Por uma Universidade Anticapitalista!

Manifesto programático do Já Basta – Juventude Anticapitalista e estudantes independentes! 

Dentro e fora da universidade, organizar a juventude para transformar tudo! Frente a nova etapa do capitalismo, reformar este sistema é uma utopia reacionária! 

Diante de um cenário de grandes desafios, mas enormes possibilidades para luta,  apresentamos este manifesto programático construído pelo Já Basta – Juventude Anticapitalista e estudantes independentes para apontar saídas concretas e anticapitalistas para derrotar o projeto educacional racista e elitista e construir uma universidade verdadeiramente pública como nós queremos! Frente a necessidade de organizar a luta e de apresentar um programa à altura dos desafios que temos, fazemos um chamado aberto a todes es estudantes, trabalhadories e professories para seguir somando na construção desse manifesto e defender esta perspectiva conosco!

 

A universidade diante de um mundo em chamas

Sob uma nova etapa de luta de classes, a juventude e as novas gerações trabalhadoras trazem consigo o desafio de transformar pela raiz a realidade que enfrentamos dentro e fora dos muros da universidade. Vivemos uma crise estratégica do capitalismo que atualiza no século XXI uma época de guerras, crises e possíveis revoluções, combinando velhos e novos dilemas: uma gigantesca crise ecológica, o avanço da hiper precarização do trabalho, crise migratória, uma crise geopolítica e outras enormes problemáticas ao redor do mundo. 

Essa etapa é marcada pelo acirramento das disputas entre as potências capitalistas e pelo retorno do ímpeto imperialista de dominação territorial, colonialista e genocida. Na dianteira dessa ofensiva, Trump resgata a Doutrina Monroe e orquestra um avanço sobre a América Latina e a Groenlândia em busca de recursos estratégicos e para recompor os tentáculos do decadente imperialismo estadunidense. 

Como expressão máxima da brutalidade, enfrentamos a escalada do genocídio perpetrado pelo governo fascista de Benjamin Netanyahu contra o povo palestino que, heroicamente, resiste há décadas de ocupação sionista. Os mesmos EUA que patrocina o genocídio em Gaza e Cisjordânia, é o mesmo que agora cria uma organização paralela aos antigos órgãos multilaterais do pós-guerra (ONU e seus segmentos) para propor um conselho de paz mediado e liderado por eles, sem mesmo uma participação de lideranças palestinas, evidenciando o caráter reacionário deste instrumento imperialista.

Com fôlego a nível global, temos o desafio de enfrentar pelas ruas a extrema direita ultrarreacionária. Para além de sua política de ataques aos direitos, este setor simboliza uma grave ameaça às liberdades democráticas des trabalhadories e trava uma verdadeira cruzada obscurantista contra a universidade, por esta sintetizar reais entraves sociais ao seu objetivo ultrarreacionário: o livre exercício do pensamento crítico, a expressão da diversidade sexual e de gênero e a organização política e militante das novas gerações. Não é à toa que Trump tem como inimigos as universidades e a juventude, que organizam a luta em defesa da Palestina e contra a milícia protofascista de seu governo, o ICE.

Entretanto, esta conjuntura reacionário tem, dialeticamente, se desdobrado em importantes processos de luta dos de baixo em todo o mundo, como o recente caso de Minneapolis e Minnesota, onde a população protagoniza uma histórica reação popular contra o ICE e a política anti-imigração de Trump. Além dos EUA, ao longo de 2025 tivemos várias mobilizações ao redor do globo, como Nepal, Turquia e um dos mais recentes, o levante do povo iraniano contra o Regime opressivo dos Aiatolás. À nível global, abre-se um contraditório cenário de enormes possibilidades diante dos graves perigos que atravessamos: o choque entre o reacionarismo que domina a conjuntura e o fôlego da reação popular que forja condições objetivas pré-revolucionárias. Ainda que persista uma profunda crise de consciência e de alternativa socialista, a realidade objetiva, de maneira dialética, segue acumulando gradualmente possibilidades para reverter pela raiz a situação em que nos encontramos.

Em nosso país, a conjuntura também não deixa de ser polarizada, dinâmica e difícil neste ano eleitoral. Eleito por uma curta margem em 2022, o governo Lula-Alckmin fracassa em seu projeto liberal-social e na fundamental tarefa de enfrentamento à extrema direita.

