional com a causa do povo palestino! Não ao genocídio em Gaza e na Cisjordânia!
Todo o nosso apoio à luta dos trabalhadores e migrantes nos EUA que enfrentam a política de deportações e repressão de Trump.
Defendemos e apoiamos os processos de organização da nova classe trabalhadora no mundo, como a greve dos entregadores no Brasil ou a sindicalização dos trabalhadores da Uber nos Estados Unidos.
Em defesa dos direitos das mulheres e das diversidades em todo o mundo. Rejeitamos os ataques contra nosso direito de decidir, nossa identidade e qualquer forma de opressão!
Abaixo o bloqueio imperialista ianque a Cuba! Todo apoio aos novos espaços de organização antiburocrática na ilha. Por um verdadeiro Estado operário na ilha.
Rejeitamos as ofensivas do imperialismo estadunidense na América Latina!
Reivindicamos que as Ilhas Malvinas são argentinas, a partir de uma perspectiva anticapitalista. Rejeitamos o projeto de lei reacionário, repressivo e de unidade nacional do governo sobre as ilhas.
Por um movimento anti-imperialista e anticapitalista internacional!
Esta plenária se pronuncia em favor da unidade da esquerda em nosso país. Apoiamos o chamado público do Nuevo MAS e de Manuela Castañeira para construir uma Frente Única Anticapitalista que organize uma resposta nas ruas e nas eleições, para ser uma alternativa para milhões diante da grave crise e da derrocada para a qual Milei nos conduz, e diante da falta de alternativas expressa pelo peronismo.










