Redação Esquerda Web
O patriarcado, aliado ao capitalismo, impõe constantemente às mulheres e aos setores dissidentes de gênero uma realidade de violência física, psicológica e emocional. Com a omissão e a cumplicidade dos governos patronais e de suas instituições, enfrentamos no Brasil um cotidiano de abusos e o aumento dos casos de feminicídio.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, enquanto caem as estatísticas de mortes violentas no país, o número de feminicídios bate recorde, com inaceitáveis 1.492 casos no ano passado — a maior estatística desde 2015. Os dados ainda confirmam um brutal entrelaçamento entre violência e opressão: entre as principais vítimas da agressão misógina estão as mulheres negras, em 64% dos casos.
A culpa nunca é da vítima! Casos brutais como o de Juliana, agredida com 60 socos por seu companheiro, Igor Eduardo Cabral, e o de Clara Maria, brutalmente assassinada por asfixia em março deste ano, são expressão da bárbara naturalização da opressão de gênero pela sociedade capitalista. Um cenário estimulado, no Brasil e em todo o mundo, pela extrema-direita, aliada de abusadores e agressores, que quer destruir todas as conquistas do movimento de mulheres, LGBTQIA+ e de todes es explorades e oprimides.
Com a nossa luta, é preciso fazer o medo mudar de lado! Assim como fez o movimento de mulheres ao derrotar o ultrarreacionário PL do Estupro — que buscava equiparar o aborto realizado por meninas ao crime de homicídio —, é necessário construir a luta nas ruas, com a mais ampla unidade de ação, para enfrentar a extrema-direita. Nenhuma a menos!
É preciso combater nas ruas a extrema-direita e o Centrão fundamentalista, que atacam as mulheres e os nossos direitos! Para isso, é necessário superar as direções burocráticas da conciliação de classes lulista, que não só rifa nossas pautas em nome da governabilidade com os reacionários, mas é cúmplice da crescente violência de gênero. Precisamos levantar o movimento de mulheres e construir um polo de luta independente, feminista e socialista!
Nos inspiramos na luta de nossas companheiras latino-americanas, que construíram enormes ondas feministas e conquistaram vitórias contra os fundamentalistas e os reacionários: as marchas por Ni Una Menos por toda a América Latina em 2015 e a Maré Verde argentina, que conquistou o direito ao aborto em 2020.
Nenhuma a menos! Tomemos as ruas contra a violência de gênero! Por um plano nacional de combate à violência contra a mulher! Punição a todos os agressores e pena máxima para feminicidas! Aborto legal, seguro e gratuito nos hospitais! Educação sexual laica, científica e feminista nas escolas, já!