Por sua natureza de governo burguês de conciliação de classes, mantém todas as contrarreformas de Temer e Bolsonaro e aplica seus próprios ataques, como é o caso do Arcabouço Fiscal, a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins e o PLP 152, que legaliza a escravidão moderna das empresas de aplicativos e representa uma enorme ameaça aos direitos dos trabalhadores. Para garantir o trilionário pagamento da dívida pública que abocanha mais da metade do orçamento federal, a política fiscal do governo estrangula a educação e os serviços públicos, como ficou claro com os recentes cortes ao orçamento das instituições federais. Na luta contra a extrema direita e em defesa de nossos direitos democráticos, o lulismo aposta nas negociatas sujas com o centrão e acumula traições: deu votos em favor da PEC da Blindagem e articulou o adiantamento da votação da anistia no congresso. 

Diante de um governo submisso aos de cima, o bolsonarismo capacho de Trump orquestra uma contraofensiva em defesa do golpismo e de sua agenda ultrarreacionária. Já neste início de ano, as forças reacionárias preparam a tramitação de perigosas matérias no Congresso: a derrubada do veto do PL da Dosimetria e o PL Anti-Facção, que fortalece os massacres policiais e criminaliza greves, ocupações e protestos populares.

Em reação à extrema direta e aos ataques da conciliação, importantes processos de luta despontam na base. Após um 2025 marcado pela histórica jornada que derrotou a PEC da Blindagem, o novo ano se iniciou com as greves dos trabalhadores dos Correios, da Petrobrás e uma enorme ocupação dos povos indígenas em Belém contra a privatização federal dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Na linha de frente dos Breques e da luta contra a precarização do trabalho, a categoria dos entregadores prepara uma grande greve contra a exploração das empresas de app e o PLP 152 apoiado por todo o conjunto do sistema político capitalista. Além disso, não se pode ignorar um importante aumento de movimentos de greve (16% em relação ao ano de 2024) em resposta aos ataques tanto por parte das patronais, mas também dos governos estaduais e federal. 

Na luta contra o reacionarismo e em defesa de nossos direitos, o reformismo conciliador de classes, cada vez mais propulsor de contrarreformas, fracassa (mais uma vez) ao tentar viabilizar uma utopia reacionária: aposta suas fichas em humanizar um sistema de barbárie, querendo mediar interesses com uma classe exploradora e opressora que não admite qualquer tipo de direitos aos nossos. 

Nos aproximando às eleições deste ano, é fundamental construir uma alternativa de unidade da esquerda independente para derrotar o imperialismo, a extrema direita e apresentar uma plataforma anticapitalista e revolucionária de oposição de esquerda à conciliação de classes! Rumo à outubro, é preciso superar o sectarismo e apostar na inflexão política das organizações revolucionárias a partir de fóruns e espaços conjuntos de debates político-programáticos para construir uma frente socialista e revolucionária. 

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) governa em uma franca ofensiva ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Essa aliança ultrarreacionária tem levado adiante um projeto de privatização massiva dos serviços públicos como o metrô e CPTM, leilão de escolas públicas à iniciativa privada e acentuação da violência policial e dos massacres contra a juventude negra e periférica. Em plena ofensiva contra a educação pública, também mediada pela plataformização e precarização cada vez mais brutal da categoria, o governo do estado de São Paulo retira 40 mil professores de suas atividades neste ínicio de ano, sob a justificativa de baixos resultados e um corte de verba para a educação, colocando diversos professores, incluindo concursados, para fora da atribuição de aula, retirando os salários e trabalho de parte do contingente de professores do estado. Este fato, somado com o avanço do uso de plataformas, IA para produção de materiais pedagógicos, interventores nas escolas e a abertura cada vez mais clara para a militarização das escolas públicas, o governo do estado e o prefeito Ricardo Nunes mostram o projeto que a extrema direita tem para os de baixo. Sucateamento, miséria, privatizações e militarização.

Com carta branca ao extermínio, a política de Tarcísio, Derrite e Nunes aumentou em 98% a letalidade policial e mais do que dobrou a morte de crianças e adolescentes pelas mãos de agentes de “segurança”. O mesmo Derrite que comanda a matança nas comunidades, é quem relata o reacionário  projeto do PL Antifacção, que abre margens legais para enquadrar movimentos operários e sociais em crimes de “terrorismo” e “domínio social estruturado”, um brutal ataque aos direitos e liberdades democráticas.

