Após quatorze dias de uma greve imposta pela base, trabalhadores dos Correios conquistam reposição salarial e mantém Acordo Coletivo. Categoria sai fortalecida para enfrentar no próximo período plano de privatização dos Correios, demissões e ataques a direitos.
DANILO MOREIRA, trabalhador dos Correios
Hoje (31), a Assembleia dos Trabalhadores dos Correios em São Paulo coloca fim a uma vitoriosa greve da categoria, que durou 14 dias. A assembleia, que estava prevista para a próxima semana, foi antecipada para poupar a população de transtornos desnecessários que poderiam ser causados caso a greve se estendesse até o dia 7.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST), ontem (30), após audiência de conciliação ocorrida na segunda-feira (29), decidiu, por maioria, manter todas as cláusulas previstas no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) referente a 2024/2025, a legalidade da greve e o reajuste salarial de 5,10%, índice que também será aplicado ao vale-refeição.
A greve foi decretada pelos trabalhadores após um processo de negociação que se arrastou por mais de quatro meses. Em uma evidente tentativa de jogar sobre as costas dos trabalhadores a crise da estatal – decorrente da má gestão da empresa, da retirada de aportes financeiros e da falta de compensação pelos serviços postais prestados -, a direção dos Correios queria impor o arrocho salarial e o congelamento, por dois anos, dos direitos da categoria.
Um dos argumentos usados pela direção dos Correios para não atender às reivindicações dos trabalhadores foi a suposta necessidade de adequa-la ao mercado e à concorrência; no entanto, a empresa gastou, nos últimos tempos, milhões em patrocínios, com a justificativa de fortalecer uma marca já consolidada.
Depois de quatro meses de enrolação pela burocracia sindical, a direção das duas federações – FENTECT (dirigida pelo PT/CUT) e FINDECT (dirigida pelo PCdoB/CTB) – e da maior parte das direções dos sindicatos locais trabalharam para conter o necessário movimento, a greve ocorreu pela enorme pressão da base e pela iniciativa grevista do Sintect-RS. Na assembleia em São Paulo, a base impôs o movimento grevista.
A greve não ocorreu apenas pelas reivindicações imediatas dos trabalhadores. Durante o processo grevista, a direção dos Correios apresentou, com o aval do governo Lula 3, um plano de reestruturação de evidente cunho privatista que, em troca de um empréstimo de R$ 12 bilhões, propõe: um novo PDV (Programa de Demissão Voluntária) para demitir 15 mil empregados em 2026 e 2027; o rebaixamento de cargos e salários; ataques ao plano de saúde dos trabalhadores; ataques ao plano de carreiras; metas de produtividade; e um estudo para transformar os Correios em uma empresa de economia mista.
Foi a força desta greve, que enfrentou uma série de ataques da grande mídia, do governo e da direção da empresa que impôs a decisão do TST. Assim, a greve se encerra com uma vitória significativa para os trabalhadores, com reajuste de 5,10% aplicado sobre salários, benefícios e funções; pagamento retroativo à data-base de 1º de agosto, relativo a todos os valores retroativos; manutenção da maioria das cláusulas do Acordo Coletivo; adicional de 70% nas férias mantido pelo TST; e Dissídio Coletivo com vigência de um ano, válido de 1º de agosto até 31 de julho de 2026.
Em que pese o fato de que as batalhas mais decisivas ainda estão por vir em defesa dos Correios como empresa pública e controlada democraticamente pelos trabalhadores, o resultado da greve demonstra que somente a mobilização e a luta podem garantir nossos direitos econômicos e políticos.
Parabéns a toda a categoria, que, com muita combatividade, desde o início soube encarar o desafio e sair vitoriosa desta luta. Temos a necessidade de nos manter mobilizados, pois 2026 nos reserva uma série de lutas sindicais e políticas decisivas. Momentos para os quais os trabalhadores precisam se preparar para enfrentar de forma independente governos, patrões e burocracias.











[…] Combatividade da base impõe vitória dos trabalhadores dos Correios por Danilo Moreira […]