Fazemos um chamado aberto à FITU e suas 4 forças integrantes, para convocar urgentemente uma mesa de diálogo conjunta para abrir uma troca de ideias rumo a formação de uma lista única, tanto em nível provincial em Buenos Aires para setembro, quanto em nível nacional em outubro. A unidade da esquerda é uma necessidade diante dos ataques brutais do governo de Milei e no contexto da simpatia que gerou em amplos setores sociais a rejeição à proscrição de CFK.
COMITÊ EXECUTIVO DO NUEVO MAS
O país está sob o ataque permanente de um governo de extrema direita que está desenvolvendo um plano de guerra contra as e os trabalhadores, a juventude, mulheres e diversidades e os setores populares. Javier Milei instalou uma conjuntura reacionária, mas sem ter conseguido uma derrota do movimento de massas, o que dá uma irresolução ao experimento libertário e levanta a possível reversibilidade e resposta contundente dos de baixo à crise social que se aprofunda mês a mês.
A visão de curto prazo deste governo, ligada à incapacidade de alterar as relações de força, lhe dá um marco de incerteza ao processo que se vive na Argentina, ao qual se somam aspectos que vão desde o tipo de inserção econômica do país no mundo, até o tipo de câmbio e a desvalorização que registra o dólar, além do novo endividamento com o FMI e outras instituições financeiras que aparecem como fatores de novas crises diante da incapacidade que o governo tem demonstrado quando se trata de acumular divisas e reservas. A aposta de Milei é vencer as eleições provinciais e nacionais para poder realizar as contrarreformas trabalhista e previdenciária, tão reivindicadas pela burguesia no contexto de uma crise orgânica cuja resolução vislumbra grandes confrontos pela frente.
Junto com isso, a proscrição e prisão de Cristina Fernández de Kirchner se coloca como uma aposta do governo e do regime para atacar os direitos democráticos e políticos, além de impedir que um setor da sociedade que se identifica com ela vote nela. Diante desse fato grave e diante do apelo do PJ, nosso partido, como alguns outros da esquerda, participou do evento convocado na Plaza de Mayo de forma independente para rejeitar a ofensiva antidemocrática confluindo com amplos setores sociais que também reclamavam contra a política do governo Milei. A mobilização por essas bandeiras era uma tarefa obrigatória, por isso consideramos um erro grave que nem todas as forças da FITU tenham se mobilizado diante desse evento. Para além das considerações sobre as situações de corrupção e o caráter burguês do peronismo, a rejeição a ataques desse tipo merece unidade de ação, assim como a disputa política e ideológica de amplos setores, que devem ser processadas também e fundamentalmente no terreno da mobilização e da luta de classes, bem como no campo eleitoral.
Nesse quadro a esquerda tem perspectivas históricas devido aos desafios colocados para derrotar o projeto de Milei, para o qual conta com um acúmulo de representatividade das últimas décadas e uma existência orgânica real que devemos fortalecer. Esse acúmulo se divide entre as organizações da FITU e do Nuevo MAS, e encontram no plano da representação eleitoral suas figuras mais proeminentes como Myriam Bregman, Manuela Castañeira, Nicolás del Caño, Gabriel Solano, entre outros.
Nesse contexto, o PTS anunciou recentemente que enviaria uma carta à Coordenação Nacional da FITU para iniciar conversações com o Nuevo MAS e outras organizações acerca da unidade. Infelizmente, uma proposta desse tipo enviada internamente à FITU, e não abertamente e sem condições, já foi rejeitada em outras ocasiões por dita Coordenação, poderia não ser mais do que uma manobra política para aparecer “unitários”.
Nosso partido vem insistindo desde 2011 na necessidade de convergir para uma lista e um programa comum de toda a esquerda que garanta a todos os seus membros voz e visibilidade na campanha. Esse mesmo chamado vimos repetindo até esta data, incluindo a carta aberta que apresentamos em dezembro de 2024 como resolução do nosso Congresso Nacional de 25 anos após a fundação do Nuevo MAS, como nas recentes eleições legislativas em CABA, sem obter qualquer resposta da Coordenação da FITU.
No entanto, atentos à suposta proposta do PTS aos demais membros da FITU e em um cenário em que todos os espaços políticos estão atualmente discutindo com que cenário de alianças se apresentarão nas próximas eleições, desde o Nuevo MAS fazemos com esta carta um chamado aberto à FITU e suas 4 forças integrantes para convocar urgentemente uma mesa de diálogo conjunta para abrir um intercâmbio de ideias para a formação de uma lista única tanto em nível provincial em Buenos Aires para setembro, quanto em nível nacional em outubro. A unidade da esquerda é uma necessidade diante dos ataques brutais do governo Milei e no contexto da simpatia que gerou em amplos setores sociais a rejeição da proscrição de CFK, bem como a exigência de sua liberdade, bandeira que deve ser apoiada também pela esquerda independente.
Companheiros e companheiras: aguardamos sua resposta, da qual sem dúvida estarão aguardando milhares de simpatizantes que esperam uma alternativa de esquerda, anticapitalista e socialista unificada diante das eleições provinciais, bem como nacionais.
Comitê Executivo do Nuevo MAS, 01/07/2025
Tradução de José Roberto Silva do original Pongamos fecha y hora a una reunión entre la mesa nacional del FITU y el Nuevo MAS para concretar la unidad
Imagem: foto-montagem com as figuras públicas Manuela Castañeira (Nuevo Mas) e Myriam Bregman (PTS)