Na USP, o governador e a atual gestão de Aloísio Cotrim, certamente seguirão aplicando brutais ataques à comunidade universitária. A atual gestão indicada por Tarcísio é herdeira direta da última gestão de Carlos Carlotti, responsável pelo corte de mais da metade das bolsas de permanência estudantil. Para derrotar Tarcísio, Nunes e a reitoria, é fundamental unificar as lutas dentro e fora da universidade a partir de assembleias democráticas e espaços unificados entre as categorias! 

 

  • Fora imperialismo ianque da Venezuela e da América Latina! Abolir o ICE! Todo apoio à luta de Minnesota contra o governo Trump!
  • Viva a rebelião popular iraniana! Derrotar o regime autoritário e antipopular dos aiatolás e o imperialismo ianque, por uma alternativa independente e socialista dos explorados e oprimidos!
  • Basta de genocídio em Gaza! Abaixo o conselho colonial de Trump! Basta de cumplicidade do governo Lula-Alckmin, pela ruptura de todas as relações com Israel! Palestina livre, laica, única e socialista!
  • Em defesa da soberania e da autodeterminação dos povos! Contra os imperialismos e as guerras, organizar uma saída independente e anticapitalista dos de baixo!
  • Todo apoio à luta dos povos indígenas dos Tapajós, contra a privatização dos Rios Madeira, Tapajós e Tocantins! Derrotar pela luta o decreto 12.600/2025! Pelo fim do Plano Safra! Por uma reforma agrária radical!
  • Derrotar nas ruas qualquer tentativa de anistia e dosimetria! Pelo fim da polícia e dos tribunais militares! Derrotar o PL Anti-Facção e a PEC da Segurança Pública!
  • Pela unidade operário-estudantil! Abaixo o PLP 152 da escravidão moderna! Em defesa do PL 2479 do Breque e dos direitos dos trabalhadores de aplicativo! Pelo fim da escala 6×1, por 30 horas semanais sem redução dos salários!
  • Pela revogação do Arcabouço Fiscal de Lula-Alckmin! Pela revogação integral do Novo Ensino Médio e do Ensino à Distância! Pela revogação de todas as contrarreformas e privatizações de Temer, Bolsonaro e Lula!
  • Nenhum centavo para o pagamento fraudulento da dívida pública aos banqueiros e empresários!
  • Fim das isenções tributárias aos grandes empresários! Pela taxação das grandes fortunas e heranças! Que os bilionários paguem pela crise! 
  • Abaixo a militarização e plataformização do ensino! Abaixo as privatizações de Tarcísio e Nunes! Fora interventores das escolas públicas! Fora Ricardo Nunes!
  • Pela vida das mulheres, derrotar o PDL 3/2025 antiaborto! Por uma campanha nacional contra o feminicídio e pelo aborto legal seguro e gratuito nos hospitais!
  • Pela legalização da maconha e de todas as drogas para desencarcerar, tratar e cuidar! 
  • Tarifa zero já! Pela estatização do sistema de transporte sob controle des trabalhadories! 
  • Por uma plenária nacional de ativistas independentes da CSP-Conlutas para enfrentar a extrema direita e os ataques do lulismo! 

 

Virar a USP do avesso!

Considerada “a melhor universidade da América Latina”, a USP esconde, por trás de seus cínicos slogans de excelência, uma política racista, elitista e produtivista desde a sua fundação em janeiro de 1934. Como produto direto da austeridade fiscal capitalista, da lógica tecnocrata e do projeto anti-ciência da extrema direita que governa o estado, esta realidade de exclusão e precarização só tem se aprofundado. 

A atual reitoria de Aloisio Cotrim, figurinha carimbada da reacionária burocracia uspiana, foi indicado por Tarcísio e dirigirá a USP servindo para continuidade deste projeto elitista. Representantes da USP para as elites, esta casta de burocratas tem levado adiante não só uma política de contratação de professories completamente insuficiente, como impulsionado uma ofensiva racista e higienista contra a permanência estudantil. Além disso, é permanente a tentativa de cerceamento autoritário contra movimento estudantil, de trabalhadories e professories a partir de processos administrativos e demissões. 

