Bem-vindes caloures!

Entre as chamas da rebelião e a ofensiva imperialista: a saída é anticapitalista!

por Já Basta! – Juventude Anticapitalista

Vocês atravessaram um dos filtros sociais e raciais mais duros do país: o vestibular. Chegar à USP é motivo de alegria e também de responsabilidade histórica! Que essa nova fase seja feita de descobertas, amizades, produção de conhecimento e, sobretudo, organização política para transformar o que existe dentro e fora da universidade, virar a USP e o mundo do avesso!

Vivemos uma nova do capitalismo marcada pela superexploração do trabalho, colapso ambiental e avanço autoritário no mundo todo, mas também de reação e luta dos de baixo. O imperialismo voltou a mostrar sua face mais agressiva e territorializada com Trump e suas ameaças e ataques à Palestina, América Latina e Groelândia além suas políticas racistas e repressivas internas. 

Ao mesmo tempo, há resistência: da Palestina que enfrenta o genocídio sionista, às mobilizações contra o ICE em cidades dos EUA, às rebeliões que sacodem o Irã e o mundo. A mensagem que ecoa é contra a polícia racista em todo mundo, contra a extrema direita, pelas liberdades democr´ticas e pela a defesa incondicional da soberania e da autodeterminação dos povos! Nem EUA, China ou Rússia, lutemos contra os imperialismos e as guerras para organizar uma saída independente e anticapitalista dos explorados e oprimidos! 

No Brasil, esse cenário aparece no avanço de projetos que ampliam a repressão e o encarceramento da juventude negra e periférica, como o PL da dosimetria e o PL da repressão (PL Antifacção). Ao mesmo tempo, cresce a resistência: a luta dos povos originários contra a privatização dos rios e a organização combativa dos entregadores por aplicativo mostram que há força real para enfrentar a extrema direita e os ataques do lulismo.

Também é preciso dizer: o governo Lula, por sua natureza de conciliação com o capital financeiro, o agronegócio e o Centrão, mantém a austeridade que estrangula a educação pública e esvazia as mobilizações. Sem enfrentar estruturalmente o reacionarismo e os interesses da burguesia, o lulismo acaba permitindo que ataques avancem sobre direitos históricos, inclusive dentro das universidades.

Na USP há um claro projeto de expulsão dos jovens filhos da classe trabalhadora. A permanência estudantil está sob ataque. Bolsas insuficientes, moradia ameaçada, falta de docentes, ranqueamentos meritocráticos e reformas estruturais e curriculares impostas de cima para baixo empurram para fora justamente quem mais lutou para entrar: estudantes trabalhadores, negres, mulheres, pessoas trans e periféricas.

Defender permanência não é só defender auxílio. É enfrentar esse projeto antidemocrático da reitoria e de Tarcísio, as lutas de dentro e fora da universidade se combinam. A história mostra que é a mobilização pela base, as comissões, as assembleias, as greves, as ocupações e a unidade da esquerda independente que arrancam conquistas reais!

A democratização da universidade passa também pela luta por cotas trans e PCD, pelo vestibular indígena apontando ao fim do vestibular como mecanismo excludente. Queremos uma USP verdadeiramente pública, laica, de qualidade e a serviço da classe trabalhadora!

Os desafios são enormes em um mundo em combustão, mas acreditamos que há também muita força e possibilidades reais de construirmos, como diz Rosa Luxemburgo: “um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.

A Juventude Anticapitalista Já Basta! se organiza a partir dessa certeza: é nas ruas e na organização independente que enfrentamos a reitoria reacionária, os governos e os patrões. É transformando indignação em ação coletiva que mudamos a realidade.

Vem construir com a gente!

Juventude Anticapitalista Já Basta!