Declaração política dos militantes da sessão francesa da corrente Socialismo ou Barbárie, reunidos em Assembleia Geral no âmbito da Conferência Anticapitalista Internacional, que reuniu mais de uma centena de participantes no final de semana de 15 e 16 de novembro de 2025 em Paris.
Por Socialismo ou Barbárie – 16 de novembro de 2025
Nossa organização acaba de realizar uma exitosa Conferência Anticapitalista Internacional que reuniu mais de uma centena de participantes em Paris sob a palavra de ordem “Passemos da revolta à revolução”.
A Conferência reuniu militantes da corrente Socialismo ou Barbárie de Rennes, Estrasburgo, La Rochelle e da região parisiense, jovens militantes das universidades Paris 1 Sorbonne, Paris 8 Saint-Denis, Paris 3 Sorbonne Nouvelle, Paris 10 Nanterre, Rennes 2. Também participaram trabalhadores e trabalhadoras dos setores público e privado (associativo, educação, logística, transportes, saúde, entregadores, entre outros). Estiveram também presentes membros da direção internacional da corrente: Roberto Saenz (Argentina), Renato Assad (Brasil) e Ramiro Manini (Argentina), bem como militantes da organização na França: Santiago Follet, Elsa Caudron e Shaïma.
A Conferência Internacional reafirmou seu apoio incondicional à luta do povo palestino e a todos os apoiadores da Palestina reprimidos pelo Estado. Diversas organizações convidadas também participaram, entre elas Roja, que compartilhou sua experiência na preparação do dia de luta contra a violência às mulheres e na construção e apoio ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. A Marcha das Solidariedades também falou no contexto da greve de 18 de dezembro pelos direitos das pessoas migrantes. Esta conferência conseguiu reunir militantes das lutas anticapitalistas de todo o mundo, para transformar as revoltas em revoluções.
Vivemos uma situação internacional marcada por crises e guerras, bem como pela reconfiguração das relações geopolíticas e pela contestação dos consensos internacionais das últimas décadas. Trump, Milei, Netanyahu, Putin, Macron, estão entre uma longa lista de governos reacionários, promotores de guerra, cúmplices do genocídio na Palestina e responsáveis pela escalada militarista em nível internacional. Os capitalistas querem fazer os trabalhadores e as classes populares pagarem por suas guerras. Diante dessa ofensiva reacionária, uma onda de revoltas populares se espalha por todas as partes do mundo: do Nepal a Madagascar, passando por Marrocos e Peru. Uma nova geração militante acumula experiências de luta contra o capitalismo do século XXI.
A França não escapa ao clima de instabilidade internacional. O governo Macron mergulhou o país em uma crise política permanente, incapaz de impor seus ataques sociais, repressivos e autoritários sem provocar a ira da nossa classe. A irrupção do movimento de 10 de setembro confirma o sentimento de revolta contra o orçamento de guerra social e a aspiração das massas de acabar com o macronismo e com as instituições podres da Quinta República. Enquanto o governo Macron pavimenta o caminho para a extrema-direita com medidas cada vez mais reacionárias, o Rassemblement National de Marie Le Pen e Vardella tenta capitalizar essa raiva para se apresentar como alternativa política, com propostas racistas e retrógradas.
Nesse contexto, a situação revela todos os limites do possibilismo reformista das direções sindicais e políticas. Assim, a Intersindical desempenha um papel de desarticulação das mobilizações, com sua estratégia de jornadas de mobilização sem continuidade e de conciliação com o governo. Essa estratégia não apenas enterrou o impulso das manifestações de setembro, como também levou à derrota tática da luta contra a reforma da previdência. Quanto à Nova Frente Popular, ela completa esse quadro com a estratégia puramente parlamentar e eleitoral sem mobilização por parte da França Insubmissa, além da traição aberta e do acordo político com Macron e o Partido Socialista. Essa estratégia reformista, que não questiona o regime político, permite que Macron se mantenha no governo e abre caminho para uma vitória eleitoral da extrema-direita. A adaptação eleitoral e institucional do NPA provocou a cisão desse partido, que perdeu toda a sua independência ao se integrar a uma frente de conciliação de classes.
Por isso, é necessário refundar a esquerda revolucionária, para que os trabalhadores e as classes populares possam dispor de uma nova direção capaz de levar as lutas até o fim e transformar as revoltas em revolução. É necessário construir uma nova organização política anticapitalista, totalmente independente das estratégias derrotistas das direções reformistas, para fortalecer a auto-organização dos trabalhadores e impulsionar as mobilizações com o objetivo de derrotar Macron, a extrema-direita e o sistema capitalista.
Socialismo ou Barbárie convoca a construção de uma nova organização revolucionária para relançar a luta pela revolução socialista. Militamos para construir o marxismo revolucionário do século XXI, participando dos movimentos internacionais de lutas anticapitalistas, com toda a força das revoltas populares no mundo. Militamos para relançar a luta pela revolução nesta nova etapa do capitalismo e da luta de classes, com uma nova geração militante que vivencia experiências nas mobilizações feministas, LGBTI, antirracistas, ecologistas, no movimento de solidariedade com o povo palestino, contra a guerra e contra todos os ataques imperialistas. Queremos relançar a batalha pela revolução com uma nova classe trabalhadora, protagonista de greves e mobilizações contra o capitalismo.
Nossa nova organização será uma ferramenta de luta para a construção de uma esquerda revolucionária combativa. Será uma organização militante não dogmática, ativa na luta de classes, livre de práticas rotineiras e derrotistas, em um período de grandes choques sociais.
Com total independência de classe, nossa nova organização será anticapitalista e revolucionária. Nesse sentido, abordamos os processos eleitorais como uma tarefa tática importante, a serviço da construção de uma estratégia de mobilização extraparlamentar e da independência política da classe trabalhadora. Anunciaremos em breve nossa posição a respeito das próximas eleições.
Essa nova organização também será profundamente antistalinista e antiburocrática. Queremos relançar a perspectiva estratégica de uma revolução social livre das amarras burocráticas do stalinismo, com base no estudo crítico das experiências revolucionárias do século passado.
A sessão francesa da corrente Socialismo ou Barbárie convoca a construção de uma nova organização revolucionária e estabelece como objetivo a realização de um primeiro Congresso de fundação, cuja data será anunciada em breve.
Convidamos todos os militantes do movimento operário, do movimento feminista, da juventude, antirracistas, ecologistas a se unirem aos nossos comitês nos locais de trabalho, estudo e nas cidades. Convidamos todos os trabalhadores e jovens que desejam fazer parte deste processo de construção de uma nova organização a se juntarem a nós, para participar da reconstrução de uma esquerda revolucionária combativa, a fim de pôr fim ao governo Macron, à extrema-direita e à sua sociedade capitalista. Para transformar a revolta de nossa classe em verdadeiras revoluções sociais.