Se não fosse a greve estudantil de setembro de 2023, construída à revelia da política do DCE dirigido pelo Correnteza/UP, Juntos/MES e UJC/PCBR, estaríamos diante de um déficit docente ainda mais dramático. Fruto da greve, conquistamos o adiantamento de até 2025 da recomposição das perdas desde 2014 e a contratação de 148 docentes temporários a mais até o final de 2024. Após quase dois anos, reitoria não cumpriu todas as contratações prometidas para 2024 e muitas vagas docentes ainda se encontram em estágio de concurso ou até mesmo congeladas.

A realidade de ataques à permanência atinge, primeiramente, es estudantes trabalhadories e negres egressos, sobretudo, da política de cotas raciais. É este setor o pioneiro a sofrer com o recorte de aulas noturnas pela falta de professories, a ter sua solicitação de auxílio permanência negada pela PRIP e a enfrentar as desumanas condições de moradia do CRUSP. Basta de elitismo e exclusão, é preciso derrotar esta reitoria higienista e autoritária!

Diante deste cenário, para virar a universidade do avesso e transformá-la pela raiz, é preciso apostar na luta direta e independente des estudantes de dentro e fora da universidade. Luta essa que deve ser realizada em unidade com es trabalhadories e  docentes a partir de medidas concretas e anticapitalistas para garantir as nossas demandas sem nenhuma confiança na reitoria e nos governos dos patrões!

 

Derrubar os portões da universidade com a nossa luta!

Criada em seu princípio para atender os filhos do baronato paulista, a USP sempre teve como eixo ser uma instituição de ensino de excelência para as elites minoritárias. Em seu mecanismo de acesso, ela institui vestibulares de ingresso (FUVEST, ENEM-USP e Provão Paulista) que funcionam como filtros sociais e raciais para impedir o ingresso das massas trabalhadoras. Somente após a luta unificada do movimento negro, estudantil, indígena e de trabalhadories da universidade, se conquistou tardiamente em 2017 as cotas PPI.  Uma importante vitória sobre a burocracia universitária da vanguarda do atraso!

É preciso romper com a inércia do DCE e organizar a luta estudantil não só pelo ingresso de pessoas trans e indígenas na USP, mas também, pela permanência desses estudantes, com auxílios com piso de um salário mínimo paulista e moradia para toda a demanda. É preciso, assim como foi a conquista das cotas étnico-raciais, lutarmos em unidade com o movimento trans e coletivos LGBTQIAPN+ de dentro e fora da universidade, movimento indígena, negro e de trabalhadories para arrancarmos medidas concretas para a implementação imediata dessas políticas de ingresso sem nos adequarmos ao tempo desta reitoria reacionária e anti-diversidade. 

Promessas não são vitórias, por uma campanha massiva por cotas trans na USP já! É fundamental articular a importante mobilização que tem sido travada pela democratização do acesso à universidade à demanda histórica do movimento estudantil pelo fim do vestibular! A partir da nossa luta independente, temos que romper os portões da universidade para que ela possa ser ocupada pelas massas trabalhadoras e todo o conjunto des explorades e oprimides!

  • Não queremos ser objeto de pesquisa, mas sim ser estudantes e pesquisadores! Por cotas trans e PCDs já! 
  • Pela ampliação e democratização do acesso, por vestibular indígena já!
  • Basta de filtros racistas e elitistas! Pelo fim do vestibular!
  • Pela gratuidade imediata da inscrição para todos os vestibulares!
  • Pela ampliação das frotas e passe livre nos circulares!
  • Por bandejão para todes es estudantes dos cursinhos!
  • Abaixo a aplicação do ENADE!
  • Pela adaptação arquitetônica estrutural e didático-pedagógica para inclusão de todes!
  • Por uma universidade verdadeiramente pública, laica, de qualidade e à serviço da classe trabalhadora!

 

Entrar, permanecer e se formar!

Os constantes ataques da reitoria da USP vão muito além do sucateamento dos cursos.  Atingem diretamente o direito à permanência estudantil, tornando insustentável a vida universitária para milhares de alunes. O corte dos auxílios pela PRIP, a falta de transparência nos critérios de concessão, o abandono do CRUSP, o fechamento de creches e a perseguição política contra estudantes organizades revelam um projeto higienista que quer expulsar a juventude negra e trabalhadora que conseguiu ingressar na universidade nos últimos anos.

