Por Nahuel Vermelho

No domingo, 7 de setembro, foram realizadas as eleições provinciais de Buenos Aires, que resultaram em uma derrota esmagadora para o governo Milei: produto de uma profunda crise política, econômica e social que o governo atravessa, agravada pelo escândalo das propinas relacionadas à deficiência, que o expôs totalmente como um governo de ladrões e vigaristas.

Nesta eleição, em que prevaleceu a força dos aparatos, foi o peronismo quem capitalizou esse “voto castigo”, de tal forma que venceu na maioria das seções, aumentando suas cadeiras provinciais. Enquanto isso, a esquerda como um todo sofreu um retrocesso em relação às eleições legislativas de 2021, tanto em relação às PASO (eleições “Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias”), nas quais houve uma queda de 13%, quanto em relação às eleições gerais do mesmo ano (- 27%). 

Nesse panorama, o fato marcante foi o forte declínio que teve a FITU. Se compararmos com as PASO de 2021, onde concorreram com 2 listas e onde também nos apresentamos com o Novo MAS e a Política Operária, a queda foi de 12%. Mas se a comparação for com as eleições gerais – onde a FITU, graças ao mecanismo proscritivo, ficou com os votos do resto da esquerda e de outros espaços menores – a queda é mais abrupta, em 40%, um colapso de 250.000 votos. Por causa desse revés, perdeu os 10 vereadores que conquistou há 4 anos (2 por La Matanza, 2 por Moreno, 2 por Merlo, 2 por José C Paz e 2 por Coronel Pringles), e também esteve prestes a perder seus 2 deputados provinciais da 3ª Seção, que mantiveram por um triz, por menos de 10.000 votos. 

O agravante político desse retrocesso é que, enquanto o Novo MAS aposta em uma nova geração de dirigentes da esquerda e do anticapitalismo, expressando a renovação, a FITU optou por uma prática tradicional típica do peronismo e das forças patronais tradicionais: candidaturas testemunhais. Assim, na 3ª Seção, onde se jogava a manutenção ou perda de suas duas únicas cadeiras na legislatura de Buenos Aires, a FITU decidiu concorrer com seu principal dirigente nesse distrito: Nicolás Del Caño; uma fraude total ao eleitorado, já que em outubro ele também se candidata a Deputado Federal, e ,se entrar, não assumiria sua cadeira na legislatura de Buenos Aires, deixando seu lugar na verdade para Chipi Castillo que, em uma manobra indecente, também está concorrendo a Senador em CABA – ou seja, em outro distrito! E, mesmo apesar de todo esse esforço e de recorrer a esses lamentáveis métodos, o resultado eleitoral da FITU foi péssimo. A ponto de poder sair o tiro pela culatra, porque agora Del Caño aparece como a face da derrota depois desta pobre eleição, com a qual perderam seus vereadores e com que poderão perder seus assentos em outubro. 

No entanto, apesar desse evidente resultado magro, a FITU, e em particular o PTS, saíram propagandeando que haviam realizado uma “grande eleição”, com a qual teriam “conquistado dois novos assentos” [1] quando só os mantiveram por muito pouco. Para sustentar essa versão, divulgaram algumas tabelas circunstanciais com uma porcentagem um pouco maior, lembrando aquela famosa “mesa de Necochea” [2] que foi vista por muitos de seus simpatizantes como algo ridículo. Eles chegaram a falar sobre crescer em La Matanza, quando precisamente lá não puderam consagrar nenhum conselheiro, perdendo os dois que haviam obtido há 4 anos. 

Vejamos em números alguns exemplos paradigmáticos:  

Distrito  Eleições Gerais 2021  Eleições gerais 2025  Porcentagem de retração 
La Matanza  71.331 (9,68%)  52.393 (7,78%)  20% 
José C Paz  13.758 (9,19%)  7.848 (5,74%)  38% 
Merlo  29.140 (10,53%)  16.562 (6,59%)  37% 
Moreno 22.849 (9,23%)  10.124 (4,44%)  52% 
Coronel  Pringles  2.577 (19,85%)  814 (7,13%)  64% 
Morón  14.820 (8,25%)  10.418 (5,86%)  29% 

  

Nos atentemos aos números em La Matanza: é aí onde eles celebram um suposto crescimento! 

A título de explicação do quadro, os 5 primeiros distritos são os que levaram a FIT a ter 10 vereadores em 2021. Mas seu retrocesso, cuja dimensão está representada na última coluna, significou a perda de todos esses assentos. O caso de Morón se incorporou ao quadro, onde eles estiveram perto de entrar no Conselho Deliberativo há 4 anos, situação distante dos resultados atuais. 

Não é possível tapar o sol com a mão: por mais triunfalismo que se queira simular, aos olhos de todos a FITU fez uma má eleição considerando a forma como a jogou e os poucos resultados obtidos. Cabe aos partidos da FITU fazerem um balanço sério e, acima de tudo, honesto diante das e dos trabalhadores e da sua militância sobre esta Frente que existe há 14 anos e que, de maneira oportunista, girou para o poroterismo (NT: a corrente SoB entende por poroterismo “subordinar tudo à obtenção de algum cargo ou benefício parcial às custas dos interesses gerais da luta de classes), e sem resultado. Um balanço que, entre outras questões, deve incluir o erro crasso de haver decidido dividir a esquerda por interesses mesquinhos. 

NOTAS 

[1] Nota: Resultados oficiales. Masivo rechazo y derrota del Gobierno, ganó el peronismo y el Frente de Izquierda conquistó dos bancas.

[2] Nas eleições presidenciais de 2003, Alberto Rodríguez Saa declarou que na mesa 86 de Necochea eles estavam em primeiro lugar, usando-a como mesa testemunha para afirmar que seu irmão Adolfo estava disputando a eleição. Por fim, o candidato de San Luis de la Punta de los Venados terminou em 4º lugar com 14%. 

 

Tradução de José Roberto Silva de Elecciones bonaerenses: el FITU y el verso de una «gran elección».

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