Israel pretende construir um campo de concentração onde vai deter toda a população de Gaza. Aqueles que entrarem não poderão sair, a menos que concordem em migrar para outro país. É um plano de limpeza étnica. Não há nada mais parecido com um nazista do que um sionista. Israel é um estado colonial, supremacista e genocida. Não pode ser reformado; tem que – e merece! – ser destruído. A Palestina será única e socialista, ou não será.
REDAÇÃO IZQUIERDA WEB
8 julho, 2025
Nesta segunda-feira (7), o ministro da Defesa sionista, Israel Katz, disse à mídia local que emitiu ordens ao exército para construir uma “cidade humanitária” sobre as ruínas de Rafah, localizada no sul da Faixa de Gaza.
Na realidade, seria um acampamento improvisado onde as forças de ocupação planejam deter 600.000 palestinos, mas com a perspectiva de abrigar toda a população de Gaza (estimada em 2,1 milhões de pessoas).
Antes de entrar, os palestinos teriam que passar por um controle de segurança para se certificar de que não são agentes do Hamas. Finalmente, aqueles que entrarem terão duas opções: a) permanecer trancado no local ou b) “emigrar voluntariamente” para outro país.
Em outras palavras, seria um campo de concentração! Obviamente, o governo fascista de Netanyahu tenta disfarçar isso chamando-o pelo nome fantasioso de “cidade humanitária”.
Nesse mesmo dia, Netanyahu realizou uma nova reunião com Trump na Casa Branca, onde reiterou que ainda estão procurando terceiros países para realocar a população de Gaza. “Acho que o presidente Trump tem uma visão brilhante. É chamado de livre escolha. Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem sair, devem poder sair(…) Estamos trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos para encontrar países que busquem tornar verdade o que sempre dizem: que queriam dar aos palestinos um futuro melhor“, declarou o genocída.
Os sionistas esperam iniciar a construção do local durante o cessar-fogo de 60 dias, deixando claro que não pretendem deixar Gaza e, pelo contrário, cada dia mais abertamente declaram suas intenções de colonizar este território, para o qual terão que realizar uma limpeza étnica e um genocídio.
A radicalização do governo sionista
Ian Kershaw é um dos principais historiadores do nazismo e seus estudos são muito úteis para entender a evolução da barbárie nazi.
Ele explica que o plano inicial dos nazistas era realocar geograficamente os judeus europeus para outros países, mas que com o tempo perceberam que essa ideia era virtualmente impossível. Ele também argumenta que o regime experimentou uma “radicalização” gradual durante os anos trinta e na Segunda Guerra Mundial, cujo resultado foi a “solução final” (“La dictadura nazi”, 2013; “Hitler”, 2019).
Por tudo isso, o historiador inglês conclui que qualquer plano para deslocar uma população nativa contém a ideia de genocídio, mesmo que no início não seja conscientemente assumido ou exposto. Ou seja, a única maneira de forçar o deslocamento de toda uma população nativa é através do uso desenfreado da força (ou da barbárie).
Essas duas ideias, a radicalização do regime e a relação deslocamento/genocídio, são relevantes para entender as ações do governo Netanyahu desde o início do massacre em Gaza. Ao longo dos últimos vinte e um meses (outubro de 2023 a julho de 2025), o gabinete israelense passou da extrema direita ao fascismo.
Como relatamos em outro artigo (ver Gaza: Israel intensifica la masacre y avanza en sus planes de limpieza étnica), desde maio deste ano Israel iniciou a “Operação Carruagens de Gideão”, que, por sua vez, faz parte do plano “Fase 3: A Captura Completa de Gaza”. Essa ofensiva visa garantir o controle colonial e a ocupação de grandes partes da faixa.
Para tal fim, as autoridades militares sionistas ordenaram o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos para o sul do território e, desde então, falam com mais contundência em permitir a “emigração voluntária” daqueles que desejam deixar Gaza.
Essas palavras, na boca de um sionista fascista, só podem significar uma só: eles vão transformar a vida cotidiana dos palestinos em um inferno para que eles “livremente escolham” deixar os campos de concentração. Os constantes massacres nos “centros de distribuição de alimentos” são um exemplo disso, aos quais podemos acrescentar a falta de água e a morte de crianças por desnutrição.
Não há nada mais parecido com um nazista do que um sionista. As imagens de Gaza são uma versão colorida daquelas que vimos em Auschwitz. Israel é um estado colonial, supremacista e genocida. Não pode ser reformado; tem que – e merece! – ser destruído. A solução de “dois estados” é uma utopia reacionária. A libertação do povo palestino é uma das grandes tarefas para a emancipação da humanidade no século XXI. A Palestina será única e socialista, ou não será.
Tradução de José Roberto Silva do original Un genocidio sin fin (VIII): “Ciudad humanitaria”, el campo de concentración que los sionistas quieren construir en Gaza











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