As bolsas de permanência, como o PAPFE, não dão conta da realidade: mesmo após reformulações, o valor máximo de R$850,00 e parcial de R$320,00 são totalmente insuficientes diante do custo de vida em São Paulo. A cobertura atual do programa atende menos de 20% do corpo discente e deixa milhares de estudantes em situação de vulnerabilidade sem qualquer garantia de acesso ao auxílio. O CRUSP, único espaço de moradia estudantil da USP, simboliza o abandono: além da crônica falta de vagas e estrutura precária, a moradia é alvo de retaliações políticas, com cortes de auxílio e processos administrativos contra moradories ativistas. 

  • Nenhum estudante a menos! Por auxílios-permanência para toda a demanda com piso de um salário mínimo paulista (R$1.804,00)! 
  • Despejo zero no CRUSP! Contra o controle de acesso nos blocos! Pela devolução dos blocos D, K e L do CRUSP! 
  • Por uma reforma estrutural planificada por uma comissão independente formada por moradories, estudantes, arquitetes e engenheires que atenda toda a demanda por moradia! 
  • Pela reabertura das creches! Pelo direito às mães de estudar e permanecer na universidade!
  • Espaços de discussão e debate para avaliar os impactos das mudanças climáticas sobre as condições de estudo na USP!
  • Por um seminário autorganizado de Saúde Mental com participação de funcionáries, estudantes e professories em todos os campi!
  • Oferecimento de atendimento psicológico gratuito em todos os campi da USP e divulgação para comunidade universitária!

 

Basta de precarização!

A política de “contratação zero” para docentes imposta pela reitoria é uma das expressões mais perversas do projeto de desmonte da USP. Essa estratégia, iniciada sobretudo com o fim do Gatilho Automático de Claros e a implementação dos Parâmetros de Sustentabilidade, uma espécie de Teto de Gastos uspiano, congelou admissões, potencializou a privatização, promoveu demissões em massa de funcionáries e desmontou setores essenciais como o Hospital Universitário.

Hoje, mesmo diante de um quadro docente absolutamente defasado, a reitoria de Carlos Carlotti mantém a lógica de gestão empresarial: distribui vagas com base em critérios de “mérito” que favorecem alguns poucos cursos e abandonam cursos de pouco interesse ao capital, como as humanidades, Obstetrícia, a Escola de Artes Dramáticas e entre outros

Esse estrangulamento atinge toda a estrutura universitária: Bandejões privatizados, frota de ônibus deteriorada com atrasos e superlotação e falta de técnicos e servidores em todos os setores. A USP não está apenas sendo sucateada, está sendo cada vez mais gerida para expulsar os que não cabem no projeto elitista, mercantil e autoritário da reitoria e da extrema direita em São Paulo!

  • Contratação imediata de toda a demanda docente em RDIDP (Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa) com a volta do Gatilho Automático de Claros e revogação do Edital de Mérito!
  • Basta de 6×1 e precarização do trabalho de funcionáries e estagiáries na USP!
  • Pelo fim da terceirização! Contratação imediata de funcionáries e a efetivação de terceirizades sem necessidade de concurso público! Pela efetivação do BUSP para terceirizades! Pelo fim do banco de horas des funcionáries!
  • Pela estatização sob controle des trabalhadories das empresas privadas contratadas pela USP que violam direitos trabalhistas e ambientais!
  • Pela reabertura do atendimento do HU para toda a população, com verbas públicas e contratação de trabalhadories efetives para toda a demanda!
  • Abaixo as políticas de inovação e reformas curriculares empresariais! Por uma reforma curricular democrática, discutida e construída entre os 3 setores da universidade!
  • Nenhum trabalho de campo a menos! Por ônibus próprios, orçamento e estrutura!
  • Pela revogação integral dos Parâmetros de Sustentabilidade, o teto de gastos da USP!
  • Contra a reforma produtivista da pós-graduação! Revogação já!
  • Pelo aumento da quantidade e valor das bolsas de ensino, pesquisa e extensão!

 

Por uma USP sem opressões!

