Está no ar o “USP além da sala de aula”, o boletim anticapitalista da Juventude Já Basta! e estudantes independentes! 

Juventude Já Basta!

Ao início de mais um ano letivo, milhares de ingressantes adentram os portões da Universidade de São Paulo (USP) e iniciam sua experiência após enfrentar um duríssimo filtro social e racial, o vestibular. Como se já não fosse o bastante, a reitoria de Carlotti, aliado fiel de Tarcísio de Freitas, iniciou o ano de 2025 implementando ataques que representam uma verdadeira guerra racista e higienista para expulsar a juventude negra e trabalhadora da universidade. 

Como de costume, um dos principais alvos dos cortes é o PAPFE, principal programa de bolsas de auxílio permanência da USP, que concede aos contemplades ínfimos R$850,00 em seu valor integral e R$320,00 em seu valor parcial. Os números são escandalosos: Neste ano, serão concedidos somente 2.500 auxílios aes alunes ingressantes, um corte brutal de mais da metade em relação aos 6.500 que foram oferecidos em 2024, um contingente já totalmente insuficiente para a demanda real. 

O CRUSP (Conjunto Residencial da USP) é outro alvo prioritário do projeto higienista da reitoria. A moradia estudantil sofre há anos com falta de vagas e submete seus moradores a condições desumanas de vida: inundações em períodos de chuva, a falta de água e iluminação, violência sexual contra moradoras, a imposição de grades de controle de acesso e a superlotação de apartamentos pela falta de vagas, uma realidade relatada a nós por um estudante que atualmente reside com mais 11 estudantes em um quarto que deveria ser ocupado por apenas 4 pessoas. 

Na prática, a PRIP (Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento), que deveria garantir condições para que todes possam estudar com dignidade, toca uma política responsável pela evasão forçada des alunes negres e trabalhadores. Na USP, a brutalidade contra os debaixo é cotidiana e também afeta outras categorias. Basta lembrar do recente falecimento de Maria Ofélia, trabalhadora terceirizada do IAG que morreu em seu horário de trabalho enquanto sua unidade seguia normalmente suas operações.

Essa política higienista da USP é expressão do total alinhamento da reitoria com projeto conduzido pelo governador de extrema direita Tarcísio de Freitas que, vale lembrar, escolherá o próximo reitor da universidade este ano. Como parte de sua agenda ultrarreacionária, o governador tem tocado um plano de destruição da educação pública com um corte de R$10 bilhões do orçamento da educação, o leilão de escolas ao mercado privado e a expansão das escolas cívico-militares. À nível federal, o governo de Lula-Alckmin tampouco pode ser encarado como aliado, já que implementa um arcabouço fiscal que estrangula o orçamento da educação e dos serviços públicos! 

Romper com a inércia e organizar a luta!

Da eclosão de um novo imperialismo com Trump a limpeza étnica do povo palestino, atravessamos um mundo de ruptura da normalidade, uma realidade marcada pela ameaça da extrema direita mas também por grandes possibilidades de luta para os explorados e oprimidos. Este mundo convoca as novas gerações a se organizar para conquistar não só o direito de permanecer na universidade, mas também outras tarefas políticas centrais do nosso tempo como a prisão de Bolsonaro, o fim do ciclo histórico de anistia e a luta em defesa do povo palestino. Para responder a isso, é preciso organizar a mobilização des estudantes independentes, coletivos políticos e o conjunto do movimento estudantil! 

Por isso, chamamos o DCE Livre da USP (Correnteza/UP e Juventudes do PSOL) a romper com sua inércia e convocar e construir uma assembleia geral para organizar a luta em defesa da permanência estudantil, assim como, construir lutas fundamentais como o fim dos convênios acadêmicos da USP com universidades israelenses e o fim do genocídio palestino, a Prisão de Bolsonaro e todos os golpistas e o fim da escala 6×1!

 

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