A realidade de vulnerabilidade é ainda mais severa para estudantes mulheres, negres, PCDs e membres da comunidade LGBTQIAPN+. Em diversos espaços da universidade, a violência de gênero se manifesta de forma constante, sustentada por uma postura institucional e omissa da reitoria, que frequentemente protege agressores ao invés de proteger as vítimas. Denúncias de transfobia, misoginia e assédio são recorrentes, ocupando os muros, banheiros e corredores da universidade. Muitas dessas denúncias envolvem inclusive docentes, evidenciando o caráter estrutural dessa violência dentro do ambiente acadêmico.

Vivemos um contexto de avanço da extrema direita, marcado pelo aumento da violência de gênero e pela escalada de discursos de ódio que se transformam, cada vez mais, em ações violentas. Diante disso, é urgente construir respostas coletivas à altura desse cenário,  tanto dentro quanto fora da universidade. Isso inclui fortalecer os coletivos anti-opressão e suas reivindicações, como a ampliação de banheiros agênero, o respeito aos nomes sociais nos documentos institucionais e a criação de espaços autônomos e auto-organizados para acolhimento, formação, prevenção e autodefesa.

Também é fundamental cobrar medidas concretas da reitoria: expulsão de agressores, melhoria na iluminação dos campi, e a formação de comissões independentes, com participação dos coletivos anti-opressão, para acolher, acompanhar e dar encaminhamento às denúncias com seriedade e transparência. Somente por meio da organização coletiva e da luta unificada des estudantes será possível transformar a universidade em um espaço verdadeiramente seguro, plural e livre de violência misógina, racista, lgbtfóbica e capacitista. 

  • Basta de violência misógina, racista e LGBTfóbica no campus, basta de omissão da reitoria! 
  • Pela expulsão dos agressores, sejam eles professores, funcionários ou alunos! Ampliação da iluminação do campus e a criação de comissões independentes que acolham e acompanhem as denúncias!
  • Pela efetiva aplicação das cotas PPI para professories!
  • Pela instituição obrigatória de cursos de letramento etnico-racial para a comunidade universitária, com participação de coletivos antiopressão e movimento negro!
  • Construir Comitê Paritário de Combate à Violência de Gênero entre estudantes, funcionáries e professories para formular e propor políticas no campo curricular, institucional e arquitetônico contra a violência de gênero!
    • Implementação do uso do nome social na USP de maneira irrestrita em todos os registros oficiais!
  • Pela realização do ll Seminário de Negros e Negras da USP!
  • Por uma reforma debatida com os 3 setores (estudantes, docentes e funcionáries) para garantir acessibilidade des alunes PCDs e banheiros agênero em toda a universidade e melhores condições de estudo!

 

 

Por uma USP verdadeiramente democrática!

A Universidade de São Paulo segue submetida a uma estrutura profundamente autoritária e centralizada. A escolha do reitor, ainda feita por meio de uma lista tríplice pelo governador do estado, perpetua esse modelo de poder excludente e antidemocrático. Neste semestre, caberá ao governador Tarcísio de Freitas, representante direto da extrema direita em São Paulo, definir quem comandará a maior universidade pública do país. Essa imposição de cima para baixo é inaceitável! A universidade não pode estar nas mãos de meia dúzia de burocratas! 

É urgente a luta por eleições diretas para reitor, além da convocação de uma estatuinte livre, democrática e soberana a partir da vontade des estudantes, funcionáries e docentes! A abertura completa dos livros de contas da universidade também é fundamental: não se justifica que, com um caixa de R$ 5,7 bilhões, a reitoria mantenha políticas de austeridade, cortes de bolsas e precarização estrutural.

Essa lógica de gestão autoritária se sustenta também no braço repressivo da universidade: a Polícia Militar. A permanência da PM nos campi é vendida como garantia de segurança, mas a realidade é outra. Casos de violência de gênero continuam a ocorrer com frequência dentro da USP, sem resposta efetiva das autoridades. A polícia, por sua vez, se volta contra es própries estudantes, reprimindo manifestações, ocupando espaços e criminalizando militantes. A reitoria, em vez de combater as violências reais, reforça sua aliança com forças repressivas para sufocar o movimento estudantil. É necessário dizer basta: fora PM da USP! Pelo fim do regimento disciplinar herdado da ditadura e o arquivamento imediato de todos os processos abertos contra estudantes por sua atuação política.

  • Diretas paritárias para reitor e fim da lista tríplice! Por uma estatuinte livre, democrática e soberana!
  • Pela abertura do livro de contas da USP!
  • Fora PM da USP!
  • Basta de criminalização do movimento estudantil! Pelo arquivamento dos processos contra estudantes e fim do regimento disciplinar da ditadura!
  • Em defesa do Espaço Verde, demais espaços estudantis, festas e atividades culturais!
  • Em defesa da autonomia universitária!

 

Pela refundação do movimento estudantil!

O movimento estudantil sempre foi, historicamente, a ponta de lança de grandes mobilizações sociais e contra toda forma de opressão e exploração dentro e fora das universidades. Na USP, esse papel de vanguarda também ecoa com força: desde a Batalha da Maria Antônia em 1968 — em que estudantes da USP enfrentaram grupos de extrema direita apoiados pelas forças repressoras — até a mobilização massiva em 2007, junho de 2013, e mais recentemente o tsunami da educação contra os cortes do governo Bolsonaro.

Diante do atual contexto político — de crises, guerras e quiçá revoluções — enfrentamos uma frente única contra a educação pública: Desde o governo Lula-Alckmin que submete a educação ao austericídio do Arcabouço Fiscal, a extrema direita de Tarcísio e Nunes com sua agenda de privatizações até as reitorias que cada vez mais aprofundam o projeto elitista. É nesse cenário que se torna urgente nos organizarmos como um movimento estudantil coeso, combativo e enraizado, capaz de enfrentar com independência dos governos, patrões e burocracias todos os ataques de dentro quanto de fora da universidade. Para além da resistência, é preciso construir uma universidade que nos represente de fato: anticapitalista, contra todas as formas de opressão e exploração, feita por e para a classe trabalhadora.

Temos como desafio romper com direções reformistas e burocráticas, que freiam a luta em prol de seus próprios interesses.  As correntes estudantis da esquerda da ordem, como as juventudes do PT, UJS/PCdoB e a Juventude Sem Medo/PSOL, setores majoritários que dirigem a UNE, atuam como representantes do governo de Lula-Alckmin, desmobilizando as lutas nas ruas, e agindo com passividade frente aos ataques à juventude e classe trabalhadora.  

Nesse cenário, a atual direção do DCE na USP eleita no final de 2025 — composta pela ampla frente semi-independente de Juntos/PSOL, Correnteza/UP, UJC/PCBR e Rebeldia/PSTU— não representa uma alternativa consequente. Isso acontece, porque esta aliança é hegemonizada por setores que se negam ser oposição de esquerda ao governo Lula 3 e tampouco rompem com os métodos burocráticos e imobilistas que leva adiante o lulismo na direção da UNE. Por fim, é necessário apontar que muitas vezes, as correntes do campo independente, como Rebeldia/PSTU, UJC/PCBR e Faísca/MRT caem no economicismo, tirando de vista a defesa de nossas liberdades democráticas, tão ameaçadas pela extrema direita,

Apesar de nossas discordâncias, fazemos um chamado pela reconstrução do campo da oposição de esquerda na UNE que unifique ao lado de estudantes independentes os setores que se colocam na oposição de esquerda ao governo federal: nós do Já Basta!/SoB, Vamos à Luta/CST, Rebeldia/PSTU e Faísca/MRT. Este é um primeiro passo para construir e fortalecer um polo independente de luta contra os ataques do governo Lula-Alckmin e de frontal enfrentamento à extrema direita a nível local e nacional! Torna-se necessário refundar o movimento estudantil na USP e em todas as universidades, com base na construção de entidades estudantis anticapitalistas e independentes das burocracias, reitorias e governos e construir as lutas concretas a partir de um programa concreto e anticapitalista para a universidade!

 

  • Por um movimento estudantil independente dos governos, patrões e burocracias e aliado aes trabalhadories!
  • Pela reconstrução da oposição de esquerda da UNE!
  • Por assembleias gerais e de curso democráticas, periódicas construídas pela base! Pela realização de plenárias dos 3 setores (estudantes, docentes e funcionáries efetives e terceirizades)!
  • Pela convocação de um Congresso des estudantes da USP!
  • Pela realização de um Censo na USP!
  • Por um DCE proporcional, com todas as chapas compondo a gestão e expressando proporcionalmente os votos des estudantes na base!

 

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